Publicado em 15/02/2010

As eleições são uma farsa: PV desiste do PSOL e discute com o PSDB

        Em um momento onde se discutem as alianças eleitorais para 2010, todos os partidos de eleição correm em buscas de aliados, e o que dá o tom desse processo é a busca de qualquer tipo de aliança que garanta tempo na TV e dinheiro.

Aquele que até então era inimigo, em alguns estados se torna o melhor amigo. O que antes se engalfinhava dentro do congresso nacional, agora nomeia o vice, em troca de um palanque no estado vizinho. Para os partidos que têm a eleição como um fim em si mesmo, o que menos importa é uma discussão profunda sobre os programas, muito menos a vida do trabalhador; e, no fim, acabam estando todos juntos.

Eles são todos iguais e defendem o mesmo programa, de sustentação do capitalismo e defesa incondicional da democracia burguesa como a grande alternativa, anulando qualquer hipótese de uma saída revolucionária, que saia dos marcos do capitalismo e dessa democracia de fachada.

        Entre os partidos tradicionais, é normal ver alianças até pouco tempo atrás consideradas esdrúxulas, como o PT saindo com o PMDB de Sarney, ou até mesmo o PSDB, com quem já se aliou em Minas Gerais. Ou o caso do PC do B, que sai com o PDT, o PMDB e o DEM com a mesma naturalidade. Mas essas combinações, por mais bizarras que sejam, hoje nem sequer mais nos assustam, pois até isso já virou normal.

O que fica claro é o vale tudo para garantir cargos no Parlamento, no Congresso nacional, nos governos, etc. A eleição acaba sendo um circo, em que todos defendem a mesma coisa. Eles fazem de conta que são inimigos mortais na frente das câmeras, mas comem churrasco e tomam chope juntos, uma hora depois.

O PT, que por anos tentou se postar como uma alternativa a essa bagunça e oportunismo, hoje é parte desse mesmo jogo, provando que através das eleições nada muda, a não ser os princípios e convicções de quem opta por traçar esse caminho.

PSOL prioriza o debate com PV

        Nesse processo todo, está boiando o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL, de Heloísa Helena). Este partido tenta ocupar um espaço à esquerda do PT, mas não consegue sair dos 25 ou 3%, o que é um desastre para quem só pensa nisso.

Disseminando que é possível ter ética na política e que seu compromisso é com o povo, o PSOL, na realidade, tem a mesma vocação que o PT, de onde este, aliás, os chamados “radicais” só saíram em 2003, após terem aceitado toda a falcatrua e as alianças com a direita ( e de terem se elegido com a ajuda desta política, inclusive).

O PSOL já nasce como uma farsa, organizado ao redor de um grupo de parlamentares com o poder sobre todo o partido, e com a mesma estratégia do PT, de que é possível reformar o capitalismo, desde que haja boas intenções e ética.

A direção nacional do PSOL e seus figurões não merecem respeito dos trabalhadores, pois o que fazem é afirmar que é preciso um novo PT, enquanto a História nos mostra que é só é possível mudar profundamente as condições da maioria da população por meio de uma revolução. Com burocratas mandando no partido e financiado pela burguesia (Gerdau e Zaffari pagaram a campanha no RS), o PSOL é só mais um a fazer palhaçadas no picadeiro.

        A prova disso se deu quando Marina Silva ingressou no burguês Partido Verde, e todas as atenções da direção do PSOL se voltaram a garantir uma aliança com a ex-ministra de Lula. O PV é um partido que sequer se identifica com a esquerda, e, ao mesmo tempo em que diz defender o meio ambiente, vota e elabora planos que beneficiam latifundiários e desmatadores. No Rio de Janeiro, por exemplo, o PV, com Fernando Gabeira, deve estar com o PSDB e DEM.

É com este tipo de partido que o PSTU busca uma aliança a qualquer custo

        Apesar de tudo, o PSOL, que rasteja para se coligar com o PV, ainda tem quem o siga para o que der e vier. Depois da esperança fracassada de Lula e do PT, o PSOL se presta a ser a luz que surgiu no fim do túnel, com o PSTU repetindo esta mesma cantilena.

Só que esta luz já se apagou depois da experiência com o PT. Por isso, mais lamentável que o PSOL fazer tal coisa, pois já nasceu predestinado a isso, é a postura do PSTU em relação a este partido. Nos últimos anos, o PSTU foi tomado pelo desespero de ver o PSOL ganhar a maior parte dos dissidentes do PT, e por adquirir uma projeção, ainda que pequena, 20 vezes maior que a do PSTU. E a decorrência disso foi que este partido abandonou suas posições e firmeza ideológica para se converter num apêndice do PSOL.

        Essa lógica, de querer crescer custe o que custar e ganhar apoio de massas rebaixando e modificando seu programa e seu perfil político é o mesmo caminho trilhado por diversas organizações que abandonaram a revolução socialista como estratégia.

Desde as últimas eleições, onde mesmo que em alguns estados, como no RS, o PSOL tivesse saído com partidos burgueses, o PSTU, além de ter priorizado uma frente eleitoral sem princípios e um programa minimamente anticapitalista, manteve a experiência como um exemplo para 2010.

Há dois anos está “exigindo” que isso se repita em 2010, mesmo com o PSOL deixando bem claro que era o Partido Verde que buscava como aliado. Essa é a obsessão do PSTU: a repetição da frente eleitoral com o PSOL e Heloisa Helena, mesmo que a candidata saia a público para defender que aborto é crime, entre outras barbaridades que estão a anos luz do que sempre defendeu a esquerda, para não falar de sua distância quilométrica com os revolucionários.

        Para o PSOL, a única coisa aparentemente impossível é apoiar o PSDB, que provavelmente será o grande aliado do PV. Foi isto que levou à ruptura da aliança.

Dessa forma, o PSTU ensaia o abandono dos meses que passou ameaçando lançar candidaturas próprias combativas.

Nas eleições defender as lutas, os trabalhadores e a revolução

         O crime do PSTU não é o de participar das eleições burguesas. Nós achamos que isso pode ser útil, desde que sirva para fortalecer o pólo das lutas e não o da democracia burguesa. Por isso mesmo, chamamos o PSTU a encabeçar candidaturas que expressassem isso, e que dissessem com todas as letras em seu horário eleitoral que as eleições são um jogo de cartas marcadas, e que PT, PSDB, PMDB e PV são todos farinha do mesmo saco.

Cada vez mais, porém, ficamos longe disso.

        Achamos que diante da experiência já feita com o PT, que espirra no regime democrático burguês, se abre um espaço para aumentar este tipo de debate e agitação. Achamos mais: que é a hora de se propagandear e agitar ainda mais o socialismo e revolução como necessidades dos trabalhadores, em resposta à crise econômica e social. Por isso, defendemos que se construam pela base candidaturas que sejam expressão das lutas contra o governo Lula, e que expressem o rechaço à democracia burguesa.

Este é o tipo de frente eleitoral necessária, e não aquela que se paute em como eleger mais candidatos. Mais uma vez, com a palavra o PSTU.

 

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