Publicado em 27/01/2012

Ato público em frente à TV estatal

Hoje, 26 de janeiro, foi um dia para reafirmar o significado do dia de ontem. As barracas, lonas, faixas e manifestantes permaneceram na Praça Tarhir o dia inteiro. Definitivamente a praça voltou a ser ocupada e controlada pela população, que exige a queda da Junta Militar e a execução de Mubarak, Tantawi, entre outros membros do regime responsáveis pelo banho de sangue e prisões de milhares de civis.

Como escrevemos ontem, o regime militar e os partidos que tentam impedir a continuidade da revolução, como a Irmandade Muçulmana, tentaram transformar o aniversário da revolução em um ato de encerramento, como se as tarefas já tivessem sido concluídas.

Hoje, obviamente, não havia mais nenhuma festa ou sinal de comemoração. O que presenciamos foram diversos protestos em várias ruas diferentes ao redor da Praça. Todos eles tendo, à linha de frente, jovens e mulheres.

Inúmeros grupos marcham de forma independente, apenas com a bandeira do Egito, utilizando o jogral (um grita e todos repetem) como método de agitação permanente. Em qualquer lugar do centro do Cairo, próximo a Tarhir, se escuta um grito e depois uma massa repetindo. Este som não se interrompe nem por um momento. É o som da revolução, sempre disparado por jovens ou mulheres.

Participamos de uma grande passeata com milhares de pessoas que se deslocaram da Tarhir até a TV estatal egípcia. Palavras de ordem em jogral denunciavam as mentiras contadas pela mídia, que fez a cobertura do dia de ontem como um momento de festa e celebração, dando a revolução como concluída. Os manifestantes tentavam dizer que não há motivo para celebração: a revolução continua, pois ainda é preciso colocar o sistema abaixo. A avaliação é de que há uma ditatura militar instaurada no país. Diziam: “revolução, revolução, ela continua”; “nós somos a linha vermelha do Egito”; “somos o poder da Tarhir”; “Fora Tantawi”; “fora militares”; “liberdade para nós, punição e morte a Mubarak e aos militares”...

Amanhã, dia 27, é sexta-feira. Aqui no Cairo ao longo de todo último ano, sexta-feira virou um dia tradicional de protesto. Toda semana, este é o dia de ir a Tarhir. Mas amanhã a expectativa é diferente. Esperam-se milhões na praça. É a primeira sexta-feira pós 25 de janeiro. Alguns dizem que essa é a segunda revolução.

 

Cairo, Egito, 26 de janeiro de 2012.

 

 

 

 

 

 

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