Mesmo aparentando saúde,
a economia capitalista está em crise!
Recentes relatórios de organismo internacionais apontam a redução do crescimento econômico mundial ainda em 2007, mas com tendências de maior queda em 2008. Esta redução do crescimento das economias capitalistas ocorrerá em todos os locais, mas será especialmente forte na América Latina. Isso se explica em função da economia latino-americana ter uma base exportadora muito grande. Resumindo, significa que a diminuição do crescimento de qualquer país reduz seu poder de compra (exportações brasileiras, por exemplo) e isso acumulado, faz com que sejam Brasil, Argentina e demais países os que mais vão sentir a “freada” da expansão de crescimento.
Este fim de um ciclo de crescimento econômico que já durava pelo menos 7 anos, tem explicações. Por um lado, este crescimento se deu a partir da transferência de produção das principais multinacionais para a China. A mão de obra baratíssima, os incentivos estatais e a repressão a qualquer possibilidade de greve ou reivindicação dos trabalhadores, fizeram da China um paraíso dos empresários. No entanto, este crescimento chinês de 10%, 12% ao ano, não podia ser suportado pelo resto do mundo.
Não há um crescimento de 10% ao ano da demanda por produtos no mundo. O resultado é que a produção chinesa não se somou à produção já existente, mas a substituiu, com desemprego e falências de empresas que não lucraram com o “boom” chinês. Isso acarreta divisão ente a burguesia, pois parte dela ( a que já lucrou muito) quer aplicar uma desaceleração do crescimento chinês, enquanto outra parte ( a que ainda quer lucrar muito mais) aposta no contrário. O resultado é decorrente da anarquia de produção típica do capitalismo: a capacidade produtiva já está saturada em muitas fábricas, não há onde pôr tantos produtos, e a superprodução já é uma realidade.
A saída é estimular loucamente o consumo, com oferta inédita de crédito, a outra “âncora” do crescimento mundial. O problema é que esse aumento de consumo, baseado no crédito fácil, e não no aumento de renda, é artificial, e leva às crises de inadimplência e perda de confiabilidade nas instituições credoras, como recentemente aconteceu nos Estados Unidos, com o chamado crédito subprime (de alto risco) envolvido na crise imobiliária americana. A tradução é simples: deram dinheiro a todo mundo, mesmo quem não tinha condições de pagar, porque os juros compensavam. Agora está se cobrando o preço.
De outro lado, assim como o aumento do consumo permite “desovar” o recorde de produção, quanto mais se consome mais isso pressiona a inflação. O resultado é que voltam a subir preços no mundo intero, e o principal exemplo é o do barril de petróleo, além dos alimentos. Junto com o petróleo, sobem os custos do transporte público e o dos produtos, pois os caminhões gastam mais para conduzir a mercadoria. O preço do barril de petróleo já ultrapassou a marca de US$ 90 e pode-se chegar brevemente aos US$ 100. A economia sempre está ligada à política, e além da crise de superprodução (que exige mais energia e consumo de petróleo), as crises políticas também afetam seu preço. O presidente do Irã, Ahmadinejad, já ameaçou que o barril chegará a US$ 200 se o Irã for invadido. Não é de se duvidar...
Quanto à oferta de crédito, outro motor do crescimento econômico, também ele chega a um patamar perigoso, em que os “bons” clientes, de baixo risco, já foram saturados. A alternativa é atingir os setores de mais risco, os mais pobres, os de países mais vulneráveis. Para dar crédito a este público, os juros são maiores, e, assim, a capacidade de pagamento impede novos gastos (o salário vai todo para as prestações e não novas compras). Então, não há mágica: o capitalismo consegue atrasar e contornar sua crise, mas ela é inevitável, cíclica e cada vez mais forte. A nova crise já está se formando e já são sentidos parte de seus efeitos.
As fusões crescem (quando o grande come o pequeno)
Um dos artifícios do capitalismo para racionalizar a produção e “sanear” a economia, garantindo a permanência apenas das empresas mais lucrativas no mercado é a fusão de empresas. As fusões ocorrem essencialmente porque a margem de crescimento do lucro é limitada. Ainda mais hoje em dia, um capitalista só consegue dar um salto em seus ganhos a partir da incorporação dos concorrentes. Este fenômeno bate recordes ano após ano.
Em 2007, as fusões estão em alta como nunca. O maior exemplo foi a recente compra do holandês ABN-Amro por um consórcio entre o escocês RBS, o inglês Fortis e o espanhol Santander. No Brasil, o banco Real, do ABN, passa a ser propriedade do Santander. Com isso, o banco espanhol passa o Itaú no ranking dos bancos no Brasil e quase empata com o líder dos privados, o Bradesco. Na aviação civil, o duopólio entre TAM e Gol foi aprofundado com a compra da Varig pela Gol. Nos supermercados, a liderança do Wal-Mart (EUA), que já comprara o português Sonae, foi desbancada pelo francês Carrefour, que comprou redes locais, como o Atacadão. Ainda no ramo dos alimentos, a Perdigão comprou a Eleva, ex-Avipal, dona da marca Elegê, por exemplo. Quer dizer, a cada ano, os setores da economia estão mais concentrados em poucas mãos, e essas mãos são cada vez mais estrangeiras.
Os conflitos e lutas sociais só aumentarão
Um dos reflexos da super-concentração produtiva é o agravamento dos conflitos sociais. Aumenta a desigualdade, aumenta a exploração, diminuem os empregos... Também se concentram os trabalhadores em grandes unidades e o inimigo, o patrão, passa a ser mais visivelmente o mesmo em todos os lugares. A desnacionalização das economias mais pobres agrava a colonização destes países e os conflitos nacionais também crescem.
Diante disso tudo, podemos afirmar que a crise do capitalismo significa ainda mais crise jogada sobre os trabalhadores. Mesmo “soluções” burguesas como os governos frente populistas da América Latina são incapazes de “manter a ordem” nestas condições. Cada vez mais está colocada a necessidade de construir um Movimento Revolucionário internacionalmente para romper com o capitalismo e lutar pela revolução socialista.
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