Publicado em 25/01/2012

Egito...a poucas horas do aniversário de um ano da Revolução

Chegamos hoje ao Cairo, por volta das 20h. No avião, atrás de nós, vinha sentado um brasileiro, também ativista, que volta ao Egito como correspondente de um jornal da esquerda brasileira. Nos ajudou muito para que chegássemos até nosso destino, além de informações muito pertinentes.

Do Aeroporto até o centro percebemos que a cidade é um caos. O transito é como em São Paulo, mas mais desorganizado. As buzinas são frenéticas e incessantes. A sujeira e falta de higiene saltam aos olhos por onde se passa. Tudo isso, contrastando com construções e mesquitas bela, ricas e antiguíssimas que olhamos apenas de passagem.

Após nos instalar em um albergue, fomos direto para a Praça Tahrir. Está chovendo, coisa que nunca acontece por aqui. Mas hoje a cidade chora. Na praça, muitos jovens, bandeiras do Egito e de partidos e movimentos de esquerda e nacionalistas, barracas e lonas. A militância se prepara para o dia de amanhã, 25 de janeiro, quando completa um ano do início da Revolução que veio a derrubar Mubarak. Na praça, um cordão humano já tranca a passagem de carros e pedestres. Amanhã ela será palco de uma poderosa mobilização.

Esta semana foi de muitos protestos e convocações para este dia. Em poucas horas no Cairo, falando com algumas pessoas, percebe-se que de fato a Revolução está longe de terminar, que o regime ditatorial segue reprimindo com muita força e que as tarefas que colocou as massas de pé estão longe de serem concluídas.

Amanhã a revolução e a contra revolução devem se encontrar na Praça Tahrir. Os trabalhadores e o povo, que afirmam que um ano após a queda de Mubarak nada mudou de verdade, se encontrarão com a junta militar, que prendeu mais ativistas no último ano do que o ditador Mubarak prendeu em três décadas.

Nós estamos aqui, com a humildade e coragem para tentar entender, aprender e dentro do possível, apoiar e se solidarizar com esta revolução em curso. Agora vamos dormir, pois em poucas horas estaremos na Tahrir para acompanhar mais este capítulo da história.

Que a revolução avance e siga sua marcha, longa, dolorosa, porém necessária e justa.

 

Cairo, Egito, 24 de janeiro de 2012.

 

 

 

 

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