Morre Boris Yeltsin, um dos arquitetos da restauração do capitalismo na Rússia
Aos 76 anos, devido a um ataque cardíaco, morre no Hospital Central de Moscou o ex-presidente russo, Boris Yeltsin. Apesar de toda a campanha de santificação feita pela imprensa burguesa, Yeltsin foi um dos arquitetos da restauração da economia de mercado na Rússia e o responsável por lançar o povo russo na lama do capitalismo novamente.
Junto com a campanha internacional feita pelo imperialismo querendo afirmar que o “socialismo estava morto”, o ex-líder russo teve um papel imprescindível na reaproximação com os EUA e nas privatizações de grandes empresas estatais que levaram a desvalorização do Rublo (moeda russa). O que a mídia internacional tenta esconder é que junto com a restauração do capitalismo voltaram chagas econômicas graves, como o desemprego, a inflação e a miséria. A tentativa de transformar Yeltsin em um grande líder político e “defensor da democracia” contra as “ditaduras comunistas” é uma das características das notícias que correm o mundo. Tentando assustar os trabalhadores com os crimes cometidos pelo stalinismo (ou seja, a burocracia de dirigentes, comandada por Stálin e outros, que usurpou o poder político dos trabalhadores para defender seus privilégios) e a falta de liberdade política decorrente disso, o imperialismo disfarça a verdadeira falta de democracia e de liberdades para os trabalhadores russos hoje. Bem como para os povos próximos a Rússia (como a Chechênia, Ucrânia, etc.)
Yeltsin foi acusado por seus oponentes políticos de não fazer a economia da Rússia crescer e de ter atitudes ditatoriais. Porém, com a restauração do capitalismo não só é fácil entender os motivos do enorme retrocesso econômico, como também as suas atitudes despóticas, tal como a invasão militar da Chechênia em 1993.
Outro problema que se alastrou pelo país com a volta do capitalismo foi a corrupção nos altos cargos políticos – sobretudo a dos grandes empresários russos que ressurgiram –, bem como a festa das privatizações que já renderam grandes somas de dinheiro para as empresas internacionais. Apesar da falta de liberdades políticas, fruto da dominação do aparato da burocracia stalinista, a realidade fala por si só e contradiz o que os jornais oficias da burguesia tentam dizer: com a volta do capitalismo na Rússia só cresce a miséria, a corrupção estatal, a festa para os magnatas das multinacionais, o desemprego, a inflação, etc.
Passados 90 anos da Revolução Russa de 1917 que deu o poder para os operários e erradicou uma série de problemas sociais (como os citados anteriormente), os trabalhadores da Rússia hoje têm muito o que lamentar. E dentre essas lamentações não consta, definitivamente, a morte de Yeltsin.