Publicada em 13/04/2008

40 anos da morte de MARTIN LUTHER KING:
uma vida de luta contra o racismo

Há 40 anos, em 4 de abril de 1968, morria Martin Luther King. Desde então, essa data serve para lembrar e homenagear essa figura histórica, símbolo da luta contra o racismo no mundo inteiro.

Durante 14 anos lutou para acabar com a discriminação racial nos EUA. Foi morto, aos 39 anos, por um branco segregacionista do sul do país, em Menphis. Pastor e líder do movimento pelos direitos civis, Martin Luther King é uma das principais referências quando se discute a questão do racismo hoje em dia.

King entrou em cena na luta pela igualdade racial em 1955. Nesse período, os negros não tinham direito nem mesmo ao transporte público nos EUA. Viviam em condições desumanas, sofrendo com a superexploração do trabalho, com a falta de direitos civis, como o voto, e com a violência policial do Estado racista norte-americano.

Certo dia, Rosa Parks, uma mulher negra, se negou a dar seu lugar em um ônibus para uma mulher branca e foi presa. Isso, na época, era um escândalo, pois permanentemente a população negra era submetida a situações de humilhação, sem que houvese reação. Em solidariedade a Rosa Parks, os líderes negros de Mongonmery organizaram um grande boicote aos ônibus da cidade. O protesto contra a segregação racial durou 381 dias e Martin foi um dos líderes dessa campanha, o que o tornou vítima de perseguições, ameaças e atentados.

No final, a luta contra a segregação racial nos transportes públicos foi vitoriosa, e o boicote foi encerrado com a decisão da Suprema Corte Americana em tornar ilegal a segregação.

Depois dessa luta, Martin Luther King participou da fundação da Conferência de Liderança Cristã do Sul (CLCS) em 1957, onde esteve à frente até morrer. CLCS era composto principalmente por comunidades negras ligadas a igrejas Batistas. King era seguidor das idéias da "desobediência civil" e defensor do método da "não-violência", preconizado por Manhatma Gandhi, e aplicava essas idéias nos protestos organizados pelo CLCS. Fica claro que a luta desta organização, e de King junto, era para tornar "mais justa" a exploração, mas não para acabar com ela. 

Em 14 de outubro de 1964, King se tornou a pessoa mais jovem a receber o Nobel da Paz, que lhe foi outorgado em reconhecimento à sua liderança na resistência e na luta pelo fim do preconceito racial nos Estados Unidos. Na verdade, a tensão da luta racial era apenas uma parte da luta de classes nos EUA, que estava fervilhando. Nos anos 60, cresciam as greves, as lutas dos trabalhadores e a participação dos EUA em golpes e conflitos militares no mundo inteiro. 

Apenas 2 anos antes, os EUA tinham tentado uma invasão a Cuba, no episódio da Baía dos Porcos. O pior ainda estava por vir no Vietnã. É neste contexto de polarizaão social que M. L. King surge como uma voz "sensata" e moderada. A realidade é que King defende a conciliação de classes, o que significa a colaboração dos explorados com seus exploradores. Em seus discursos e em sua pregação, meio política, meio religiosa, King defende que os trabalhadores esqueçam a tortura, os assassinatos e a miséria em que viviam para darem as mão, num futuro sem racismo.

 Por mais belo que possa ser este sonho de acabar com o racismo por meio do perdão unilateral dos negros aos brancos racistas, esta ideologia de "dar a outra face" só fortalecia a continuidade das causas do racismo. Martin Luther King cumpriu um papel muito progressivo, até certo ponto, pois ajudou a massificar as lutas contra o racismo e o tipo de sociedade que sustentava a discriminação. Por outro lado, à medida que a luta dos negros cresceu e tomou uma proporção mais séria e em condiçõs de impor parte de suas reivindicações, o programa reformista e pró-capitalista de King, de defender a propriedade privada branca, que tinha sido cosntruída com chicote sobre os negros, mostrou seu lado reacionário e contra-revolucionário. Martin Luther King chegou a, direta e conscientemente, tentar impedir a luta dos negros, desmobilizar as massas e trair a luta dos negros trabalhadores. Sua posição se chocava contra os interesses dos negros que, para não morrerem em massa no Vietnã, para ganharem um salário igual ao dos brancos, terem acesso á educação, emprego, saúde e moradia precisavam acabar com o capitalismo.  

 No início da década de 60, Martin dirigiu algumas manifestações, onde os negros estavam dispostos a protestar contra as injustiças do sistema, e tentou dar a elas um caráter de saudação ao governo do presidente John Kennedy, ressaltando os avanços que o governo estava oferecendo na questão racial. Isso provocou grandes decepções e irritações por parte dos manifestantes. Isso prova que a trajetória de King é marcada, ao mesmo tempo por grandes lutas e combates, por um lado, e por acordos e defesa da ordem capitalista por outro.

Em 1965, o líder do movimento negro se manifestou duas vezes contra as intenções imperialistas dos EUA na guerra do Vietnã. Isso era reflexo das mobilizações contra o racismo que ocorriam nos EUA com cada vez mais radicalidade. E na medida em que a repressão aumentava contra os ativistas negros, ficava cada vez mais claro que o método pacifista e o princípio da desobediência civil não seriam capazes de resolver o problema do racismo. É aí que surge o grande debate que marcou a história do movimento negro, principalmente nos EUA, sobre a necessidade ou não da violência na luta contra o racismo.

Ao contrário de Martin Luther King, a própria experiência da luta dos negros ia avançando sua consciência e produzindo lideranças com consciência de classe, como foram os Panteras Negras e Malcom X.

A defesa violenta dos oprimidos contra a violência dos opressores.
Os limites do pacificismo.

Existe outro líder do movimento negro que também é muito homenageado até hoje: Malcolm-X. Convertido ao islamismo, ele defendia o orgulho negro e a luta contra a opressão que o sistema capitalista impunha e segue impondo aos trabalhadores negros. Diferente de Luther King, ele colocava a luta contra o racismo como parte de uma luta maior, contra o conjunto das instituições do sistema. É dele a famosa frase: "Não existe capitalismo sem racismo".

Coerente com essa conclusão, o método defendido por Malcolm é o da organização dos negros, com independência política, e a utilização da violência contra os exploradores brancos e racistas.

No capitalismo, a discriminação racial dá mais lucro para a burguesia, porque através dessa opressão é possível explorar mais ainda um setor da classe trabalhadora, pagando-lhe um salário inferior (ainda hoje os negros possuem um salário muito menor do que a maioria dos brancos e ocupam os piores postos de trabalho).

Nesse sentido, um setor do movimento negro aderiu a outro método de luta, em contraponto ao método da não-violência. Assim como defendia Malcolm, os Panteras Negras e outras organizações começaram a armar seus militantes e andar pelas ruas de cabeça erguida, não admitindo a humilhação e a violência contra os negros. Os Panteras cresceram e chegou um momento em que possuíam sede e milhares de adeptos em quase todos os estados dos EUA. Infelizmente, esta organização, que lutava com violência para acabar com o racismo e cheou a ser próxima do marxismo e do socialismo, não possuía uma ligação com o resto do movimento de massas, e com os outros trabalhadores que, mesmo não negros, eram também explorados.

Ou seja, o programa defendido pelos Panteras, bem como pelo conjunto do movimento negro da década de 60, incluindo os pacifistas e os que defendiam a luta armada, não era um programa de combate ao conjunto do capitalismo e defesa da revolução socialista capaz de dirigir uma revolução socialista.

De toda forma, o programa de Martin Luther King e outros que se limitavam a lutar para melhorar a vida dos negros dentro do capitalismo, o que era, e é, impossível. Os Panteras e Malcom X, ao contrário, eram anticapitalistas, classistas e irreconciliáveis com o que a burguesia americana podia abrir mão ,mesmo com muita pressão. Por isso, foram absolutamente massacrados pela polícia racista dos EUA.  Mas sua coragem e bravura são motivos de orgulho para os ativistas do movimento negro e dos trabalhadores em geral.

Para os revolucionários, é preciso reconhecer o papel importante que líderes como M.L.King cumpriram, assim como de grupos religiosos no Brasil contra a ditadura, por exemplo. Mas isso não pode nos fazer esquecer que eles eram apenas a expressão de uma luta mais forte, mais de base, que os trabalhadores levavam adiante. Assim, o que pôde ser progressivo se transformou em nefasto quando a situação exigiu uma postura intransigente de enfentamento que acabasse realmente com a exploração e o racismo.  

É inegável o papel extremamente progressivo que foi cumprido pelo movimento em defesa dos direitos civis. Inclusive porque sua luta serve como experiência para o movimento negro. Com a história se aprende.

Nesse sentido, o Movimento Revolucionário homenagea e reivindica a coragem e a disposição de luta de Martin Luther King, morto pelo capitalismo e pela violência do racismo. Que sirva de lição para que lutemos com todas nossas armas contra quem matou King e tantos outros. Como disse Malcom X "a violência de quem é massacrado não é violência, é inteligência".

Um programa revolucionário de combate ao racismo

 "A opressão de raça, assim como a de sexo e gênero, serve para que a burguesia explore um setor da sociedade mais do que o outro (...) Além de servir para o patrão explorar mais a mão de obra, o racismo divide a própria classe trabalhadora. Tudo que a burguesia precisa é que os explorados não se unifiquem para, assim, poder derrotá-los, pois estarão divididos e fracos". (Programa do Movimento Revolucionário)

Hoje a maioria dos negros está nas periferias, seguem sendo humilhados por brancos ricos e são mais explorados no trabalho do que os outros trabalhadores. Também são os negros as maiores vítimas da violência policial contra as comunidades pobres do país. É preciso que os negros, em conjunto com os demais setores explorados e oprimidos da sociedade, organizem uma luta de massas, revolucionária, contra os opressores. O racismo se expressa da forma mais violenta possível. Por isso, o pacifismo e o método da não violência servem apenas para manter a ordem e a opressão e não para mudar alguma coisa de fato. Os negros e os pobres em geral não estão em paz, estão no meio da guerra, em que só nós somos atacados. 

A única forma de sair dela é canalizando toda a raiva e indignação para lutar duramente contra o sistema capitalista.

            Nesse sentido, a solução para varrer o racismo da sociedade é cortar o mal pela raiz. E o mal, a essência, é o capitalismo, é a necessidade permanente de lucrar, explorar e dividir os explorados. Por isso, somente com uma revolução de trabalhadores negros e brancos, que ataque à propriedade privada dos capitalistas e coloque a produção e as riquezas nas mãos dos trabalhadores, é possível acabar com o racismo. Somente em uma sociedade socialista, onde o lucro não seja o principal objetivo, é possível eliminar com as opressões e com a exploração que existem hoje.

Viva a luta contra o racismo de Martin Luther King!

Viva a luta do povo negro!

Não existe capitalismo sem racismo!

Em defesa da revolução socialista!

Por um governo dos trabalhadores negros e brancos!

 

 

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