Dívidas e inadimplência crescem em todo o Brasil. Chamadas “classes C e D” são as mais endividadas.
A suposta recuperação econômica brasileira já está cobrando seu preço e mostrando sua artificialidade. O aumento da taxa de juros, combinado com a expansão do crédito, está provocando crescimento da inadimplência, sobretudo nas classes C e D. As prestações com atraso de mais de 90 dias aumentaram em maio e devem continuar em alta em junho, segundo a Serasa, que reúne os dados do mercado.
Os maiores problemas estão na administração das dividas no cartão de crédito - que já subiram 14% em abril e mais 26% em maio, na comparação com os mesmos meses de 2009. A consultoria Tendências prevê que a inadimplência, que hoje está em 6,8%, possa chegar a 7,2% no fim do ano e 7,6% em 2011. Relatório da agência Moody"s também chama a atenção para o risco de aumento das dívidas nas classes C e D durante os próximos 12 a 18 meses.
Este resultado demonstra que, muito mais que o pequeno aumento da renda de algumas famílias, foi o crédito fácil, em prestações “a perder de vista”, que fizeram o consumo e a economia atravessarem a crise econômica sem um abalo ainda maior.
Agora, a fatura, literalmente, está chegando, e a população não consegue mais pagar suas contas.
Segunda analistas burgueses, o endividamento corresponde a fatores individuais, de quem não tem controle financeiro. O economista Luiz Rabi, gerente de indicadores de mercado da Serasa, por exemplo, disse que: “Normalmente, os consumidores mais pobres não estão acostumados a lidar com o crédito. Eles têm pouca habilidade para gerenciar dívida”.
Realmente, ao contrário de economistas charlatães e políticos corruptos, que conseguem ganhar dinheiro artificialmente, com “consultorias” e simulacros de trabalho, a maioria dos trabalhadores não consegue fazer mágica com seus rendimentos, e talvez seja a isso que Luiz Rabi se refira quando fala em “pouca habilidade para gerenciar dívida”.
A verdade, ao contrário dessas análises pobres e comportamentais, entretanto, é que alguém que ganha R$ 800 não consegue ter um consumo correspondente ao de alguém que ganha R$ 1500, assim como um trabalhador com esta renda não tem como sustentar um gasto compatível com o de outro que ganhe R$ 3000.
Mas, incentivados pelo próprio presidente Lula, que no auge da crise estimulou que todos comprassem e gastassem, antes de se preocupar com os efeitos da quebradeira mundial, os trabalhadores vêm gastando muito mais que sua capacidade de pagamento.
Num primeiro momento, isso se converte num empréstimo consignado de 2 ou 3 anos, um cheque especial mais ou menos utilizado, numa série de carnês de lojas e em um cartão de crédito pago com dificuldade.
Num segundo momento, os trabalhadores têm dívidas de 5, 6 ou 8 anos, que descontam às vezes até 50% de seus salários; têm cheques sem fundo aos montes; cartões de crédito estourado e um limite de conta impagável.
O crescimento artificial baseado em crédito está criando novas bolhas e uma nova crise está sendo criada.
Não por acaso, as dívidas que mais crescem são as de cartão de crédito, onde os juros acima de 10% são os maiores do mercado, e cujo valor médio também vem subindo, e já está em R$392,49. Considerando que os cartões são apenas a ponta do iceberg, e que além do valor médio ter crescido se multiplicou o número absoluto de devedores, o monstro já está criado.
Além dos cartões, o valor médio dos cheques não compensados por falta de fundos pulou 42,7% desde maio de 2007 (de R$855,83 para R$1.221,03).
O recente “boom” imobiliário, com financiamentos de até 30 anos, além de crédito estudantil facilitado, são mais bolas-de-neve neste sentido, em que a bomba-relógio está prestes a arrebentar, e o fantasma dos empréstimos podres dos EUA (subprime), que artificialmente levaram a um crescimento econômico antes da enorme queda, está rondando o Brasil.
Não há milagre, e recém começamos a viver a fase da “ressaca” dessa farra que se viveu nos últimos anos. Os resultados podem ser desastrosos, e os trabalhadores, como sempre e como suas faturas hoje já cobram, deverão ser novamente chamados a pagar esta conta!
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