Eleições 2008 – ganhe quem ganhar a vida seguirá a mesma

Em Outubro deste ano, serão eleitos novos prefeitos e vereadores em todas as cidades brasileiras. Os eleitos serão empossados em janeiro de 2009 e ficarão 4 anos com o poder de administrar, legislar e definir políticas em cada município. Isso já seria mais que o suficiente para que as eleições despertassem grande interesse da população.  O "normal" seria que os trabalhadores acreditassem em grandes mudanças pelo caminho do voto. É isso que a imprensa, os políticos, empresários e banqueiros gostariam que a população pensasse. Já foi assim durante muitos anos. Mas hoje não é mais!

Não é em mudança que a grande maioria dos trabalhadores pensa quando ouve falar em eleição. O que vem à mente são os escândalos de corrupção, os altos salários, as mordomias e a certeza de que, independente de quem ganhar, os eleitos vão prejudicar ainda mais a vida de cada trabalhador. Depois de 26 anos de votações "livres" para a administração das cidades, aparentemente democráticas, quase todos os partidos já estiveram à frente das prefeituras e grandes cidades. Já passaram o PSDB, o PT, o PMDB, o PP, o DEM (ex-PFL) e assim por diante. Muita gente, inclusive do PSOL, já fez parte de administrações municipais do PT, por exemplo, como o ex-prefeito de Belém, capital do Pará, Edmílson Rodrigues.

E, de "direita" ou de "esquerda", todos esses governos foram amigos dos empresários, mantiveram as leis que defendem a propriedade e o lucro dos ricos e foram carrascos para a população e funcionários públicos. O próprio Edmílson do PSOL bateu em grevistas em seu governo, igualzinho ao que fazem todos os prefeitos do PT, PSDB, etc.

Isso tudo faz com que a população conclua, e tenha razão, que sua vida não vai ter mudança nenhuma em eleição, ganhe quem ganhar. É esta desilusão e esta decepção que fazem com que as campanhas cada vez mais sejam frias, sem gosto e sem nenhum entusiasmo.

Quem nos governa de verdade nem sequer é eleito

Na realidade, os donos do país, bem como de cada cidade, não precisam ser eleitos. Eles estão por trás de quem se elege, pagando suas campanhas e escolhendo quem vai governara para manter seus negócios. São os grandes empresários, banqueiros e fazendeiros que pagam para as leis serem aprovadas de acordo com seus interesses, que compram o mandato dos vereadores eleitos, que decidem sobre qual imposto vai acabar e qual vai ser criado. Estes donos das propriedades e da riqueza do país, os burgueses, algumas vezes são eles mesmos candidatos. No entanto, na maioria das vezes, eles apenas escolhem o "testa de ferro" que vai lhes representar.

Por isso, a impressão que se tem é que há alternância nos governantes, pois mudam os nomes e até os partidos dos candidatos que são eleitos. Mas o que muda é só isso: nome e partido. O conteúdo segue sempre o mesmo! Não importa quem ganhe as eleições, o preço do ônibus segue crescendo, assim como o preço do feijão, do arroz, do aluguel... Por outro lado, seja o PT, o PSDB, o PP ou o PSOL, todos eles governam para manter a ordem atual das coisas, por dentro das "regras" e das leis, ou seja, para garantir que tudo vai ficar do jeito que está e sempre foi.

Os trabalhadores, nesta falsa democracia em que vivemos, só têm direito de escolher quem vai ser o representante dos exploradores na prefeitura, mas não pode escolher acabar com a exploração. Só conseguem se candidatar com chances de ser eleitos os candidatos com dinheiro da corrupção, da burguesia ou de sobras do próprio sistema eleitoral podre que existe. É isso que faz com que alguns partidos, mesmo de "esquerda" como o PSOL, que surgiu com a promessa de ser diferente do PT, dêem a vida para eleger um deputado que seja. A vida do partido gira em torno destes mandatos e dos mais de R$100 mil por mês, entre salário e mordomias, que ganham os parlamentares.Assim se monta o caixinha para a próxima eleição, junto com o dinheiro dos exploradores, empresários e inimigos da classe trabalhadora em geral.

Da mesma forma, o tempo na TV é quase todo dos grandes partidos, corruptos e dos empresários. Mesmo os partidos "de esquerda" se submetem a essa lógica e se coligam com qualquer um só para ganhar mais alguns segundos. Vendem seu programa em troca de alguma chance de repetir o número de seus candidatos e pedir mais uma vez o voto dos telespectadores.

A conclusão disso tudo é que, por dentro destas regras eleitorais, é impossível mudar a vida de algum trabalhador. As eleições são um jogo de cartas marcadas onde só os inimigos da população pobre são eleitos. Eles são todos iguais e nenhum governo, dentro do capitalismo, pode ser diferente.

Os revolucionários e as eleições

Para os trabalhadores e estudantes que não acreditam mais na fábula de mudar de vida pelo voto, a única alternativa é a luta e a construção de uma verdadeira revolução em suas vidas e no país.  Já há mais de 100 anos, os revolucionários discutiam com os trabalhadores a necessidade de organizarem-se em conselhos, em bairros, locais de trabalho e estudo, para a tomada do poder verdadeiramente em suas mãos. Para preparar a classe trabalhadora para este momento, é necessário um partido revolucionário, que organize e dirija os trabalhadores em uma luta para destruir todo o sistema e a "máquina" que geram e mantêm a exploração. Quer dizer, é preciso que os trabalhadores mais conscientes, os mais experientes, os mais dispostos, sejam os que dêem um passo à frente e sejam a linha de frente da luta nos sindicatos, nas associações de trabalhadores e, principalmente, como militantes do partido revolucionário.

O programa necessário aos trabalhadores, para que deixem de sofrer com o racismo, o machismo, a homofobia; com a miséria, a falta de comida, de moradia; para que todos possam ter um emprego, um salário que dê condições de ter uma vida digna; para garantir educação, cultura, saúde e lazer, é um programa socialista. É no socialismo que a riqueza produzida pelos milhões de trabalhadores, durante o dia inteiro, vai ser desfrutada pelos trabalhadores e sua família. Isso só é possível com a ruptura e a destruição das estruturas que mantém as coisas como estão, ou seja, o privilégio dos ricos, que vivem da exploração que impõe ao restante da população.

Isso significa que devemos lutar contra o próprio parlamento, a presidência da República, as Forças Armadas, a polícia, etc. Só assim vamos ganhar a maioria da classe trabalhadora para este programa de ruptura com o que está velho e levar à construção de uma nova sociedade, socialista.

Os revolucionários, desde que dizendo a verdade aos trabalhadores e deixando claro que a vida só vai mudar pela ação direta, nas ruas, com greves, manifestações e através de seus organismos, podem e devem, inclusive, participar de eleições.

O partido Bolchevique, que veio a dirigir a Revolução Russa em 1917, e mudar para sempre a história dos trabalhadores, ao acabar com a exploração burguesa na Rússia, participou de muitas eleições, chegando até mesmo a eleger deputados. Na época, as eleições se davam por dentro da ditadura do czar, o que prova que não é a falta de democracia que justifica ficarmos de fora das eleições. No entanto, os bolcheviques, assim como participaram de eleições,boicotaram outras.

Porque o critério dos revolucionários é, em toda a sua atividade política e em cada tática que utilizam, defender a necessidade da revolução. Participar ou não de eleições não é princípio. Assim como é errado ignorar quando os explorados ainda acreditam em eleição, é uma traição se jogar em eleições quando os trabalhadores estão lutando contra as instituições de conjunto e questionando o próprio poder, e se já não têm ilusões nas eleições. Foi por isso que a única alternativa de um revolucionários na Argentina de 2002, após a queda do presidente De la Rua e de seus sucessores, era boicotar as eleições. É por não haver ainda este sentimento no Brasil, que é preciso participar das eleições no Brasil. Mas, com uma tática ou outra, o princípio é sempre defender, em cada ação, a revolução, e fazer da denúncia do capitalismo e de suas eleições, uma agitação constante.

Esse é o divisor de águas entre os revolucionários e os oportunistas. Tanto um como outro têm o socialismo e a revolução nos seus programas, repetem muitas vezes a história das revoluções e discursam para seus militantes sobre o dia em que ela vai acontecer. Um oportunista também fica furioso se dizem que ele não é revolucionário. Mas a diferença é que os revolucionários colocam isso no dia-a-dia de suas intervenções nos atos, nos programas das chapas que fazem parte para um grêmio estudantil ou sindicato, em panfletos e agitações dos quais tomam parte. Os oportunistas, por outro lado, falam do socialismo, mas nos "dias de festa", como no 1o de Maio, ou em aberturas de congressos e situações parecidas. Na prática, fazem o contrário. Coligam com o governo em muitos sindicatos, não falam nem sequer em Lula em atos que participam, são os maiores defensores de candidaturas e frentes com programas capitalistas nas eleições...

Para os revolucionários, as eleições deste ano, mais uma vez, vão pôr à prova quem está trabalhadores. Porque não basta querer ser revolucionário. É preciso agir de acordo com isso. Não é o caminho mais simples, nem o mais aplaudido em épocas "de paz", mas é a obrigação e o compromisso daqueles que sabem da necessidade de acabar com a exploração capitalista. 

Os trabalhadores já fizeram a experiência. Não precisamos de um novo PT

   Nestas eleições o PT e o PSDB, junto de seus partidos aliados, vão tentar transformar a opção dos trabalhadores entre o ruim e o pior ainda. Vão se atacar, mas, ao mesmo tempo, defender as mesmas "soluções". Vão ser pagos pelos mesmos empresários, fazer as mesmas promessas e, se eleitos, atacar do mesmo jeito os trabalhadores.

Como "alternativa" a isso, vão existir as candidaturas do PSOL. Que saída aponta o PSOL de Heloísa Helena aos trabalhadores? Nenhuma!

Apesar de o PSOL contar com muitos dos melhores militantes do funcionalismo público, do movimento estudantil e de lutas dos trabalhadores, não é a boa intenção destes ativistas de base que vai definir o que o PSOL defende. Quem manda no PSOL são os parlamentares, e a lógica do PSOL é seguir elegendo parlamentares. O PSOL  é um partido eleitoreiro, acima de tudo. mesmo quando participa de lutas, a direção do PSOL conta quantos votos vai ganhar com aquilo.

O resultado é que, mesmo sozinho, com o PSTU ou com quem quer que seja, o PSOL não abre mão e impõe um programa de defesa do desenvolvimento capitalista a suas candidaturas. O PSOL defende a burguesia industrial como o "bom burguês". O PSOL votou contra os direitos trabalhistas no SuperSimples, e a coligação com o PSTU foi contra o direito ao aborto, disse que, se eleita ia acabar com as ocupações de sem-terra e defendeu os empresários nacionais.

O programa do PSOL e da frente de "esquerda" era burguês, e típico de uma Frente Popular, inimiga dos trabalhadores. Nestas eleições, o OSOL foi mais longe, e está coligado diretamente com a burguesia em algumas cidades, como o PV em Porto Alegre. Isso quer dizer que tem dinheiro burguês pagando a eleição dos candidatos do PSOL. O PSOL já está muito mais à direita do que o PT esteve depois de muitos anos.

Os revolucionários repudiam e chamam os trabalhadores a não votar em nenhuma candidatura que defenda os interesses da burguesia nestas eleições. Nós devemos sim participar do debate das eleições e, à medida que ainda há setores da classe trabalhadora que têm um pouco que seja de esperança nas eleições, nós precisamos fazer uma campanha revolucionária também neste terreno. Mas fazer campanha eleitoral, neste caso, é chamar a não votar em candidaturas que defendem os exploradores ou a conciliação com eles. Neste caso, as candidaturas de Frente Popular são nocivas e inimigas das lutas reais dos trabalhadores, por direitos trabalhistas, pelo direito à saúde, à legalização do aborto, ao emprego, à terra e pelo fim da exploração.

O Movimento Revolucionário entende que somente com candidaturas classistas, compostas por partidos que  ainda não tenham passado integralmente ao campo do programa da burguesia é possível apresentar uma saída aos trabalhadores. Defendemos que se construa uma Frente a partir do PSTU, que é o único partido com legalidade, nestas condições, que incorpore todos os revolucionários, socialistas e trabalhadores lutadores, com um programa de ruptura com o capitalismo, o imperialismo e a falsa democracia que vivemos. Defendemos que o programa seja submetido a plenárias abertas e decidido democraticamente, e não pelas cúpulas das organizações. Esta frente, mesmo municipal, só pode ser classista se tiver um programa nacional e internacional, e por isso não é possível ser classista só porque foi "o que sobrou" para fazer, pois, naquela cidade, o PSOL escolheu um burguês de aliado.

Só é possível o PSTU poder ocupar este papel de dirigir uma frente classista se romper com a coligação que montou em dezenas de cidades com o PSOL, mais uma vez numa Frente Popular, burguesa, e com aliados burgueses, de tabela.

Infelizmente não é essa a opção da direção do PSTU, em seu novo curso, após abandonar seu programa e seu passado revolucionário, nos últimos anos. Se esta for, realmente, a escolha do PSTU, os trabalhadores não terão candidatos que os defendam nestas eleições! 

 

 

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