Zenit racista é campeão da Copa da UEFA
com a conivência da FIFA!
A final da Copa da UEFA, ocorrida na última semana -14 de maio- foi marcada pela participação de dois times que não eram esperados: o escocês, Rangers, e o russo Zenit. O Zenit foi o grande campeão, vencendo o jogo por 2x0.
Até então não há nada de extraordinário, visto o futebol ser um esporte tão cheio de surpresas, não fosse o fato de o Zenit ter uma política de não contratar jogadores negros. Isso foi declarado pelo seu técnico, o holandês Dick Advocaat, afirmando que os torcedores não queriam jogadores negros no time e que, os próprios dirigentes, ao receberem a solicitação de contratação de um ou outro jogador, questionavam sobre a cor de sua pele.
O Zenit, inclusive, é o único, entre os grandes times europeus, a não ter nenhum jogador brasileiro. Tem somente um sul-americano, o argentino Dominguez, que não está entre os titulares.
A UEFA, desde a primeira quinzena de março, já vinha analisando a possibilidade de eliminar o clube da competição, devido a manifestações racistas de sua torcida contra jogadores do Olympique de Marselha. Há inclusive fotos de torcedores usando máscaras alusivas à Ku Klux Klan (organização racista norte-americana, que atuou, principalmente, na segunda metade do século XX).
O interessante, nesse caso, é que a FIFA não tenha feito nada a respeito. Curioso, mas esperado, pois essa entidade, assim como tantas outras dentro do capitalismo, sejam elas esportivas ou não, tem “2 pesos e 2 medidas”. O exemplo mais recente que temos disso foi em relação a um ocorrido na Copa da África, no início desse ano.
Em Janeiro, no jogo Egito x Sudão, o egípcio Mohamed Abou Treika comemorou o seu gol exibindo uma camiseta de apoio aos palestinos, com a inscrição “simpatia por Gaza”, justamente num período em que a Faixa de Gaza estava sitiada pelo exército de Israel. A Confederação Africana de Futebol, seguindo uma medida da FIFA, puniu o jogador por fazer manifestações políticas.
Por que a FIFA também não intercedeu no caso do Zenit? Por que, ainda que o racismo no futebol se expresse de formas cada vez mais evidentes, as penas seguem sendo tão brandas? E isso quando são aplicadas pois, na maioria dos casos, a entidade cumpre um papel de, simplesmente, fazer pedidos e lamentações demagógicas!
O clube russo, juntamente com sua torcida, não só promoveu diversas manifestações de racismo ao longo do campeonato como conseguiu chegar à final e encerrar a competição, sem sofrer qualquer represália efetiva. Assim, entidades que prontamente punem quem se manifesta a favor dos oprimidos, prorrogam o máximo possível decisões de punição a nazi-fascistas como esses que vêm aparecendo no futebol.
Isso ocorre porque o racismo, assim como qualquer forma de opressão e exploração, precisa ser camuflado por essas entidades, como a FIFA, que são mantidas dentro dos marcos do capitalismo e se aproveitam desses seus traços para enriquecerem ainda mais.
Denunciamos essas entidades hipócritas e preconceituosas, que se aproveitam de seu poder político e financeiro para alienarem as pessoas da exploração e opressão sob a qual vivem, tirando do esporte a sua função educativa e agregadora e deixando claro que, sob o capitalismo, não há nada que seja neutro ou que sirva a lados opostos ao mesmo tempo.