Publicado em 18/11/2010

Apoio a Paulo Paim para o Senado; voto contra Serra para fortalecer a esquerda: aonde vai o PSoL?

O PSol nestas eleições dá mais uma demonstração de qual projeto político segue.

Ainda que as eleições do primeiro turno tenham deixado claro o espaço que há para as críticas ao governo, principalmente pela esquerda, através de denúncias do seu papel enquanto defensor dos interesses dos ricos, o PSol pouco criticou o governo, chegando ao cúmulo de defender algumas candidaturas do PT.

 A candidatura de Plínio foi a 4ª colocada nas eleições para presidente, com 882.799 votos, menos de 1% dos votos. O PSol não chegou nem perto dos 6% alcançados em 2006 pela Frente de Esquerda, que contava com a participação de PSTU e PCB e tinha em Heloisa Helena sua principal candidatura.

A tal “frente de esquerda” nada mais foi que uma Frente Popular, onde Heloísa Helena por várias vezes defendeu propostas contrárias às necessidades dos trabalhadores: declarou-se contra a legalização do aborto, reivindicação histórica das mulheres trabalhadoras e caso de saúde pública atualmente; no caso da nacionalização da filial boliviana da Petrobrás, reivindicada pelos operários da região na época, afirmou que Lula estava sendo “frouxo” ao não reprimir as mobilizações e defendeu que se retomasse o controle da situação para melhor defender “os interesses do Brasil”. Essas, e diversas outras manifestações, deram a prova do comprometimento da candidata e principal figura pública da coligação com o capitalismo e a democracia burguesa.

O PSol, nesta última eleição, viu seu projeto político cair por terra. Ele nasceu com a intenção de ocupar o espaço deixado em aberto pelo PT (partido produto de um processo político progressivo, após a ditadura militar, num período de reorganização do movimento sindical e político). O PT e a CUT cumpriram esse papel, fortalecendo um projeto classista condizente com as necessidades da classe trabalhadora num momento específico.

        Mas as necessidades da classe iam além do projeto do PT, que tinha os seus limites estabelecidos pela própria democracia burguesa e sua legalidade. Buscando aparatos e vagas no parlamento, foi atrelando-se cada vez mais a empresários e, para isso, rifou a classe trabalhadora e o que mais fosse preciso.

A chegada do PT à presidência nas eleições de 2002 representou a esperança da massa trabalhadora na mudança significativa de suas vidas. Porém, o que se viu foi o ex-operário aplicando os ataques tão esperados pelos ricos, os mesmos tentados por FHC, mas barrados pelas lutas e entidades da classe.   

        E foi um desses projetos arquitetados pela burguesia e aplicado por Lula que resultou na expulsão dos “radicais do PT”. Heloísa Helena, Babá e Luciana Genro foram expulsos por votarem contra a reforma da previdência apresentada pelo PT.      Assim surgiu o PSol: da “direitização” do PT, para “manter a coerência” desses parlamentares.

Um projeto oportunista e eleitoreiro

Nas eleições de 2010 o PSol teve como candidato à presidência Plínio de Arruda Sampaio.  A escolha ligava-se a dois fatores: os questionamentos quanto à atuação do partido nas eleições de 2006 e a necessidade de um aparato eleitoral, colocando Heloísa Helena na disputa ao senado por seu estado, Alagoas.  

Mas de nada adiantaram as polêmicas travadas: o problema do PSol é sua própria essência, seu projeto político, seu programa. Para o PSol, o índice de aprovação de 80% de Lula significa que a massa trabalhadora está ao seu lado e, portanto, se Plínio atacasse diretamente o governo, fecharia o diálogo com todo esse setor.

Este é um pensamento tipicamente oportunista, pois prioriza dizer aquilo que o outro –supostamente- quer ouvir, e não o que é necessário!

Nome diferente para uma política igual

O programa de Plínio apresentado durante os meses de campanha baseava-se em afirmar o comprometimento com “um Brasil mais justo e igualitário” construído a partir da distribuição de renda, dando fim à “bolsa banqueiro”.

        Enquanto a massa trabalhadora avança sua consciência e percebe que as eleições não mudam suas vidas, o PSol tenta iludir os trabalhadores dizendo que ainda é possível moralizar o jogo imundo das eleições burguesas. Nem o fim do pagamento da dívida pública é citado, limitando-se a reivindicar uma “auditoria da dívida pública” e “pagar só aquilo que realmente é dívida”.

        Alianças políticas: a concretização de um programa

No Rio Grande do Sul, o partido decidiu abrir mão de uma de suas candidaturas ao senado para apoiar o senador Paulo Paim do PT! A explicação dada foi a necessidade de fortalecer uma candidatura que “mantém afinidades ideológicas e de lutas, como a defesa dos aposentados e pelo fim do fator previdenciário”. “O quadro atual traz grandes riscos de que dois candidatos da direita assumam esse mandato. Não há dúvida de que, nessas circunstâncias, precisamos apoiar uma candidatura comprometida com os trabalhadores” – afirmou Pedro Ruas, candidato ao governo do Estado.

Mas a vitória esmagadora da “direita” não se confirmou: Paim foi eleito já para a primeira vaga, restando para a segunda Ana Amélia Lemos, do PP.

A atitude do PSoL foi uma traição à classe trabalhadora, já que retirou uma candidatura operária para apoiar uma da burguesia, que é o que representa Paim. A última “boa ação” de Paim foi o estatuto da igualdade racial, que atacou uma das maiores conquistas do movimento negro: as cotas. Ou seja, os candidatos da direita tradicional, Ana Amélia Lemos e Rigotto (PMDB), no fim das contas, apóiam as mesmas políticas de Paim. A sigla pode mudar, mas na hora de garantir mais lucro para os ricos, todos eles estão juntos.

Enquanto o PSoL retirava sua candidatura, em Alagoas, Paim fazia campanha para Renan Calheiros (aquele mesmo que o próprio PSoL exigiu a saída quando presidia o Senado) dizendo “o senador Renan Calheiros, ele trabalha em todas as áreas de interesse dos brasileiros e do povo de Alagoas”.

O partido que nasceu dizendo que defenderia os trabalhadores está cada vez mais próximo da defesa da burguesia

O PSol avança a passos largos para o mesmo rumo do PT. Na última eleição à prefeitura de Porto Alegre, onde Luciana Genro foi a candidata, o partido recebeu uma doação de 50 mil reais da multinacional Gerdau.

Enquanto partido da classe trabalhadora, o PSol está deixando para trás um dos princípios do classismo: a independência financeira, fundamental para ter INDEPENDÊNCIA POLÍTICA. Não há independência quando se aceita financiamento de outra classe!

 No segundo turno das eleições presidenciais de 2010, a direção deste partido optou por defender voto contra Serra, o que, na prática, significa voto em Dilma ou nulo. Aqui, mais uma vez semeia ilusões no PT, pois trata esse governo como “nosso” e Serra e Dilma como candidatos de programas distintos! Como se Dilma fosse o “mal menor”!

        O PSol, na conjuntura atual, cumpre um papel de retrocesso entre os trabalhadores. Entendemos e queremos dialogar com sua base, inclusive com setores de sua direção, que já começam a perceber que o projeto do PSol não está indo no sentido das reivindicações de nossa classe. Mesmo que afirme defender os trabalhadores, no fim das contas mostra-se um partido parlamentarista que depende de cargos para garantir sua existência. Assim, aceita dinheiro da Gerdau, apóia candidaturas do PT... e por aí vai: o que for necessário para alcançar seus objetivos. Agora o Psol vê comprometido o seu projeto, já que seu número de parlamentares eleitos passou de 7 para 3.

Fazemos um convite a todos os militantes honestos que acreditam no PSol, na luta dos trabalhadores e na revolução socialista como única maneira de transformar nossa sociedade a virem conhecer o Movimento Revolucionário. O nosso partido acredita que os interesses da classe trabalhadora são opostos aos da burguesia e que isso significa não aceitar seu dinheiro e nem apoiar seus candidatos.

 

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