Antes de arrumar as malas e seguir viajem, algumas considerações sobre esta breve passagem pela Espanha.
O novo governo Rajoy está paralisado diante da encruzilhada que marca o conjunto da União Européia, especialmente os países de economia mais frágeis.
O recente anúncio do banco espanhol, que projeta uma queda de 1,5% do PIB espanhol, obriga o novo governo a aplicar a reforma trabalhista e os planos de ajustes contra os trabalhadores e o povo pobre, que sofre com o desemprego crescente. A meta é reduzir o déficit espanhol em 4,4%. Por outro lado, enfrenta um eleitorado crítico, sem confiança e apoio, mobilizado e prestes a tomar as ruas e praças a qualquer momento.
No dia 21, houve uma reunião entre a CGT, CNT, UGT, algumas comissões do 15-M e outros grupos políticos, que decidiram tomar novamente a Porta do Sol por 20h imediatamente após a aprovação da reforma laboral. Além disso, lançaram a campanha pela construção da Greve Geral no país.
Hoje presenciamos um ato público de operários da Arcelor Mitral, que lutam contra o fechamento da fábrica de fundição em Madri. Eles doavam sangue em um ônibus de doação que fica estacionado todos os dias em tempo integral no meio da porta do sol. Prestamos nossa solidariedade aos trabalhadores. A categoria era representada pela UGT e alguns declarados militantes do PSOE.
Por fim, vale destacar algumas características da cidade, que chamam atenção de quem visita o velho continente pela primeira vez.
Não há como deixar de registrar nosso reconhecimento de que a riqueza encontrada no primeiro mundo, a riqueza e a exuberância que os colocam mil anos “a frente” das semicolônias como o Brasil e demais países periféricos, se devem justamente ao saqueio e genocídio dos povos nativos, bem como dos antigos escravos e explorados em geral, que habitaram e habitam nossas terras, produzem com o suor do seu trabalho todas as riquezas que saem dos nossos países e vem parar aqui. Ainda assim, a ganancia destes poucos senhores e famílias que se julgam donas do mundo é tão grande, que também por aqui conseguiram quebrar os países, fazer suas riquezas e capitais virarem poeiras e bolhas financeiras estouradas, trazendo muita miséria e exploração para os trabalhadores e povos que vivem no “primeiro mundo”.
Madri, Espanha, dia 23 de janeiro de 2011.
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