Publicado em 15/02/2010

Traição! Pedro Stédile, líder histórico do MST, abandona luta pela reforma agrária!

        Pedro Stédile, dirigente nacional do MST, acaba de assumir o discurso mais legalista e reacionário de defesa da ordem atual, dos ricos, ao reproduzir o que os defensores do latifúndio e inimigos da reforma agrária sempre disseram: "ocupação de terra não soma aliados".

Com essa virada de 180º no discurso de um líder que ainda tentava manter a aparência de combativo e lutador, o MST já pode ser considerado um movimento sem perspectivas. Desde a chegada do PT ao poder, com a eleição de Lula em 2002, o MST reduziu sua mobilização e assumiu cargos e privilégios governamentais. A burocratização e acomodação do MST acabaram com o sentido de uma organização que foi a principal “dor de cabeça” aos 8 anos de FHC.

Stédile, que chegou a ensaiar críticas a Lula, e foi “censurado” pela cúpula do MST, que o “escanteou” do comando da entidade, agora resolveu aderir mais espalhafatosamente aos traidores do que todos os traidores que antes criticava. Nem o pelego José Rainha, líder do MST no Pontal do Paranapanema, e depois aliado do PP e outros partidos reacionários, teve coragem (ou melhor, a covardia) de anunciar publicamente que abandonava a luta pelas ocupações, que sempre foram, e seguem sendo, a única forma de garantir terra a quem não tem.

Hoje, Stédile passou a ser um ferrenho defensor do governo Lula, numa declaração que deixa bem claro seu oportunismo. Ao dizer a milhões de pessoas que não possuem terra que deixem de ocupar e fazer pressão, o ex-defensor da reforma agrária se transforma em garoto propaganda do latifúndio, do STF e dos que sempre perseguiram e mataram os trabalhadores rurais. Stédile agora quer que os acampados em lonas pretas à beira das estradas aguardem silenciosos que “seu” governo lhes dê, pacifica e espontaneamente, a terra que merecem.

Os aliados que Stédile quer somar são da burguesia

        Na mesma entrevista em que diz essa frase, Stédile deixa bem claro quais são os aliados que não se somam quando a tática é a ação direta - as ocupações-. O dirigente do MST diz que, nos anos 70 e 80, uma parcela da burguesia apoiava a luta, porque o MST e os sem-terra poderiam auxiliar no rumo de um modelo de desenvolvimento industrial que precisava de mercado interno para vender os seus produtos. Traduzindo: valia a pena ocupar, porque a burguesia desenvolvimentista via a luta com simpatia. Agora que não vê mais, é hora de dar adeus a tudo. Mais submissão aos interesses dos inimigos, impossível.

Aí, Stédile mostra as suas duas faces: primeiro, a covardia, pois afirma que só devem haver lutas que contem com o apoio da burguesia, jogando no lixo o conceito de independência de classe; e, em segundo lugar, um oportunismo gigantesco, ao dizer que as ocupações eram importantes pois ajudavam a desenvolver o capitalismo. Ou seja: o discurso do patrão.

        Não contente com essa traição suprema, Stédile ainda reivindica como positiva a postura do ex-presidente José Sarney, o atual rei da corrupção no Congresso, como a de alguém bem intencionado, que pensava em reforma agrária. Este é o tipo de aliado que as ocupações de terra não têm mais, pelo jeito. E essa é a direção do MST hoje, em perfeita sintonia com tudo que diz e defende o governo Lula, inclusive no apoio a Sarney e a grande unidade nacional burguesa em torno do projeto de atques aos trabalhadores da Frente Popular.

        A ocupação de terra não é, e nunca foi apoiada pela burguesia no Brasil. No máximo, setores dela foram obrigados a ter que ceder parcialmente em alguns momentos, justamente por causa das ocupações, que forçavam medidas dos governos. Aí se enquadravam Brizola, Sarney, FHC e Lula: todos, mesmo assim, concederam apenas migalhas, e sempre com a “faca no pescoço”, e não por serem aliados dos sem-terra.

Fora isso, uma parte minoritária da burguesia vê na reforma agrária uma fachada para a especulação rural, vendendo terras ao governo, por preços muito maiores que os de mercado. Entretanto, como política social e de modelo produtivo, a burguesia está e sempre esteve unida contra a possibilidade de distribuição de terras no Brasil, e de ataque ao latifúndio.

A burguesia já apoiou medidas como a reforma agrária na luta contra a aristocracia e o feudalismo, ou relações feudais e semifeudais de produção. No entanto, desde 1848, há mais de 160 anos, a burguesia já não é mais capaz de assumir bandeiras globalmente revolucionárias, pois, com o crescimento do proletariado, passou a ter mais medo de perder o poder do que interesse em conquistar mais contra a aristocracia.

A reforma agrária há um século não conta mais com apoio burguês em lugar nenhum do mundo; ao contrário do que os partidos stalinistas defenderam por décadas, e Stédile ainda parece acreditar...

Não existe reforma agrária sem ocupação e expropriação de terras

         O que fica bem claro é que a “nova” estratégia da direção governista do MST é a das alianças sem princípios com o que de mais podre e reacionário existe. Isso anula qualquer possibilidade de luta que expresse a necessidade dos trabalhadores sem terra, colocando o movimento apenas como massa de manobra para derrotar nas eleições o PSDB e José Serra.

        Na sociedade capitalista, existem interesses que são inconciliáveis. A ocupação de terra representa um golpe na burguesia e no latifúndio. É só imaginar o que ocorreria se este mesmo método se alastrasse nas fábricas e indústrias, e se os trabalhadores urbanos começassem uma onda de ocupações e passassem a administrar os meios de produção industriais. A interrupção da extração da mais valia, ou seja, do trabalho não pago, da exploração, faria a burguesia desmoronar.

Stédile poderia muito bem concordar com os maiores pelegos, que dizem que as greves não agradam mais, e estão ultrapassadas. De novo, é o discurso da direita mais conservadora!

A política do governo Lula para o campo é a do agronegócio e do latifúndio de exportação; assim como, na cidade, é a de submissão aos banqueiros, multinacionais e novos grupos burgueses nacionais. Não há mais divisão de interesses nestes setores burgueses, pois cada vez mais eles são um só; através das fusões, compras mútuas de ações e incentivos do governo. Stédile e o MST, ao se renderem à burguesia rural, se rendem a ela toda como classe.

        E, por fim, o novo projeto do MST não é tão novo assim. Ele vai dar no mesmo lugar que leva o governo Lula: a uma propaganda permanente de que o Brasil está dando um grande salto para a modernidade, justificando a mudança de discurso, e a substituição apenas das mãos que nos exploram. Mais triste que coronéis defendendo que os sem-terra aceitem “seu destino” e “conheçam seu lugar”, é ver o MST dizendo o mesmo, com outras palavras.

Que se alastrem os protestos, ocupações de terra e greves.

Pela aliança dos trabalhadores rurais e urbanos

Só com a expropriação da burguesia é possível garantir terra e trabalho a todos

É necessário derrotar Lula e o MST vendido, e construir uma nova direção.

 

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