Publicada em 28/10/2007


Aniversário da Revolução Russa:
Os 90 Anos da Revolução que abalou o mundo

A Revolução Russa de 1917 marcou uma era inteira. Até 1917, parecia natural achar que o capitalismo duraria para sempre; que os trabalhadores estavam condenados eternamente a serem miseráveis e explorados; que as mulheres não teriam nunca o direito ao divórcio, a decidir sobre seu próprio corpo; e que muitos pobres seguiriam se matando em guerras que não lhes diziam respeito, mandados por senhores proprietários de fortunas e donos de países inteiros.

Depois da Revolução socialista de 1917, o mundo assistiu entusiasmado e assustado com este mundo antigo sendo posto no lixo e com o surgimento de outro mundo, baseado na igualdade, no emprego para todos, na democracia verdadeira aos trabalhadores, na saúde e educação para toda a população. A mudança de 1917, infelizmente, foi abortada e traída por um golpe dado por setores do próprio partido Bolchevique, o partido revolucionário responsável por dirigir o processo heróico e extraordinário da Revolução Russa.

Os traidores da revolução, com Stálin como líder, contaram com a adesão de milhares de oportunistas recém integrados ao partido, mas, mesmo assim, só conseguiram dar o golpe na direção revolucionária do partido e nos conselhos dos trabalhadores (soviets) porque a Revolução não conseguiu se expandir para outros países. Foi a derrota do proletariado a nível mundial que permitiu a degeneração da Revolução Russa, que, ainda assim, precisou de um banho de sangue e assassinatos contra os revolucionários para que os traidores ficassem com o poder.

Isso prova 2 coisas: a) é possível acabar com o capitalismo e implantar uma sociedade sem exploração; b) uma nova sociedade não vai se deturpar se triunfar no mundo inteiro. O único “antídoto” contra a burocratização é a extensão da revolução a todo mundo, na chamada Revolução Permanente, como defendia Trotski, herói revolucionário.

         A vitória dos trabalhadores sobre a exploração passou por muitos caminhos. Antes da revolução, os trabalhadores acreditaram no governo do príncipe, depois na “Frente Popular” do príncipe com apoio dos operários traidores, depois no governo dos operários traidores diretamente. Por fim, mentia-se para a classe trabalhadora sobre a realização de uma Assembléia Constituinte e amedrontava-se os que queriam mudar o país com o fato de que “só” eram maioria em Petrogrado e Moscou.

Os bolchevique sempre foram minoria no movimento de massas, mesmo na Revolução que derrubou o czar, nas Jornadas de Abril e de Julho, na “guerra civil” contra Kornilov e até as vésperas da tomada do poder. Os poucos bolcheviques, em épocas de paz, eram, e só podiam mesmo ser, menores que os reformistas, os aproveitadores e os operários sem princípio. Quando a revolução se aproximava, porém, só os criticados e pequenos bolcheviques é que podiam dar as respostas corretas aos trabalhadores. Os operários “de esquerda”, mas que não defendiam a revolução até o fim, mostraram que, na revolução, quem desvia-se alguns centímetros da revolução cai na contra-revolução. Os que pareciam ser tão sensatos, saber tanto dialogar com a massa e fazer alianças para crescer, acabaram na linha de frente da defesa do capitalismo contra o poder dos trabalhadores.

O que diz Lênin: “a maioria ativa dos elementos revolucionários do povo de ambas as capitais é suficiente para arrastar as massas, para vencer a resistência do adversário, para destruir, para conquistar o poder e mantê-lo.”; “Também não é possível esperar a Assembléia Constituinte (...). Só o nosso partido tomando o poder pode garantir a convocação da Assembléia Constituinte e, tomando o poder, acusará os outros partidos de protelação, e provará a acusação.”; “O povo está cansado das vacilações dos mencheviques e dos socialistas revolucionários. Só a nossa força nas capitais arrastará os camponeses atrás de nós.” “é ingênuo esperar pela maioria formal. Nenhuma revolução esperou por isso”.

Fica evidente que as eleições, como defendem o PT e o PSOL, ou o zigue-zague entre frases revolucionárias e práticas eleitoreiras e anti-democráticas, são o oposto da luta sem tréguas de Lênin para tomar o poder e implantar um Estado dos Trabalhadores.

Por fim, Leon Trotski, em Conferência pronunciada na Dinamarca, explica:

“Sem a insurreição armada de 25 de Outubro de 1917, o Estado soviético não existiria. Mas a insurreição não caiu do céu. Para a Revolução de Outubro era necessário uma série de premissas (condições) históricas.”. Eram elas:

1) A podridão das velhas classes dominantes; 2) A fraqueza da burguesia para assumir o poder; 3) O caráter revolucionário da questão da terra; 4) O caráter revolucionário das nacionalidades oprimidas; 5) A importância social do proletariado.

Além disso, condições conjunturais excepcionais: 6) O aprendizado com a Revolução de 1905; 7) A radicalização por causa da 1ª Guerra Mundial.

Por fim, o MAIS IMPORTANTE: 8) O Partido bolchevique. Sobre a importância deste elemento, discursou: “habituaram-se a dar o poder e não a tomá-lo pra si. Trabalham pacientemente, esperam, perdem a paciência, sublevam-se, combatem, morrem, dão a vitória aos outros, são traídas, caem no desânimo, submetem-se, voltam a trabalhar. Assim é a história das massas populares sob todos os regimes. Para tomar com segurança e firmeza o poder nas mãos, o proletariado tem necessidade de um partido que ultrapasse de longe todos os outros partidos, não só na clareza de pensamento, mas também na decisão revolucionária.”

Toda conquista dos trabalhadores, no capitalismo, passa pela necessidade de acabar com o capitalismo. No atual sistema, os trabalhadores não vão ganhar mais nada, só perder. Toda luta é para impedir retirada de direitos ou para conquistar avanços que, logo em seguida, são retirados. Toda reivindicação, se levada a sério, é socialista, pois vai exigir que se tome o poder e se construa o socialismo com os trabalhadores controlando cada um dos países.

Esta é a importância do exemplo da Revolução Russa, 90 anos depois. Junto com a Revolução que abalou o mundo, fazem aniversário a fome, o desemprego, as ditaduras, as falsas democracias de falsos representantes do povo, a traição de dirigentes vendidos e carreiristas, que abandonam seus ideais para seguir o caminho mais fácil, mais simpático e que garanta mais conforto.

Por isso, nós comemoramos o aniversário da Revolução Russa em 2007 não apenas para lembrá-la em dias de festa, mas para tomá-la como exemplo. Para o Movimento evolucionário, cada greve, cada passeata, luta por moradia ou contra os ataques do governo Lula, tem um só propósito: ACABAR COM A EXPLORAÇÃO, COMO ACONTECEU NA RÚSSIA EM 1917, E CONSTRUIR UM GOVERNO REALMENTE DOS TRABALHADORES, POR MEIO DE CONSELHOS POPULARES, QUE DERRUBEM OS EXPLORADORES E SEJAM O 1º PASSO PARA UM MUNDO DIFERENTE, UM MUNDO IGUALITÁRIO, DE FARTURA E SOCIALISTA.

Entre no Movimento Revolucionário e ajude a organizar a luta pelo socialismo

 

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