Primeira parada antes do Egito.
Chegamos em Madri depois de quase 20 horas viajando.
Os jornais da cidade dão conta da crise política e econômica que deixa o país sem perspectiva. O PSOE, partido socialista espanhol, que governou o país nos últimos anos e foi derrotado nas últimas eleições e que está rachado em vários grupos que disputam a direção do partido, é a prova viva da falência do reformismo e da social-democracia enquanto estratégia política de mudança gradual das coisas por dentro do sistema. O que muda, assim como no Brasil, é só o nome dos políticos, não o sistema.
O povo espanhol tirou o PSOE e colocou no poder o PP, bem mais de direita. Entretanto, não fez isso porque sua consciência está indo rumo ao conservadorismo. Foi um voto de protesto, contra a situação, os “socialistas”, que são vistos como os responsáveis pela crise e por uma das maiores taxas de desemprego que o país já conheceu.
Ao mesmo tempo, o novo governo está enrolado até o pescoço pois não convence nem a si mesmo, muito menos aos grandões da União Européia, que será capaz de reduzir seu déficit e cumprir seus compromissos financeiros, impedindo a falência e bancarrota do país.
Por fim, nesta primeira breve estadia aqui em Madri, lembramos de uma pergunta feita por uma cidadã membro de um dos grupos do facebook criados quando da poderosa onda de mobilização que começou em 15 de maio passado, conhecida como o movimento dos Indignados: a pergunta foi justamente: “onde estão os indignados? Onde está o 15-M?”...
Por enquanto, também não encontramos nenhum vestígio deste movimento, ainda que a indignação e as mobilizações continuem presentes na realidade espanhola, europeia e mundial.
Cabe destacar um pequeno grupo de manifestantes que se encontravam na porta do sol. Com um cartaz dizendo “sim à guerra! Não a Ron Paul!” nos chamou a atenção pelo slogan de extrema direita. Mas, considerando a conjuntura mundial, nos aproximamos para saber do que se tratava e, lendo seus materiais, percebemos que não passava de uma ironia quanto ao processo eleitoral norteamericano, comparando Obama a Bush e diferenciando esse candidato por ser o ‘verdadeiramente de esquerda’.
Assim, encerramos este primeiro informe com algo que parece ser mais urgente: Nossa mais sincera e revolucionária solidariedade aos moradores do Pinheirinho, de São José dos Campos, que estão sendo vítimas de uma covarde repressão do governo Alkmin, com a conivência do governo federal...
Madri, Espanha, dia 22 de janeiro de 2011.
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