Publicada em 25/09/2008

Crise econômica, crise de Alimentos, etc.:
O NEOLIBERALISMO MORREU!

            Quando caiu o muro de Berlim em 1989, ou se desintegrou a ex-União Soviética em 1991, a direita e os capitalistas em geral correram os jornais, universidades e TVs para alardear que o "socialismo morreu". A tese se baseava no fim da experiência burocrática na Alemanha Oriental e no Leste Europeu, que além de nunca terem sido socialistas, já há algum tempo tinham deixado inclusive de serem Estados Operários (a URSS desde 1987). Esta afirmação, porém, por mais que não tivesse nenhum fundamento na realidade, ganhou ares de verdade, pois, para o senso comum, aquilo que oprimia os trabalhadores é que era o socialismo.

            Na extensão da campanha ideológica de que o capitalismo tinha vencido, a burguesia internacional avançou em seu plano de destruir os direitos trabalhistas, privatizar tudo que fosse possível e saudar o "mercado" como a 8ª maravilha do mundo. Esta concepção ficou conhecida como neoliberalismo, e se caracterizava pela redução do peso do Estado na economia, e pela desassistência aos trabalhadores em todos os ramos (Previdência, saúde, segurança, educação...). Quer dizer, quem tivesse dinheiro, que pagasse por esses serviços; quem não tivesse que ficasse no desespero.

            Este modelo teve como primeiros adeptos, ainda na década de 80, os governantes dos Estados Unidos e Grã-Bretanha, Ronald Reagan e Margareth Tatcher. O 1º seguidor desta política na América Latina foi o ditador Augusto Pinochet no Chile. O neoliberalismo acabou com as economias nacionais, desempregou milhões, foi fonte inesgotável de corrupção (nas privatizações,por exemplo) e precarizou a prestação de serviços essenciais, além de levar muita gente à inadimplência e às dívidas.

            Depois de alguns anos, em meados da década de 90, e principalmente em seus últimos anos, ser neoliberal já era considerado uma ofensa, pois a população já rechaçava essa opção capitalista. O resultado foram as quedas de presidentes neoliberias na Venezuela, México e Brasil. A direita viu seu poder se enfraquecendo e as mobilizações crescerem. O resultado foi a opção, por parte dos capitalistas, em apoiar Frentes Populares (governos burgueses, mas com discurso e apoio sustentado nos trabalhadores).

            Hoje em dia já vemos o desgaste e as revoltas também contra este tipo de governo. Na verdade, o que estamos assistindo é a 2ª derrota do neoliberalismo. Depois dos governos neoliberais assumidos, são desmascarados os governos neoliberias disfarçados, como o de Lula no Brasil, que mantém a economia crescendo para os banqueiros enquanto os trabalhadores ganham R$ 415 de salário mínimo.  

Estados Unidos estatizam empresas e cai a máscara

            Diante de toda esta realidade, podíamos, portanto, já dizer: o neoliberalismo, politicamente, morreu! Mas, na prática e nas discussões teóricas, ainda muitos analistas e técnicos burgueses mantinham que o neoliberalismo, a desregulamentação do mercado e o mercado seriam soluções. Tudo isso, depois da crise americana, virou motivo de piada. Hoje, nem mesmo a burguesia dos EUA leva estas teorias mais a sério e renega o neoliberalismo em nome de outras conduções econômicas que possam manter a economia em pé.

            Assim como depois da quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929, quando se estatizou muitos setores da economia americana, e se recuperou o país à base de investimentos e obras públicas, garantia de seguro desemprego e benefícios sociais estatais, hoje a receita se repete.

            O governo Bush (o supra-sumo do liberalismo, na teoria) foi obrigado a comprar as maiores empresas ligadas ao financiamento imobiliário e hipotecas, a Fannie Mae e Freddie Mac. Depois disso, assistiu ao Lehman Brothers quebrar, mas salvou a seguradora AIG (por mais de US$ 85 bilhões), e investiu dinheiro no Bear Stearns e Merrill Lynch para salvar seus acionistas milionários.

            Na prática, o governo Bush já gastou centenas de bilhões de dólares e anuncia mais um pacote de US$ 700 bilhões, que vêm de dinheiro público, arrecadado dos trabalhadores, para salvar os banqueiros e empresários americanos. O que está acontecendo é uma gigantesca transferência de renda e confisco popular, para engordar os lucros dos burgueses imperialistas.

            Essa operação acaba com o mito do "mercado livre" e do "mercado que se regula". Ficou claro que a liberdade que o capitalismo pode oferecer é somente a liberdade do lucro; mesmo aquele lucro artificial, baseado em fraudes ou irresponsabilidades com o dinheiro investido pelos trabalhadores. O lucro, para estes banqueiros e especuladores, sempre foi individual. Na hora de revelar a podridão de suas finanças e o tamanho do rombo que provocaram, estas empresas são sustentadas pelo Estado. Ou seja, o prejuízo é coletivo.

            Ficam algumas lições da crise dos EUA. Uma delas é que o capitalismo não pode gerar mais crescimento sem que isso seja provisório e artificial, estourando mais cedo ou mais tarde;

            Outra lição é que são os ricos que fazem as crises, mas sempre são os pobres que pagam por elas. O resultado é o aumento da exploração, da miséria e das diferenças de classes;

            Por último, se confirma o que a História já cansou de mostrar: não há como reformar o capitalismo, e somente a estatização dos meios de produção, colocados sob controle dos trabalhadores, compondo uma economia planificada e um Estado Operário podem pôr fim à anarquia da produção e circulação de mercadorias no capitalismo. Esta é a única solução para a imensa maioria, dos explorados pelo capitalismo: a construção da revolução socialista, e da tomada do poder pela classe trabalhadora dirigida pelo partido revolucionário.  

 

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