Crescem as lutas dos trabalhadores pelo mundo
A cada dia que passa cresce a luta dos trabalhadores por todas as partes do mundo. Em meio à crise que vive a economia capitalista, a burguesia e seus governos se vêm obrigados a lançar mão de medidas para atacar a classe trabalhadora e seus direitos mais básicos, como o salário, os direitos trabalhistas e, principalmente, pelo aumento do custo de vida, através da inflação dos alimentos, aluguéis, remédios e transporte. Como resposta, os trabalhadores vêm saindo às ruas em manifestações e lutas cada vez mais radicalizadas.
Podemos citar como exemplo desta conjuntura as manifestações que ocorreram no Quênia, na África. País conhecido como um "oásis de paz e tranqüilidade" do continente africano, o Quênia entrou em ebulição, com ondas de protestos dos trabalhadores, revoltas e mortes depois da suspeita de fraude nas eleições para presidente. Durante as manifestações centenas de pessoas, inclusive crianças, morreram queimadas vivas, na maior onda de violência registrada nas últimas décadas no Quênia. O que explica isso não é a vontade de "eleições limpas" ou a indignação com a fraude, mas a piora da qualidade de vida. Quando passa fome e o salário não paga mais as contas, a população perde a paciência com o que antes suportava. É isso que explica que a corrupção, a luta contra a violência policial ou qualquer outro motivo seja o estopim para processos revolucionários.
No Líbano, ao mesmo tempo, o governo, que é apoiado pelos Estados Unidos e se comporta como um empregado do imperialismo no Oriente Médio, sofreu uma dura derrota. Após tentar fechar a rede de comunicações do grupo xiita Hezbollah, que lhe faz oposição, e ter demitido o chefe de segurança do aeroporto local, ligado ao Hezbollah , o governo de Fuad Siniora levou uma verdadeira "surra" da população que saiu às ruas da capital Beirute para protestar.
Os seguidores do Hezbollah e de seus aliados montaram barricadas em avenidas importantes e na estrada que leva ao aeroporto, paralisando grande parte da capital. O resultado foi a humilhação do governo, que perdeu até a autoridade militar. Após quatro dias de violentos confrontos em Beirute e várias outras regiões, o Hezbollah tinha o controle militar e político do país e só não tomou o poder porque preferiu manter a situação atual ,apenas ganhando mais cargos e influência. Essa foi uma enorme derrota para os Estados Unidos, já que Bush era o principal aliado do governo Siniora.
Seguindo a onda de mobilizações mundial, os trabalhadores no Haiti saíram às ruas este ano para protestar contra o aumento no custo de vida, principalmente dos alimentos como arroz e leite. Em um país onde 80% da população vive abaixo da linha da miséria e mais da metade está desempregada, motivo para protestar é o que não falta. A ira dos manifestantes está dirigida principalmente contra o governo do presidente René Préval e a ocupação das tropas lideradas pelo Brasil de Lula. Uma marcha com mais de mil pessoas rumou em direção ao Palácio do Planalto em 08/04, arrancando bandeiras comemorativas da sede presidencial e sendo contida pelas tropas de ocupação.
Assim como estes países, houve lutas importantíssimas como a do povo do Tibet, onde a população segue lutando ela sua independência e autodeterminação. Na Palestina a população resiste, lutando duramente contra os massacres de Israel (que é apoiado pelo imperialismo norte americano) e dos traidores pró-imperialistas do Fatah.
No Iraque, país que os EUA tentam dominar há mais de cinco anos, a população vem demonstrando, com sua resistência heróica, que é possível derrotar o imperialismo.
São diversos os exemplos que poderiam ser citados para ilustrar esta nova situação mundial. Pois em todos os lugares do mundo a classe trabalhadora vem dando respostas radicais contra as tentativas de ataques da burguesia. Na França, com as lutas contra as retiradas de direitos trabalhistas e previdenciários, na Irlanda onde os trabalhadores disseram não à constituição européia, e assim por diante... Na América Latina não é diferente. Pelo contrário, as lutas seguem, com mobilizações na Argentina, Venezuela, Chile, Peru, etc. O exemplo mais recente é o da luta dos sem-terra no Paraguai, que, elegeram Fernando Lugo, mas já estão entendendo que só por meio de suas próprias ações vão poder mudar de vida.
Crise mundial da economia: Mais ataques contra os trabalhadores por vir
A própria burguesia, atualmente, se vê obrigada a admitir a existência de uma crise mundial. A cada semana os lucros imperialistas sofrem novas e maiores baixas. Todo mundo sabe o desespero que toma conta dos empresários e banqueiros quando deixam de ganhar as fortunas que esperavam. Eles nem precisam chegar a perder dinheiro: basta que deixem de ganhar o que esperavam, que suas ações caem, provocam demissões e crises.
Atualmente, a perda total da burguesia mundial supera os trilhões de dólares. E, como sempre, a burguesia quer fazer com que os trabalhadores paguem pela crise que ela criou. Isso se agrava pois a atual crise mundial, não é apenas uma redução grande de lucros, mas uma das maiores crises que o capitalismo já viveu. Não apenas do ponto de vista financeiro, como também político. Vive-se um momento em que todos os planos dos governantes pelo mundo afora, de retirar ainda mais da maioria da população para salvar seus negócios, vêm sendo derrotados.
Como já dissemos os trabalhadores em todo mundo vêm saindo às ruas para lutar contra os ataques da burguesia, e têm conseguido impor grandes derrotas à burguesia. Como as dos trabalhadores franceses contra as reformas trabalhista e previdenciária de Sarkozy, o NÃO dos trabalhadores da Venezuela à reforma constitucional de Hugo Chávez, entre outras manifestações.
Para o Movimento Revolucionário, são os ricos que devem pagar pela crise. São os empresários que determinam uma economia que está cada vez pior para a maioria da população. São os ricos que mandam no governo Lula e nunca lucraram tanto como agora. Chegou a hora dos ricos pagarem pela crise que eles mesmos criaram.
Crise mundial de alimentos
Nos últimos anos a classe trabalhadora foi protagonista de grandes mobilizações e insurreições contra a burguesia e seus governos. Os explorados e oprimidos da sociedade não param de lutar nunca, seja por reajuste salarial, pela defesa dos seus direitos já conquistados ou por reivindicações mais profundas como, por exemplo, a nacionalização ou reestatização de uma grande empresa.
Porém, fazia pelo menos 30 anos que populações inteiras não se revoltavam por causa da falta de comida, uma coisa tão elementar, em tantos lugares do mundo, e ao mesmo tempo.
A fome é uma das piores mazelas do capitalismo, pois leva o ser humano à privação mais básica de sua sobrevivência. Principalmente a partir do século XX, a fome, que tinha diminuído drasticamente com o aumento da produção no capitalismo, voltou a crescer sem parar, a partir do fim do crescimento capitalista e o começo de sua decadência.
Mas nem sempre as massas de famintos se mobilizam e tomam as ruas para lutar contra essa situação de forma generalizada. A fome enfraquece tanto um ser humano, além de aliená-lo, que debilita também sua resistência e capacidade de lutar.
Mundialmente, a inflação no setor alimentício acumula alta de 83% nos últimos três anos. Segundo o jornal alemão Der Spiegel, o preço de itens como arroz, milho e trigo, base da alimentação de populações inteiras em várias partes do mundo, subiu mais de 180% nesse mesmo período.
A burguesia tenta resolver sua crise de diminuição dos lucros, aumentando os preços e explorando ainda mais os trabalhadores. Mas isso tem conseqüências, e a burguesia acaba criando um grave problema para si própria.
A alta no preço dos alimentos a nível internacional tem provocado grandes convulsões sociais. Bangladesh, África, China e, principalmente, Haiti, foram palco de grandes mobilizações de massas em função do alto custo dos alimentos. O problema atinge muitos outros países e quem mais sofre são as populações pobres, pois o peso dos gastos com comida significa a totalidade, ou quase isso, do orçamento.
É bom lembrar que aproximadamente um bilhão de pessoas no planeta sobrevive com apenas US$ 1 por dia. Em diversos países, como Moçambique e Camarões na África, e Haiti na América Central, os enfrentamentos resultaram na morte e prisão de dezenas ou centenas de pessoas.
As causas da inflação dos alimentos
A causa da crise dos alimentos tem a ver com uma combinação de fatores. Primeiro, o aumento da demanda por alimento no mundo inteiro, principalmente na China, onde o preço médio dos alimentos subiu 21% desde o começo do ano. Mas isso não tem nada a ver com o discurso ridículo de Lula, que diz que a alta dos preços expressa o fato de que os pobres estão se alimentando muito bem. Lula não sabe mais o que é passar fome, por isso segue pagando a dívida pública, enriquecendo os banqueiros, ao invés de garantir emprego para todos e salário digno, e ainda tem tempo para ficar brincando com a miséria do mundo.
O que explica o aumento do consumo de alimentos na China é que antes a população vivia no campo, essencialmente consumindo o que ela mesma produzia. Nas cidades isso muda, pois é preciso comprar tudo que se come.
Mas, de fundo, o principal problema que leva à alta dos alimentos é a própria produção capitalista, que é anárquica. Produz-se o que dá lucro no momento, assim como se deixam áreas enormes sem utilização para fins especulativos, se desperdiça e põe fora o que não atinge os preços esperados, ou quando há superprodução... Essa é a realidade de uma economia não planejada, não planificada, como só a socialista pode ser.
Além disso, a alta do barril do petróleo, que já ultrapassa os 110 dólares, faz com que outros produtos ligados à produção de alimentos também subam. A burguesia repassa este custo, além da diminuição de seus lucros, sobre o trabalhador.
Somente com uma revolução socialista os trabalhadores conseguirão mudar suas vidas!
A luta dos trabalhadores não pode parar, pois se depender da Burguesia e de seus governos a crise será colocada sobre as costas dos trabalhadores. Não será através da eleição de nenhum governo que os problemas como a miséria e alta do preço dos alimentos serão resolvidos. Somente com mais luta, mais enfrentamento com a burguesia e os governos e com uma revolução é possível colocar um fim na crise que vive o mundo. Somente quando os trabalhadores controlarem aquilo que produzem será possível evitar e superar as crises
As lutas da classe trabalhadora só conseguirão ser vitoriosas de fato com o fim do capitalismo e a derrubada do congresso e dos governantes, para que seja construída uma sociedade livre, democrática e justa, na medida em que se destrua o atual Estado e sua classe dominante, a burguesia.
Para isso, não precisa haver mais revolta. Essencialmente, as massas já estão fazendo tudo que podem. A miséria e o desespero já estão levando populações inteiras à revolução. O que falta é justamente a existência de organizações revolucionárias para dirigir este processo e levar a classe trabalhadora a tomar o poder.
Precisamos derrubar as atuais instituições que fazem com que a exploração dure para sempre e aumente todo dia. Mais isso só vai acontecer com nossa organização em cada bairro, cada fábrica, empresa e escola, construindo um grande Movimento Revolucionário, que organize e dirija a revolução no Brasil e no mundo.
VOLTAR
|