Publicada em 15/05/2007


O aquecimento global e a destruição do meio ambiente:
causas e conseqüências

            O debate que mais está na pauta dos meios de comunicação hoje em dia é o aquecimento global e os grandes desastres ambientais. As mudanças climáticas nunca foram tão rápidas e devastadoras como as que ocorrem atualmente. Continentes que tinham tradicionalmente temperaturas baixas – como é o caso do continente europeu – têm sido castigados por ondas de calor de até 40 graus centígrados. Ciclones atingem o Brasil (sobretudo a costa sul e sudeste), o número de desertos aumenta a cada dia, ventos fortes causam mortes e destruições cotidianamente e os olhares do mundo todo se voltam para as calotas polares (que segundo especialistas podem começar a derreter em função da temperatura elevada e assim iniciar o avanço dos oceanos sobre as cidades litorâneas). Poderíamos citar muitos outros problemas ambientais, como a poluição de rios e mares, desmatamentos de florestas sem um planejamento para replantação, etc. Todavia há um debate que não pode ser adiado e muito menos dissimulado. Diversas propagandas afirmam que toda “pessoa comum” pode fazer um pouquinho para melhorar a situação climática e ambiental do mundo. Isso é mesmo verdade? É nas costas das “pessoas comuns” e dos trabalhadores que devemos jogar a responsabilidade pela destruição da natureza? Nós achamos que não.

A farsa do Protocolo de Kyoto

            Em 1988, em Toronto no Canadá, ocorreu a Conferência sobre as mudanças na atmosfera (Conference on the changing atmosphere) que, dentre outras nações, contou com a presença dos países industrializados. Nesta Conferência foi discutida a necessidade da redução de gases que provocavam o chamado efeito estufa (principal responsável pelo aquecimento da Terra). Quase dez anos depois, no ano de 1997, em Kyoto, no Japão, foi apontada a necessidade de se criar um Protocolo que regulamentasse as emissões de gases – que ficou mundialmente conhecido como o Protocolo de Kyoto. Dentre as exigências deste Protocolo estava o controle sobre a emissão de gases das indústrias dos países imperialistas.
            Passados exatamente dez anos das discussões feitas no Japão, a maior potência imperialista – os EUA – e maior responsável por emissão de gases poluentes, simplesmente ignorou o Protocolo de Kyoto e segue a todo vapor com suas indústrias. Mesmo sendo uma proposta tímida feita pelo Protocolo, o imperialismo não quer saber de nenhuma “lei externa” que intervenha sobre sua economia.

Imperialismo capitalista:
o maior responsável pela destruição ambiental e pelo aquecimento global

            Apesar da mídia burguesa colocar um ponto de interrogação neste assunto, ou seja, se as causas do aquecimento global são de responsabilidade da ação humana ou não, quando partimos de uma base material e econômica para analisar ela fica muito mais evidente. Se, por um momento, refletimos profundamente sobre os motivos do aquecimento global, fica mais claro que o agente provocador destas catástrofes não são os trabalhadores e nem as “pessoas comuns”. É a anarquia da produção capitalista e a busca desenfreada por lucros que poluem os rios e os mares, que matam espécies de animais em extinção, que emanam gases poluentes todos os dias e assim por diante. O imperialismo não pode aceitar o Protocolo de Kyoto porque para reduzir os gases industriais, invariavelmente teria que diminuir o ritmo de produção e de exploração. Isso também apontaria para a redução da taxa de lucros e, no momento atual que o imperialismo vive – ou seja, crise econômica, política e militar – significaria um golpe mortal para a economia norte-americana.
            Assim ficam mais evidentes os verdadeiros responsáveis pelas catástrofes ambientais: as multinacionais, as transnacionais, os monopólios econômicos e, por fim, a exploração desenfreada do capitalismo. É simplesmente lamentável que uma propaganda veiculada ao Greenpeace queira responsabilizar as pessoas “que queriam mudar o mundo” e não apontem para os verdadeiros e maiores responsáveis.

Na questão ambiental também vale a máxima: socialismo ou barbárie

            O capitalismo já não pode oferecer mais nada para os trabalhadores além de miséria, pobreza e, agora, a destruição da natureza. O modo de produção capitalista já atingiu o máximo desenvolvimento que poderia atingir e, para se manter, tem que destruir cada vez mais o meio ambiente para manter a taxa de lucro aumentando e explorando sem piedade os trabalhadores.
            A única saída para solucionar o aquecimento global e os desastres ambientais é a luta mortal contra a burguesia e as suas multinacionais. Somente o poder dos trabalhadores e o socialismo podem racionalizar a produção e deixa-la em harmonia com a natureza, mostrando uma alternativa ao capitalismo (junto com todos os seus males: exploração, taxa de lucros, economia de mercado, etc). A produção seria regida pelas necessidades do homem e não pelas leis cegas do mercado capitalista que, em busca de lucros, produzem de forma anárquica e não beneficiam ninguém, além, é claro, da burguesia e do imperialismo.
            Ou os trabalhadores tomam o poder, destroem o capitalismo e apontam para a construção do socialismo, ou o capitalismo vai destruir os trabalhadores, a natureza e toda a humanidade.

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