Publicada em 10/08/2007 - CONTINUAÇÂO DA TESE PARA ENCONTRO ESTADUAL DA CONLUTAS


A Conlutas precisa ser reafirmada.

      A Conlutas surgiu como expressão da necessidade da classe trabalhadora. Seu significado histórico é superar a CUT em sua composição social e em seu programa. Trata-se de construir uma Central para lutar contra os ataques do Governo Lula, mas também uma central com a perspectiva do socialismo, da independência de classe e com uma estratégia clara: Lutar para derrotar Lula e o sistema capitalista de conjunto. Por ter afirmado esses pontos programáticos, o CONAT I foi uma vitória da classe trabalhadora, e corresponde às tarefas colocadas diante da experiência com o governo de Frente Popular no plano político, e com a CUT no sindical.
      Porém, esse programa não é assumido, mas sim rebaixado pela direção majoritária da Conlutas, o PSTU. As palavras de ordem políticas contra o governo e o regime deram lugar às que se resumem nas reivindicações econômicas e imediatas. Não que as palavras de ordem imediatas, como a luta contra a Reforma de Previdência, não sejam importantes. Estas são fundamentais, mas precisam estar ligadas às tarefas históricas.
      A ampla campanha impulsionando as bases das entidades a romperem e lutarem contra a CUT deu lugar a permanentes atos e manifestos conjuntos com a central governista. O resultado de tudo isso é que hoje a Conlutas, conforme a resolução da última reunião da coordenação nacional, pretende “Transformar a nota conjunta que convocou a jornada de 23 de maio em uma Plataforma de Exigências a ser entregue ao Governo federal e ao Congresso Nacional”. Sabe-se que o centro dessa nota conjunta (com a CUT) é “contra a política econômica”.

A Frente Popular de Esquerdas: uma unidade eleitoral oportunista e sem princípios.
     
      Toda essa mudança na política se estabelece no sentido de selar a Frente eleitoral entre PSOL e PSTU que foi constituída nas eleições presidenciais de 2006, com Heloísa Helena de candidata, e que, se depender do PSTU se repetirá em 2008. A repetição de mais uma Frente nos moldes da do ano passado, com um programa Nacional Desenvolvimentista, institucional, que defende o regime democrático-burguês, significaria uma derrota para os trabalhadores. É preciso apresentar uma candidatura classista e socialista nas eleições, que sirva para fortalecer a luta dos trabalhadores e denunciar a farsa da democracia dos ricos. Essa frente eleitoral não pode ser feita com o PSOL, uma vez que não existe nenhum acordo programático pelo classismo com esse partido.
      A Conlutas deve repudiar desde já essa política frente-populista. Não basta ser oposição ao governo Lula. É preciso lutar contra o conjunto das instituições burguesas, em especial o governo e o congresso nacional. Qualquer tentativa de regenerar o congresso corrupto e tornar-lhe ético deve ser combatida pelas organizações dos trabalhadores. Devemos aproveitar a experiência com o Governo Lula e dizer, mais do que nunca, a verdade às massas: essa democracia é da burguesia e não nossa. Acreditemos apenas no fortalecimento dos nossos organismos e da nossa ação direta.
O PSTU – e é preciso que isso fique claro, pois se trata da maioria dentro da Conlutas – faz justamente o contrário disso e aproxima-se cada vez mais, politicamente, do PSOL. Essa aproximação explica boa parte dos atuais rumos que a Conlutas vem tomando.

Chamado à Fusão X Exigência para que rompam com a CUT.

       A proposta de fusão da Conlutas com a Intersindical não vem no sentido de fortalecer a luta da classe trabalhadora, construindo uma central superior com base nos princípios votados no Conat I. A proposta está a serviço da frente eleitoral e do rebaixamento desses princípios. Assim, a Conlutas abriria mão do seu significado histórico para adotar o mesmo conteúdo político da Intersindical: ficar a reboque da esquerda da CUT e não lutar de forma conseqüente contra o governo Lula. Eis a política do PSOL, partido do qual o PSTU se comporta como apêndice. Por isso somos contra a fusão.
      A resolução da coordenação nacional, que propõe o chamado em nome do fortalecimento da luta, não deixa dúvidas sobre o verdadeiro propósito:
 

“Um desses passos é justamente unir na construção dessa nova direção todos os setores da esquerda socialista que atuam nos sindicatos, nos movimentos populares, na juventude, e que estão na oposição ao governo Lula. Por esta razão insistimos várias vezes no chamado a que uníssemos nossas forças na construção da Conlutas, o que, infelizmente, não obteve resposta positiva por parte dos companheiros. 
      Por estas razões é que a resolução aprovada na nossa última reunião de coordenação Nacional abre a possibilidade de, havendo acordo por parte da Intersindical, avançarmos na construção de uma organização unitária, fruto da fusão da Conlutas, Intersindical e outros setores que queiram somar-se a esta construção. É esta a proposta concreta que dirigimos a vocês: iniciarmos uma discussão concreta para construirmos este processo de fusão. Quais medidas concretas, e em que ritmo, poderíamos adotar para construirmos essa unidade. Caso haja acordo da parte de vocês, este tema estará pautado para deliberação em nosso Congresso Nacional que acontecerá em maio de 2008.”

      Ou seja, não se exige mais da Intersindical, como corretamente a direção da Conlutas fazia antes, que rompa de vez com a CUT e venha construir uma nova alternativa. Agora basta que se defina como oposição a Lula, secundarizando-se a necessidade de romper com a CUT e com as correntes cutistas nas eleições para sindicatos de base, para fundirem-se em uma nova central. A pergunta é: o que é essa proposta de nova central senão a política da Intersindical com o peso e a base já conquistada pela Conlutas? O que é isso senão o abandono da Conlutas, sua rendição ao oportunismo da Frente Popular de Combate?  Para a Conlutas: o ônus de uma política oportunistas. Para a Intersindical: o bônus de uma significativa base social na classe proletária e no movimento popular.
      Por fim, a todos os trabalhadores e organizações que compõem a Conlutas, que vêm se dedicando na construção dessa alternativa, que entendem a necessidade de lutar contra Lula e a CUT, nós da Construção do Movimento Revolucionário, propomos uma resistência e uma luta comum contra o rebaixamento dos princípios da Conlutas e contra qualquer tentativa de liquidar com esse projeto através de uma fusão sem princípios.

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