Petkovick faz um gol de placa!
“O socialismo era uma maravilha”, diz o jogador a Ana Maria Braga.
O jogador Petkovick, do Flamengo, deu uma declaração que chamou a atenção de muitos. Ao ser questionado pela apresentadora da Globo, Ana Maria Braga, como era a vida no país onde nasceu (a ex-Iuguslávia), e como tinha sido passar por tantas dificuldades, a apresentadora e a maioria das pessoas que sempre escutaram a burguesia repetir que os Estados Operários eram um inferno, esperava ouvir lamentos e críticas ao passado.
Ao contrário disso, contudo, referindo-se a atual Sérvia, e ex Iugoslávia, Pet respondeu com uma naturalidade que só alguém que viveu esta realidade é capaz de expressar. Disse ele, tranquilamente: “Quando nasci (a Sérvia), não tinha dificuldade nenhuma. Era um país maravilha; vivíamos um regime socialista, todo mundo bem, todos tinham salário, todos tinham emprego, os problemas aconteceram depois dos anos 80."
Além da falta de habilidade da apresentadora com qualquer tema que saia do roteiro de seu programa, que só fala de amenidades direcionadas majoritariamente ao público feminino, de modo estigmatizado e superficial, por exemplo de "como cuidar do lar", cozinhar e outras dicas machistas; a pergunta preparada pelos editores do programa já partia do principio de que, por ser "socialista", o país era bastante conturbado.
Ao contrário dessa lógica sem fundamento, porém, a verdade é que a Iugoslávia, a Bulgária, a União Soviética e todas as dezenas de países que passaram por revoluções socialistas tiveram enormes saltos em seu desenvolvimento, na qualidade de vida de seu povo e no progresso científico, educacional, de saúde, etc. Ana Maria Braga poderia repetir mais uma vez as famosas frases ignorantes de que estes países eram pobres, mas cometeu o erro de fazer isso na presença de alguém que vivia lá.
E o mais interessante é que ficou bastante claro que o jogador não parece ser um defensor, por ideologia, do socialismo. Apenas fez uma constatação dos avanços de um país que tem uma economia socialista, e de sua experiência prática com tal modo de produção.
O que aconteceu antes e depois da década de 80 no país?
Durante a II Guerra Mundial, a região da ex-Iugoslávia foi invadida pela Alemanha, e logo em seguida se formou uma resistência de diversos setores que tinham uma tarefa em comum: derrotar a ocupação nazista. Esta resistência, em toda a Europa, era formada majoritariamente pelos comunistas, e isso ganhou ainda mais peso com a vitória russa que derrotou quase sozinha o nazi-fascismo.
Após este processo, com a expulsão dos nazistas, a radicalização dos trabalhadores era tanta que obrigou o Exército Vermelho a expropriar a burguesia dos países libertados, constituindo inúmeros novos Estados operários no Leste Europeu. Na Iuguslávia, a unificação de várias regiões levou a se criar uma república "socialista" no país.
Diferente do processo havido na Rússia, porém, onde o Estado operário esteve durante algum tempo dirigido por organismos de massas, os soviets; na República Socialista Federativa da Iugoslávia, desde o inicio, surgia um país com econômia planificada, mas com um regime burocrático, semelhante ao que vivia a URSS sob o comando de Stálin neste período.
A este Estado, o chamamos de Estado operário burocratizado. No caso da ex-Iuguslávia, este caráter expressava uma deformação, característica desde o início deste Estado.
A principal figura desse período foi o presidente do país, Tito, que em 1963 foi indicado como presidente vitalício. Assim como as outras dezenas de países em que triunfou a revolução operária, como a URSS, Cuba, Vietnã, China, etc., nunca houve de fato socialismo na Iuguslávia. O socialismo corresponde a uma etapa de desenvolvimento superior ao capitalismo, em escala mundial. O que existiu nestes países eram Estados operários, produtos de revoluções socialistas.
No entanto, Petkovick, ao defender o "socialismo" estava exatamente se referindo ao Estado completamente diferente que havia, expressando um país em que os meios de produção estavam nas mãos da classe trabalhadora (mesmo que com a burocracia neste comando), o que permitia um nível de vida muito melhor à maioria da população.
A Sérvia foi parte dos países que não se alinhavam com o imperialismo europeu e norteamericano, e, ao mesmo tempo, para não ficar refém do apoio do stalinismo soviético, liderou o movimento de países "não-alinhados", que supostamente correspondia a não se comprometer com nenhum lado na Guerra-Fria, que opunha URSS X EUA.
Na prática, porém, coincidia com a URSS tanto nos méritos, como a economia planificada e caráter operário de classe; como nos desvios, como a falta de democracia e participação popular, o que fez com que se impusesse uma ditadura burocrática sobre os trabalhadores.
Por traição destas direções e por toda a pressão do imperialismo no mundo todo, hoje todos estes países estão totalmente reintegrados ao capitalismo, e essa é a explicação para os problemas que aconteceram depois de década de 80, e aos quais Petkovick se refere.
Nós não achamos que houvesse uma "maravilha" antes de 80, pois a falta de liberdade à maioria e os privilégios da burocracia já eram uma deformação muito grave. Porém, não restam dúvidas que a restauração do capitalismo, a partir da década de 80 produziu o terror e foi um desastre à Iuguslávia e a todos os demais paises em que isso ocorreu.
Petkovick não tem a obrigação de fazer um balanço completo de todo este período, mas falou o essencial, e o que pesquisas recentes apontam que é compartilhado por quase 80% da população dos países do Leste Europeu: com o capitalismo, a vida só piorou!
O socialismo vive!
Há vinte anos, talvez essa declaração fosse vista com receio por diversos trabalhadores, fruto de toda a campanha ideológica que fez a burguesia quando se deu a queda dos regimes operários burocráticos no mundo todo. Mas hoje, depois de aprofundar a experiência com o imperialismo, e as consequentes guerras de dominação, e a exploração dos trabalhadores no mundo todo, uma declaração deste tipo conta com a simpatia de muita gente, que já percebe o quanto o capitalismo está falido.
Mesmo com as traições das direções que se autoproclamavam socialistas, mas que na verdade entregaram seus países, reerguendo o capitalismo em cada um deles, a experiência histórica dos trabalhadores já provou que outro tipo de sociedade é possível.
Simpatizamos com a declaração de Pet, e a entendemos como comprovação da superioridade e necessidade do socialismo. Sua declaração só traz à tona uma realidade: o socialismo é muito mais eficiente e traz mais desenvolvimento que o capitalismo. Gol do Petkovick.
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