Se a crise econômica acabou, por que o FMI e a burguesia europeia desembolsarão mais de 30 bilhões para "salvar" a Grécia?
Estas últimas semanas foram definitivas para definir o rumo que a economia da Grécia deverá assumir daqui para frente. O país teve a economia mais afetada pela crise, tanto que até agora não conseguiu retomar o desempenho da indústria, nem ao mesmo voltar aos patamares do período inicial da crise, enquanto o restante do mundo gradualmente consegue voltar a patamares do período pré 2008.
Todo esse cenário faz com que os investidores não queiram mais especular na economia grega, já que esta não demonstra melhoras e só tem seus riscos crescendo. O nível de desemprego e os ataques à classe trabalhadora que estão acontecendo, como tentativa de fazer os trabalhadores pagarem pela crise, também faz com que a indústria tenda a não ser reaquecida, diante da redução do consumo.
Com a queda dos investimentos, o colapso é iminente, obrigando o governo grego a arrochar ainda mais os trabalhadores, além de aumentar a taxa de juros. Isso tudo leva a um ciclo vicioso, em que a garantia de um lucro maior aos bancos é a maior razão de ser das iniciativas tomadas e a situação caminha a um beco sem saída.
Assim, já está certo que a única alternativa para manter os negócios da burguesia na Grécia, ao menos por mais algum tempo, é com uma enorme ajuda externa, através de um plano de empréstimos.
Todo o acordo fechado entre os países da zona do Euro e o FMI determina um empréstimo de 30 bilhões de euros dos países europeus e de cerca de 10 bilhões vindos do FMI. Mas isso tudo tem um preço, e tanto o Eurogroup como o FMI estão exigindo que o plano de austeridade (leia-se ataques à classe trabalhadora), seja garantido.
O primeiro-ministro grego anunciou diversas vezes à mídia que não aceitaria, de forma alguma, esse empréstimo. Pois bem: pelo que tudo indica, desdizendo seu líder, a Grécia recebeu a visita do FMI e imperialismo europeu e terá emprestado o dinheiro para "salvar" sua burguesia, cumprindo tudo o que for determinado.
Bilhões emprestados que demonstram a insegurança da burguesia.
A burguesia internacional já anuncia o fim da crise econômica e até mesmo faz pouco caso dos episódios passados. Porém, isso é só aparência. Enquanto a mídia governista divulga dados maquiados demonstrando uma “melhora”, alguns dos principais órgãos do imperialismo (UE e FMI) fazem acordos para continuar salvando uma economia que hoje ameaça todo o sistema do mundo, e que representa bem mais do que a quebra do Lehman Brothers, banco falido que iniciou todo o efeito dominó recessivo desde 2008.
O receio de que a Grécia decrete a moratória contaminou todos os demais países, fazendo com que os especuladores retirassem seus investimentos em diversas economias, como Portugal, Irlanda, Itália e Espanha, países que podem ser as próximas "bolas da vez".
Contudo, mesmo com esse empréstimo sendo o maior plano de salvação econômico multilateral a um país, na História, a melhora da economia não está garantida, já que, no meio do caminho, existe uma classe trabalhadora que verá seus benefícios retirados de uma forma abrupta.
Enquanto dão dinheiro para banqueiros, estarão retirando dinheiro de projetos sociais, arrochando salários, aumentando idade da aposentadoria, etc.; tudo isso para garantir as metas impostas pelo FMI e cia. Mas a resistência e luta pode pôr tudo isso a perder.
No horizonte, mais ataques, mas também muito mais lutas.
A classe trabalhadora grega tem demonstrado que não aceitará calada estes ataques, e as mobilizações e o enfrentamento são cada vez maiores, fazendo com que todo o sistema seja questionado.
Os trabalhadores estão deixando de exigir somente medidas econômicas e salariais, e passam a questionar as políticas defendidas pela burguesia e seu governo, tirando a legitimidade de quem define o rumo do que a Grécia deve seguir, e para quem devem servir todas as riquezas produzidas pelo país.
O caminho para os revolucionários, como se demonstra, está cada vez mais propício. Enquanto a burguesia ataca os trabalhadores, fazendo de tudo para garantir seu domínio na sociedade, nossa classe, a cada luta e mobilização, aprende mais.
Com isso, se torna inevitável que os questionamentos sobre o capitalismo sejam feitos, e principalmente se abre a possibilidade da busca por outro sistema.
Definitivamente, a "salvação" capitalista chega tarde demais, e com um custo que os trabalhadores não estão dispostos a pagar.
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