Fórum Social Mundial: mais um fracasso da esquerda reformista
Desde o primeiro Fórum Social Mundial até hoje, a cada ano que passa nota-se cada vez mais um esvaziamento deste evento, com menos participação de ativistas, e aumentando o número de partidos e centrais sindicais pelegas, que já são hegemônicas.
No Fórum de 2010, não foi nada diferente. A marcha de abertura mais parecia um desfile de escola de samba, com blocos organizados em torno das centrais sindicais como a CUT, Força Sindical e CTB, com uma grande despolitização, e com muitas pessoas que aparentemente estavam ali não pelo o Fórum em si, mas como cabos eleitorais pagos pelos partidos, se preparando para a eleição.
As marcas deste Fórum foram a despolitização e o esvaziamento. A nova tática do reformismo, com a ajuda da direita, é descentralizar o Fórum, o que nada mais é que tentar esconder o fracasso que este evento se tornou, e fragmentar a possibilidade de que ele seja questionado. Dessa forma, organizam-se atividades ao mesmo tempo em estados diferentes, para que se tenha uma desculpa para o número pífio de participantes.
Este ano, no Brasil, o Fórum aconteceu centralmente na Bahia e no Rio Grande do Sul, e as atividades principais foram realizadas essencialmente em cidades onde a prefeitura está nas mãos do PT.
O fracasso do Fórum Social Mundial é o fracasso da Frente Popular
Este fracasso de um evento que surgiu como a tentativa de desvirtuar a radicalização dos trabalhadores no mundo todo, principalmente na América Latina, apresentando como eixo central o slogan “um outro mundo é possível”, não deve ser visto com tristeza pelos trabalhadores. Sua derrota é a expressão do fracasso de uma esquerda reformista, que há anos surgia como a grande alternativa ao neoliberalismo, às privatizações, etc.; mas que hoje se confunde com a direita na aplicação destas políticas.
Depois de anos de experiências com estes governos de esquerda, as chamadas Frentes Populares, se demonstra que não foi somente o Fórum que fracassou, mas sim o que está por trás deste evento: a aposta de que um outro mundo por dentro do capitalismo, sem romper com a burguesia e com o imperialismo, é possível.
Está provado, não é!
Lula, a principal figura do primeiro FSM, ao mesmo tempo que discursava para os pobres em Porto alegre, este ano, ganhava uma condecoração no Fórum dos patrões em Davos. Tudo isso só demonstra o quanto as políticas do governo e o Fórum Social são totalmente demagógicos, e principalmente servem para iludir a classe trabalhadora.
Lula, antes de chegar ao poder, lançou sua "Carta ao Povo Brasileiro", onde se comprometia tanto com os trabalhadores quanto com os patrões, abandonando toda e qualquer possibilidade de luta contra a burguesia. O Fórum Social Mundial é só a expressão disto, de uma tentativa de conciliar interesses que, na prática, são irreconciliáveis.
Outro mundo só é possível com a revolução socialista
Os protestos e manifestações se ampliam no mundo todo desde a eclosão da crise econômica mundial. Na América Latina, de tempos em tempos os trabalhadores dão heróicas lições de qual caminho a seguir, derrotando golpes militares, governos e ataques em geral. A crise deixa bem claro a impossibilidade de conciliar os interesses dos patrões e dos trabalhadores, e contra este tipo de postura e política, é necessário reafirmar que o que existe no capitalismo é uma luta de morte de uma classe exploradora, a burguesia, contra a classe explorada, os trabalhadores.
Qualquer tentativa de camuflar essa divisão na sociedade só fortalece os que atacam os trabalhadores, e é esse papel nocivo que o FSM cumpre, e que está na base de seu fracasso atual. Sua força correspondia a um momento em que predominava a ilusão com as Frentes Populares e não a experiência com elas.
O fracasso do Fórum Social Mundial demonstra que as experiências históricas já provaram que a direita não serve, mas tampouco serve a esquerda eleitoreira. Mais do que nunca, é a hora de reafirmar a necessidade de uma revolução socialista e rechaçar aqueles que traíram e seguem traindo a luta e a organização classista de todos os explorados.
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