Publicado em 27/01/2012

Praça Tarhir...1 ano do início da Revolução no Egito.

        Centenas de milhares, talvez um milhão de pessoas, ocuparam a Praça Tarhir no Cairo neste 25 de janeiro de 2012. Há exatamente um ano começava uma das maiores ondas revolucionárias de massas que a história já presenciou, que determinou a queda do ditador Hosni Mubarak, mas não de seu regime.

O conflito entre a revolução e a reação não se estabeleceu hoje a partir do enfrentamento físico, o que não significa que não se fez presente. A polícia e o exército não apareceram nem como figuras decorativas. Um jovem egípcio nos afirmou logo de manhã que não apostaria que haveria repressão hoje, pois as forças armadas se dariam muito mal, tamanha a quantidade de manifestantes e a indignação dos mesmos. Entretanto, hoje ficou bastante claro, apesar da falta de compreensão do árabe e da falta de clareza das expressões e opiniões políticas presentes na Praça, que existiam dois tipos de manifestações no mesmo local. Havia os que apenas festejavam e outros que protestavam. Todos lembravam as dezenas de milhares de presos políticos do último ano, bem como os diversos mortos nos confrontos.

Na opinião dos EUA, do New York Times e da Rede Globo, os egípcios comemoram hoje o triunfo da democracia e de seu parlamento constituído. Alguns setores da política da “esquerda” presente na Tarhir fazem o mesmo, especialmente a Irmandade Muçulmana e outros grupos que não pretendem mais do que se acomodar com as cadeiras conquistadas no parlamento novo, sendo coniventes com a manutenção do regime ditatorial no Egito. Por outro lado, outros grupos, expressos no dia de hoje em palcos e carros de som paralelos ao central, mas com muita gente, entendem que mais do que comemoração é preciso seguir a luta. São os responsáveis por pressionar a Junta Militar, que ontem anunciou o fim do regime de exceção no país. Pressionam também as correntes que não querem seguir lutando a faze-lo, mesmo contra sua vontade.

Assim, a contradição e o conflito entre o novo e o velho, a mudança e o conservadorismo, se fez presente hoje na Tarhir. E não poderia ser diferente. Esta contradição é o motor da história, presente em todas as revoluções e grandes transformações que marcaram época. Cabe a nós, que queremos a mudança no mundo inteiro, torcer e sobretudo apoiar, trabalhar e militar que isso ocorra.

Que a massa mantenha-se em luta até alcançar seus objetivos. Que para isso, passe por cima de qualquer corrente oportunista que pretende se acomodar em seus novos cargos, no máximo defendendo um novo regime que preserve a essência do sistema de exploração capitalista.

O destino do Egito, que pode influenciar profundamente as lutas não só no resto do mundo árabe como nos demais continentes, segue em aberto. A revolução segue seu curso.

 

 

Cairo, Egito, 25 de janeiro de 2012.

 

 

 

 

 

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