Publicada em 09/10/2007


Racismo no futebol:
Culpa das torcidas ou mais uma consequência do Capitalismo?

          A violência no futebol é cada vez mais comentada. Seja a violência dentro de campo, envolvendo jogadores, comissão técnica, arbitragem, seja a violência extra-campo, envolvendo a torcida, tanto nas arquibancadas como fora destas.  Essa violência entre torcedores frequentemente é utilizada para explicar o esvaziamento dos estádios de futebol. O público que frequenta os estádios está diminuindo, inclusive nos ditos jogos “clássicos”.

          Que a violência está crescendo na sociedade todos sabemos. Isso se expressa nas ruas, no trânsito, entre as famílias e, evidentemente, no meio do futebol também. Mas devemos nos perguntar por que interessa tanto falar que as pessoas, por medo da violência, passam a assistir aos jogos em casa, ou pelo rádio, mas ninguém fala do aumento absurdo do valor do ingressos, e que, esse sim, é o principal motivo da diminuição do público que frequenta os estádios de futebol.

          É evidente que dentro de uma sociedade cada vez mais pauperizada, em que o salário dos trabalhadores não aumenta na mesma proporção que o preço dos produtos de necessidade básica, não sobrará muito dinheiro para diversão ou lazer, como ir assistir a um jogo de futebol no estádio.

          O futebol, por ser um esporte extremamente conhecido e praticado no mundo inteiro, acaba por envolver pessoas das mais diversas características e que vão aos estádios pelos mais diversos motivos. Concentrando, assim, em um mesmo lugar, pessoas tão diferentes, é natural que se expressem vários tipos de preconceito. Um dos mais comuns é o machismo, que até hoje impede que a maioria das mulheres sequer se interesse pelo futebol. Mas há um outro preconceito que, ainda que disfarçadamente, sempre esteve presente no futebol: o racismo. As imitações de macaco dirigidas pelas torcidas a determinados jogadores por serem negros, assim como as músicas que referem-se à “macacada” do time adversário, são o exemplo mais claro disso. E não porque uma torcida seja mais ou menos preconceituosa do que outra, mas porque sendo um esporte de massas, o futebol abre espaço para a manifestação de todo o tipo de preconceito.

          Os neonazistas (membros de uma torcida organizada do Grêmio) presos na semana passada -01/10- em Porto Alegre (RS) por terem esfaqueado um punk na saída de um Grenal, não devem nos causar nenhum espanto. O nazismo, assim como o fascismo, historicamente encontram espaço entre as massas, principalmente dentro da pequena-burguesia, numa sociedade em crise econômica e sem condições de oferecer uma vida melhor para a sua juventude. Logo, ao não terem qualquer expectativa, muitos jovens encontram saída numa ideologia que prega o extermínio de negros, homossexuais, judeus e punks. E esse é um dos maiores inimigos da classe trabalhadora: o nazi-fascismo.

          É uma ideologia burguesa, que cria uma falsa divisão dentro da classe trabalhadora. A raça, assim como a orientação sexual, costuma ser um dos fatores utilizados pela burguesia para melhor explorar determinados grupos e impedir que, através desse tipo de preconceito, a classe trabalhadora se una contra o seu verdadeiro inimigo: a burguesia que a explora.

          Vivemos em uma sociedade em que a diferença entre ricos e pobres aumenta, pois quem é pobre fica cada vez mais pobre e quem é rico fica cada vez mais rico, em que o desemprego aumenta, seja para trabalhadores experientes, seja para a juventude que acaba de ingressar no mercado de trabalho, e onde sobra cada vez menos tempo -e dinheiro- para o lazer e para a diversão. Assim, o nosso ódio e revolta devem voltar-se para os responsáveis pela miséria, pela falta de oportunidades, pelo salário miserável -a burguesia- e não contra aqueles que são tão explorados quanto nós mas que, inclusive por causa de um artifício utilizado por ela, não percebemos a principal divisão existente na sociedade: entre patrões e empregados.

 

 

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