Publicada em 02/01/2008

O imperialismo europeu e dos EUA quer Kosovo independente
para aumentar a exploração

 

        Enquanto inicia um novo ano, os imperialismos europeu e dos EUA seguem com sua mesma política, que é a mesma adotada pelas grandes potências há séculos: dividir para conquistar! A mais recente investida dos governos imperialistas, representando suas empresas multinacionais e burgueses sedentos por lucro, mão de obra barata e mercados consumidores, é a pressão pela declaração de independência nacional de Kosovo, região autônoma associada à Sérvia, no que restou da ex-Iugoslávia.

        A pressão por parte da França, Inglaterra, Alemanha e EUA é para que as lideranças kosovares anunciem a independência de Kosovo unilateralmente, depois de anos de ocupação do “país” por tropas da ONU e OTAN. O único país europeu mais preocupado e cauteloso é a Espanha, que teme que o exemplo de declaração unilateral de independência de Kosovo possa abrir um precedente para que se faça o mesmo no País Basco, ocupado hoje em dia pela Espanha e França. Por razões econômicas, políticas e históricas, a Rússia (grande aliada sérvia) também se opõe à independência.

O que está em jogo em Kosovo?

        Há 2 movimentos distintos que clamam pela independência de Kosovo. Um deles provém da massa kosovar, formada em sua grande maioria por pessoas identificadas etnicamente com os albaneses. Tanto é assim que a independência de Kosovo é tratada, por muitos, como apenas um passo para a futura incorporação do território à Albânia. Hoje em dia, Kosovo faz parte, formalmente, da Sérvia, cujo povo é eslavo, de religião cristã ortodoxa e com língua diferente. Portanto, há razões que justificam o desejo de independência, além de que são os próprios povos quem devem decidir pela autodeterminação ou não.

        Outro movimento, porém, e que está intimamente ligado e pressionando o primeiro, é a necessidade do imperialismo europeu de controlar os Bálcãs. A União Européia (UE), após a queda da URSS, passou a ter, como principal objetivo, anexar economicamente regiões antes sob a esfera soviética, ou russa. Assim, foram enormes os esforços para integrar, primeiro as economias mais ricas (Polônia, República Tcheca, etc.), e depois todos os outros países sob influência russa.

Muitos países da ex-cortina de ferro (como eram conhecidos os países do bloco operário pertencentes ao Pacto de Varsóvia) só agora passam a ser cogitados para integrar a UE, e outros recém desfrutam do chamado Espaço Shelgen (área de maior liberdade de circulação de pessoas). Com diferentes ritmos, de acordo com seus interesses econômicos, mas também com seus medos racistas e xenofóbicos, os grandes países europeus vão destruindo as economias menores, assimilando a mão de obra barata dos europeus do leste e acabando com suas soberanias.

        Kosovo, neste sentido, é apenas a última peça a ser desmontada da ex-Iuguslávia, país onde a UE sempre teve mais dificuldades em impor seus planos. O imperialismo estimulou, desde o início, a independência e os ódios nacionais, étnicos e religiosos entre croatas, bósnios, eslovenos, macedônios e montenegrinos, entre eles mesmos e deles contra os sérvios. O resultado é o que se chamou de “pulverização dos bálcãs”, hoje uma região repleta de países frágeis e submissos às potências européias e aos Estados Unidos.

Kosovo, na verdade, já é, hoje, uma espécie de enclave imperialista, à medida que está ocupado por tropas internacionais que impedem a livre organização dos kosovares. Esta é a política do imperialismo: falar em liberdade e soberania para justificar a ocupação militar de regiões e regimes de repressão sem liberdade alguma.

Pela autodeterminação dos povos

        Apesar do que é a política do imperialismo e do que é a direção política do processo de independência (Exército de Libertação de Kosovo-ELK-, sustentado pelos EUA e convertido em burocratas liberais), os revolucionários sempre estão a favor da vontade expressa pelos povos em relação a sua forma de associação nacional. Embora, para os revolucionários, o mundo não devesse ter fronteiras e entendermos que experiências como a da ex-Iuguslávia (que sempre ocorreu de maneira desvirtuada e opressiva em muito sentido) podem ser bem sucedidas. A própria ex-URSS era o exemplo vivo de que mesmos diferentes povos podem conviver associados num mesmo país, através de federação de repúblicas ou estados unidos, em formas transitórias ao comunismo, que, aí sim, poderá ser sem fronteiras.

        É por isso que denunciamos a repressão e os massacres étnicos feitos pelos sérvios contra a população croata, bósnia (em genocídios como o de Srebrenica) e aos kosovares. Nestes casos, foi um governo burguês, egresso da burocracia filo-stalinista, massacrando trabalhadores. Da mesma maneira, os bascos são hoje oprimidos pelos espanhóis e franceses (em muito menor escala, evidentemente).

Nossa posição sobre estes casos é a de que o verdadeiro fim da opressão deve vir com a derrubada dos governos opressores, a tomada do poder pelos trabalhadores e a formação de um Estado operário, de todos os trabalhadores, independente da raça ou etnia. Mas nós entendemos que são os povos oprimidos quem devem dizer se desejam permanecer sob um mesmo país em que são oprimidos ou constituir outra nação, independente.

Por isso somos a favor, incondicionalmente, do direito à independência basca, kosovar e até mesmo de uma região de imigrantes argelinos que quisesse romper coma França, por exemplo, em pleno território europeu. Foi assim que Trotski defendeu o direito dos negros americanos formarem outro país, rompendo com os EUA, na década de 30. Não era essa nossa política, mas, à medida que fosse a dos negros, passaríamos a defendê-la da mesma forma.

        Isso não pode se confundir com apoio às direções destes movimentos. Neste caso não há apoio incondicional, nem de qualquer tipo. Há unidade de ação para garantir a independência, mas um combate permanente à influência destes grupos sobre as massas. Só com direções revolucionárias é possível garantir a verdadeira liberdade e autonomia para os kosovares e todos os outros povos. E esta liberdade passa, antes de mais nada, por se livrarem também dos kosovares burgueses, testas-de-ferro dos EUA e UE.

Pelo direito à autodetermiação dos povos

Pelo direito à independência de Kosovo

Fora as tropas da ONU e OTAN – os atuais ocupantes e agressores de Kosovo

Pela não adesão à UE xenofóbica e imperialista. Por um Kosovo independente dos trabalhadores

Pelo internacionalismo proletário. Pela união dos trabalhadores de Kosovo com os sérvios, bósnios, eslovenos, croatas, macedônios, montenegrinos e albaneses.

Pela revolução socialista e uma Federação de repúblicas soviéticas dos bálcãs e de toda Europa.

 

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