O Caso Isabela e a imprensa sensacionalista:
Mais uma vez a imprensa se utiliza do show sobre a catástrofe para alienar os trabalhadores e proteger Lula e a Burguesia

Há mais de 3 semanas a grande imprensa vem dando destaque ao assassinato da menina Isabela Nardoni. Nesse caso a menina foi assassinada brutalmente, sendo que primeiro foi esganada e sufocou até a morte, depois, como se não bastasse o sufocamento, o assassino ainda jogou a menina pela janela do 6º andar do prédio onde morava. Os principais suspeitos do crime são o pai e a madastra da menina.
Esse crime, que é um acontecimento chocante e dramático do ponto de vista social e político, acabou sendo transformado pela imprensa burguesa no principal acontecimento do momento, como se fosse o principal problema dos trabalhadores. Como se a solução do caso fosse resolver os problemas de violência doméstica no país, ou ainda fosse tornar a vida dos trabalhadores melhor. Chega a ser ridículo o circo criado em torno deste caso. Enquanto milhares de pessoas sofrem com a epidemia de Dengue no Rio de Janeiro, que já contabiliza dezenas de crianças mortas, um crime de violência doméstica, que é grave e deve ser repudiado e reprimido pelos trabalhadores mas que acontece quase que todo dia entre os mais pobres, seja o principal problema do país.
A Imprensa a serviço da alienação dos trabalhadores
Não é de hoje que a grande imprensa, a serviço dos ricos e empresários, explora de forma sensacionalista crimes bárbaros ou transforma situações comuns no capitalismo em escândalos gigantescos, de forma desproporcional em relação a outros fatos e acontecimentos mais relevantes da realidade.
Essa prática costuma ser utilizada no dia-a-dia, mas em períodos de crise econômica, política ou social ela ganha um peso ainda maior. O momento atual é um exemplo disso: A crise econômica mundial atinge principalmente os países mais pobres. É neles que o aumento do custo de vida ganha um tamanho absurdo. No Brasil a taxa de juros volta a subir, e considerando que hoje os empréstimos e financiamentos são um dos principais meios de compra da população, esse aumento deixa ainda mais cara a vida dos trabalhadores. No Haiti o aumento do preço dos alimentos gerou mobilizações massivas que obrigaram o primeiro ministro do país a “pedir pra sair”, renunciando ao cargo. Em quase todos os países do mundo vem ocorrendo manifestações contra os ataques aos trabalhadores decorrentes da crise econômica. E em meio ao fervor da luta de classes mundial e nacional, só o que se fala na imprensa é o caso da menina Isabela.
Claramente a imprensa se utiliza de um crime brutal, dando um destaque e um viés sensacionalista ao caso, para alienar os trabalhadores do fervor da luta de classes mundial e da própria condição de vida que tem hoje, de seus reais problemas.
Só é possível resolver o problema da violência, e ter uma imprensa a serviço dos trabalhadores, com uma revolução socialista
A violência doméstica e policial, que vitima os trabalhadores e suas famílias tem sua origem no capitalismo. Enquanto vivermos em um sistema que se utiliza e estimula os preconceitos raciais, de gênero, orientação sexual e religiosos, além de se utilizar da própria violência para explorar os trabalhadores, nada vai mudar.
A burguesia não é capaz e nem deseja acabar com esses problemas, pois eles a ajudam a obter um lucro maior, através de uma exploração maior dos trabalhadores. Os políticos eleitoreiros se utilizam dos problemas sociais para dar migalhas assistencialistas e garantir seus votos para as próximas eleições. Nem a burguesia, nem suas eleições de 2 em dois anos, nem seus governadores acabarão com os problemas dos trabalhadores. E a imprensa dos ricos, faz parte do jogo tratando de divulgar para os trabalhadores apenas o que a burguesia deseja que saibam, e da forma que querem que saibam. A imprensa capitalista está comprometida em manter o poder dos ricos e corruptos, através da alienação dos trabalhadores dos seus problemas reais e da luta classes mundial.
Só é possível existir uma imprensa livre, democrática e dos trabalhadores com a destruição do capitalismo e numa sociedade socialista. No capitalismo, podemos ter experiências parciais, com sites na internet, jornais revolucionários, como o Correio dos Trabalhadores (publicação do Movimento Revolucionário) e pequenas iniciativas dispersas. Por isso, devemos lutar pela estatização dos grandes meios de comunicação, de suas máquinas e equipamentos, pelo controle da programação e conteúdo pelos telespectadores, leitores e trabalhadores em geral.
Que as iniciativas operárias e populares sejam generalizadas, e que, cada uma destas medidas, seja arrancada pela luta e pela vitória da revolução socialista, a única maneira de ter informação de verdade, reflexiva, educativa e que corresponda às necessidades e realidade da maioria da população.