Oriente Médio: Crescem as lutas contra Israel e os EUA

        Recentemente, a luta dos trabalhadores do Oriente Médio contra o imperialismo e Israel vem ganhando destaque na conjuntura política mundial. São mobilizações de massas em países como Líbano, Palestina, Irã, além da resistência no Iraque e a mobilização em países como Síria, fazem com que esta região seja o principal foco do ascenso dos trabalhadores contra o imperialismo.

Estas lutas, em geral surgem como resposta aos ataques que os povos sofrem, neste sentido sendo “defensivas” e de resistência, num primeiro momento. Mas a força da classe trabalhadora destes países e o ódio contra a exploração e dominação dos Estados Unidos e dos governos capachos da região, fazem com que o que começa como defesa se transforme em ataque logo em seguida.

O Oriente Médio é a expressão máxima da situação revolucionária que vive a maior parte do mundo hoje. De um lado a burguesia atacando; de outro os trabalhadores respondendo de igual para igual e abalando a estrutura do sistema. As lutas se tornam tão duras e radicais, e a firmeza dos trabalhadores é tão grande, que as vitórias que pareciam impossíveis começam a se repetir.

Israel não é mais invencível! Derrotar os EUA e o sionismo

        Nas últimas semanas de Julho, Israel foi obrigado a fazer um acordo com o Hezbollah, sendo obrigado a libertar e devolver com vida, o principal dirigente da guerrilha libanesa, Samir Kantar, que era prisioneiro de Israel desde 1979. Junto com Kantar, foram libertados mais 4 militantes e 185 corpos de combatentes da guerrilha libanesa e de outras forças em luta. Em troca, Israel recebeu as ossadas de seus 2 soldados seqüestrados na guerra contra o Hezbollah de 2006. A “devolução” dos 2 soldados sionistas mortos é a expressão final da derrota de Israel no conflito. Israel invadiu o sul do Líbano anunciando que iria esmagar o Hezbollah. Levou uma surra, o Hezbollah ganhou mais prestígio e força no Líbano, e os grandes derrotados foram Israel (que teve ministros demitidos e saiu fragilizado), os Estados Unidos, que tiveram que passar à negociação, e o governo vendido do Líbano, que não fez nada para defender o país.

Esse último acordo é péssimo para Israel, pois a volta de um dirigente importante do Hezbollah só fortalece a luta contra o Estado sionista e semi-nazista de Israel,que vê os trabalhadores cercarem seu território cada vez com mais força.

        Ainda no Líbano, o Hezbollah promoveu uma poderosa greve geral contra o governo, que é alinhado com os EUA, e queria fechar uma emissora de televisão ligada ao grupo. A greve balançou o país e tomou conta das principais ruas da capital do Líbano. O Hezbollah só não tomou o poder de assalto porque não quis, mas sem dúvida está mais forte hoje em dia.

        Outro povo que impôs uma importante derrota a Israel foi o palestino, que depois de ser isolado com o bloqueio que israelense que impedia a entrada de comida, remédios e energia na Faixa de Gaza, e sofrer com os ataques militares diários dos israelenses covardes, que jogam bombas e tanques sobre crianças e pessoas desarmadas, conseguiu vencer. Graças a sua resistência e luta, os palestinos impuseram um cessar fogo e acabaram com o bloqueio imposto por Israel a Gaza. O grupo Fatah (pró Israel e EUA, hoje em dia) está enfraquecido e o próprio Hamas, que tenta recuar em muitos momentos, é levado adiante pela força das mobilizações da massa, que está muito mais radicalizada e em luta do que suas organizações dirigentes.

        Palestina, Síria e Líbano são só os vizinhos diretos que hoje ameaçam impor uma derrota histórica ao estado ilegítimo e terrorista de Israel, numa batalha em que, por décadas, os trabalhadores só perderam e que hoje podem ganhar!

Iraque, Afeganistão e Irã: “construir um, dois, mil Vietnãs”

Soma-se a isso o povo iraquiano, que continua dando uma lição ao mundo inteiro ao continuar derrotando os mais de 150 mil americanos super-armados, equipados com bombas de destruição de massa, aviões, mísseis e mais um exército com centenas de mercenários de tropas particulares e de empresas paramilitares, chamadas de “segurança”. A resistência iraquiana tem dado uma verdadeira surra nas forças invasoras imperialistas.

Os Estados Unidos estão sendo derrotados e já admitem isso, indiretamente. A maioria dos aliados, inclusive a Inglaterra, já se retirou do Iraque. Sobraram só os EUA, e, conforme Barack Obama, favorito às eleições americanas, o prazo para sair seria em menos de 2 anos. Os Estados Unidos já perderam esta guerra, e agora refletem sobre como e qual o melhor momento de preparar a fuga do país.

A conseqüência dessa derrota no Iraque, é que o povo do Afeganistão, que parecia ter sido derrotado pelos EUA, ganhou novo ânimo e hoje, segundo o próprio governo norte-americano, já vem provocando maior número de baixas e mortes que o próprio Iraque. O mesmo Obama, que sabe que terá que fugir do Iraque, já deixou claro que pretende reforçar o contingente no Afeganistão.

        E, por último, há o Irã, envolvido no enriquecimento de urânio, matéria prima nuclear, que pode ter uso militar, através da bomba atômica. Depois de, apoiado no movimento de massas de seu país e da região toda, o governo iraniano ameaçar os Estados Unidos e fazer questão de demonstrar o poder de alcance de seus mísseis, que podem atingir as tropas americanas em todo o Oriente Médio e todo território de Israel, o Irã teve outra vitória política.   

        Israel, através de seu ministro da Defesa, ameaçou o Irã, numa continuação da política genocida que sempre tiveram. Mas dessa vez, no próprio governo de Israel, e principalmente por parte de seus chefes, do governo Bush dos EUA, se ouviram vozes para que o ministro se calasse. O setor mais lúcido do imperialismo percebe que é a hora de tentar comprar o Hamas e o Hezbollah, apelar para a diplomacia como Irã, etc., pois na base da força nem Israel nem os Estados Unidos têm condições de impor mais nada!

        Como disse Ernesto “Che” Guevara, um revolucionário internacionalista (apesar de seus erros políticos). Sobre a guerra dos EUA contra o Vietnã, na década de 60, e que foi vencida pelos socialistas vietnamitas somente alguns anos depois de sua morte, “é preciso construir um, dois, mil, Vietnãs”. Se antes havia a dúvida se o Iraque seria um novo Vietnã, hoje essa dúvida não existe mais. A questão é saber quantos mais Vietnãs conseguiremos construir até derrotar o imperialismo e o capitalismo como um todo.   

Um Barril de pólvora encharcado de petróleo

        O crescimento das lutas no Oriente Médio não se dá por acaso. Um dos elementos chaves para a ampliação das lutas e enfrentamentos dos povos com Israel e o imperialismo americano, principalmente, está na crise econômica dos EUA. Segundo dados do OPEP, quase 70% do petróleo mundial vem da região. Os Estados Unidos são o maior consumidor mundial de petróleo, e por isso lançaram mão de todas as táticas possíveis para tentar controlar o Oriente Médio.

Como parte deste objetivo, ocupou militarmente o Afeganistão, sob a desculpa do combate ao terrorismo, e depois invadiu o Iraque alegando querer implantar a democracia no país e achar as armas de destruição em massa, que nunca existiram.

        O que o imperialismo não esperava era que os povos do Oriente Médio pudessem impor tamanha resistência. E toda a luta dos povos do Oriente Médio põe em risco uma das principais fontes de petróleo dos EUA. Cada bomba e cada atentado contra os ocupantes é um passo na libertação desses povos, além de aumentar alguns centavos a mais o preço do barril de petróleo no mercado internacional.

O preço pode ultrapassar os US$150 em pouco tempo, e toda a economia mundial pode entrar em colapso, pois essa situação reduz muito o lucro da burguesia imperialista, gerando crises e falência em muitas multinacionais. Os setores mais sensíveis economicamente são os primeiros a sentir os efeitos da recessão, aumento da inadimplência, subida dos preços de matérias-primas e restrições de crédito.

Como um efeito dominó, os demais setores, antes tão fortes, vão se tornando mais vulneráveis com a queda de ramos mais fracos. É esse contágio que obriga os EUA a gastar trilhões de dólares para intervir na economia e tentar evitar o caos para a burguesia.

É este cenário que espera os trabalhadores: muitos ataques e muita luta. O Oriente Médio é nosso exemplo!

Um povo lutador, com uma direção incapaz de levá-los a vitória

         A história recente das lutas no Oriente Médio vem demonstrando a verdadeira face das guerrilhas e das direções islâmicas do movimento de massas. O Hezbollah derrotou os militantes pró-governo libanês nas ruas, no episódio da tentaiva de fechamento de sua emissora de TV. Com isso, esse grupo xiita provou que é a maior força militar do Líbano.

Mas, mesmo depois de dar uma surra no governo, contando com o apoio da população libanesa, o Hezbollah só não tomou o poder porque não quis. Isso se explica porque, mesmo que seu programa político seja radical contra o Estado genocida de Israel e contra os EUA, a alternativa que apresenta para o povo libanês, é um Estado capitalista, em que permanecem as estruturas essenciais do sistema social atual, com poucos exploradores explorando muitos explorados. A diferença do Hezbollahnão é quanto ao tipo de Estado burguês, mas ao regime. Contra a falida democracia-burguesa pró imperialista, eles propõe um regime fundamentalista religioso, teocrático, mas de enfrentamento ao imperialismo.

Este governo, na prática, não seria capaz de atender às necessidades da maioria da população. A concepção política do Hezbollah expressa uma visão nacionalista e moralista, que é expressão do sentimento e luta progressivos da massa, mas que, em si, representa muito do atraso ideológico típico de grupos religiosos. O governo que o Hezbollah defende não rompe com o capitalismo, e está nos limites da defesa de uma burguesia local, nacionalista. Não lutam contra a exploração, pela unidade de todos os trabalhadores contra o imperialismo e os patrões. Lutam por um Estado dos xiitas, principalmente, onde seguiriam existindo os donos de empresas de um lado e os pobres e explorados do outro.

É por ser radical na forma de luta, mas moderado e oportunista na política, que o Hezbollah participou até há pouco do governo que agora pode derrubar. É por isso que aceitou retirar suas tropas das ruas, mesmo sabendo que podia tomar o poder. O Hezbollah faz questão de desmentir a intenção de tomar o poder, exatamente porque não luta contra o conjunto da realidade capitalista no Líbano.

                 Da mesma forma o Hamas palestino também se mostrou incapaz de apresentar uma real alternativa aos trabalhadores palestinos. Depois de ser eleito como governo do território palestino, o Hamas tomou um golpe dos EUA e do FATAH (grupo pró-EUA) e perdeu o controle da Cisjordânia. Diante do golpe imperialista, e da traição do FATAH, o Hamas não aprofunda a luta para destruir Israel, e unificar a Palestina sobre a unidade de árabes e judeus.

Ao invés de fazer o chamado à unidade na luta com todos que queiram construir uma Palestina laica e não racista, onde convivam todos os povos, a partir do fim do Estado racista e terrorista de Israel, o Hamas faz o contrário. É sectário, e se isola, ao defende um Estado islâmico, que não representa todos os trabalhadores. Por outro lado é oportunista, porque já declarou poder reconhecer Israel e abandonar a luta por uma única Palestina, desde que se discutisse o status de Jerusalém, etc. Ou seja, o Hamas também quer se vender: só seu preço é mais alto que o do Fatah.  

Pela construção de um partido revolucionário nos países do Oriente Médio. Por uma revolução árabe socialista.

Diante das traições e capitulações das guerrilhas e exércitos islâmicos, como o Hamas e Hezbollah, e dos grupos democráticos burgueses, todos eles reformistas e pró-americanos, se coloca a necessidade dos trabalhadores árabes buscarem outros caminhos e objetivos para suas lutas.

Não será possível derrotar o imperialismo se seguirem apoiando o programa defendido pelas suas antigas direções. Só há uma solução para os trabalhadores explorados do Líbano, Síria, Palestina, Iraque, Irã, Arábia Saudita, Jordânia, etc. É construir um governo deles mesmos, a partir da derrubada dos governos fantoches de cada um destes países.

As massas trabalhadoras precisam derrotar o imperialismo dos Estados Unidos e todos seus representantes nacionais, derrubando os governos vendidos destes países e destruindo o próprio Estado burguês que existe em todos eles. Somente em Estados operários, produtos de revoluções socialistas em cada um destes países, vai-se poder avançar para que haja um único Estado árabe, para um único povo árabe, em associação com os judeus, persas e demais povos da região em uma Federação Socialista do Oriente Médio. Somente dessa forma, pode haver paz e liberdade para todos os trabalhadores da região.

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