I CONGRESSO: A CONLUTAS E SUA CRISE DE IDENTIDADE

Entre os dias 3 e 6 de Julho aconteceu na cidade de Betim (MG) o I Congresso Nacional da CONLUTAS. A CONLUTAS é a central de trabalhadores, movimento popular   e estudantes que surgiu no lugar da CUT e da UNE, entidades que abandonaram a luta e se venderam ao governo Lula. O Movimento Revolucionário esteve presente nesse congresso, discutindo com os trabalhadores urbanos e do campo; sem teto; sem terra; estudantes; quais os rumos que devem tomar a CONLUTAS para que ela sirva como ferramenta de luta em defesa da classe trabalhadora e do socialismo.

O congresso contou com a participação de pouco mais de 2000 ativistas. Numericamente, foi um congresso menor que o de fundação da CONLUTAS, 3 anos atrás, e também menor do que era esperado, pois se chegou a prever até 7 mil delegados! De qualquer forma, pela representatividade de entidades, e pelo papel que pode cumprir no país, se demonstra a força que pode ter a CONLUTAS.

Falta mais discussão política e democracia

As discussões giraram em torno de painéis e grupos de discussão, onde foram apresentados temas como conjuntura política, estrutura sindical, organização da Conlutas e seu papel nas eleições municipais, por exemplo. Nos painéis, infelizmente, só  aposição da maioria da Conlutas é representada. Não há discussão e sim propaganda de uma concepção única dentro da Conlutas, nestes momentos. Nos grupos, ao contrário, é onde se expressão o período de maior participação da base, e do conjunto da classe trabalhadora, através de seus representantes. è uma pena apenas que os grupos tenham que ter sido corridos, com intervenções limitadas e menos tempo que o necessário. No entanto, nós reivindicamos a concepção de discussão por meio dos grupos, e achamos positiva sua experiência.

Apesar do número inferior de participantes e de todos os problemas que existem na CONLUTAS, principalmente a política levada a cabo por sua direção majoritária que se afasta cada vez mais de uma entidade radical, combativa e socialista, o Movimento Revolucionário segue achando que a construção da CONLUTAS foi um grande avanço no que se refere à organização dos trabalhadores no Brasil. Ela é a única entidade que pode aglutinar trabalhadores, estudantes, desempregados, movimentos populares, para travar a luta contra o governo Lula, o congresso nacional, e o capitalismo.

Se tomarmos como parâmetro a fantasia criada pela direção da CONLUTAS, em particular o PSTU, como projeção do Congresso, diríamos que ele foi um fracasso! Esta "visão" do congresso,era de até 7 mil delegados, correntes oportunistas do PSOL se consolidando na CONLUTAS, além da preparação apoteótica do fim da própria CONLUTAS para se juntar com a Intersindical, central burocrática que sequer rompeu com a CUT. Mas nós não achamos que o congresso tenha sido um fracasso. pelo contrário: achamos que reuniu a maior parte dos melhores ativistas de categorias muito importantes,  e outros ainda mais a tomam como referência a partir de seu enfrentamento contra o governo e os dirigentes traidores. 

A realização de um congresso menor, além do abandono da CONLUTAS por parte de MES e MTL (correntes do partido PSOL), é uma derrota não da CONLUTAS, mas dos erros da sua direção. Nos últimos anos, foi uma opção do setor majoritário da CONLUTAS priorizar a aliança com grupos ao invés de com  a base. Se correu atrás e se recuou de muita coisa (como combater a política de ataques aos trabalhadores feita por Chávez na Venezuela), só para agradar e aproximar esses setores eleitoreiros e oportunistas do PSOL. O resultado é este: um congresso caro, com uma organização menor que o necessário para levar os delegados eleitos, e tudo "pronto" para ser uma confraternização com os setores semi-governistas da Intersindical e PSOL. Não foi isso que ocorreu e devemos saber tirar as lições desse resultado.

O MAIS IMPORTANTE, COMO SEMPRE, É O PROGRAMA

O Movimento Revolucionário vem discutindo em seus materiais entre os trabalhadores, já há muito tempo,  o debate a respeito de qual rumo está tomando a entidade. Nesse sentido temos vários exemplos na realidade que demonstram um abandono do programa e princípios que nortearam a fundação da CONLUTAS, com um rebaixamento político em nome de uma suposta unidade e do crescimento a qualquer custo. Achamos muito importante a unidade e queremos sinceramente que a CONLUTAS cresça, mas não para perder seu programa e razão de ser. Para nós este é o problema. A democracia em si,e a falta de discussão seriam problemas menores, não fossem o fato de que são afetadas exatamente por conta de uma política que se torna cada vez mais, perigosamente, próxima da burocratização, das lutas só econômicas e do oportunismo sindical, com chapas montadas para ganhar eleição de sindicato,mesmo que com os inimigos e contra os trabalhadores.

Como direção majoritária, o PSTU oscila entre uma postura combativa, de colocar a Conlutas nas trincheiras das lutas em muitos locais, com um papel bem diferente em outros lugares. É do PSTU que nascem exemplos lamentáveis, onde a Conlutas tem seu programa esquecido, chegando ao ponto de apoiar chapas da CUT, como nos trabalhadores em educação do RS. Com esta postura, a atual direção da Conlutas não serve para conduzir o Ascenso de massas que pode vir no Brasil. Porque, mesmo quando "acerta", canaliza estes acertos e combates para afirmar um programa globalmente oportunista.

Fruto dessa política oportunista, a CONLUTAS vem deixando de ocupar um espaço que é seu, de representar o que existe de mais progressivo entre os trabalhadores que é o descontentamento com o regime democrático burguês, com o governo Lula, inclusive deixando de incentivar a ruptura com a CUT (como no RS onde saíram juntos com esta central traidora). A CONLUTAS devia estar à frente da denúncia da farsa eleitoral que vivemos hoje, por exemplo. Isso não significa boicotar as eleições, muito pelo contrário: se poderiam ter candidatos classistas e só não há essa alternativa porque a direção da CONLUTAS optou, mais uma vez, por construir Frentes Populares, burguesas em seu conteúdo. Mas, mesmo assim, porque não organizar a denúncia desse regime como um todo? A CONLUTAS não faz nada a respeito.

Uma batalha contra o oportunismo e em defesa do Socialismo

O Movimento Revolucionário travou as polêmicas necessárias, na apresentação da sua tese, nos grupos em que participou, discutindo com os ativistas que a CONLUTAS não pode ficar à espera dos setores do PSOL e de suas campanhas eleitorais; que a luta contra o governo não deve se resumir a exigir de Lula, mas sim colocar sua derrota como nosso objetivo (e a última greve dos Correios é a prova de que isso é possível). Além disso, a CONLUTAS deve assumir um caráter anti-regime, falar também em revolução e socialismo nas greves e manifestações, e não só nos dias de festa.

Saímos muito orgulhosos de nossa participação nesse congresso, pois pudemos apresentar para muitos lutadores do Brasil que existe uma alternativa de direção, que prioriza a luta direta e não o calendário eleitoral, apresentando um programa de ruptura com o capitalismo e de luta pela Revolução Socialista.

De forma honesta e conscientes do longo caminho que temos pela frente, convidamos a todos os trabalhadores a virem nos ajudar a dar a disputa necessária. Para que não acabem com a CONLUTAS em nome da fusão com a INTERSINDICAL, mas principalmente se somarem conosco na construção de uma organização revolucionária no Brasil e no mundo. As portas do Movimento Revolucionário estão abertas a todos àqueles que queiram se somar a essa luta!

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