BRASIL: EXPLORADO PELOS EUA; EXPLORADOR DOS VIZINHOS LATINO-AMERICANOS

Nos últimos anos tem sido comum vermos conflitos de empresas brasileiras com os governos dos países latino-americanos. Na Bolívia, o conflito central foi com a PETROBRAS, mas também acaba de ser expulsa a empreiteira Queiroz Galvão. No Equador, o caso é semelhante, com protestos contra a Petrobrás, e a expulsão da Odebrecht, também empreiteira envolvida em corrupção no Brasil, que roubou e fez obras que desmoronavam no Equador. No Paraguai, o governo exige que o Brasil pague um valor justo pela energia que consome de Itaipu, ao mesmo tempo em que os latifundiários brasileiros instalados no país são ameaçados pelo movimento sem terra paraguaio.

Outro país onde Brasil está em conflito é o Haiti. Lá o exército brasileiro lidera a ocupação do país, sob ordens da ONU e dos Estados Unidos, com a desculpa de garantir a paz, mas, na verdade, para garantir sua dominação do país. A entrada do Brasil nesse conflito se deu por ordens dos EUA e da ONU, e a ocupação brasileira ao Haiti já dura anos, com muitas mortes civis, denúncias de estupros cometidos por soldados e a miséria haitiana ainda maior.

Estes processos maiores, não podem esconder milhares de outros pequenos processos, que ocorrem sem parar, em que as empresas brasileiras estão comprando, por preços de banana, e se apossando da riqueza de países como Argentina, Peru, Uruguai, etc. Nos ramos de bebidas, automóveis, siderurgia e petróleo, multinacionais do Brasil tomam conta da região.

O Brasil como representante do Imperialismo na América latina

Os setores que defendem o governo no movimento afirmam que a política externa teria como principal objetivo a integração regional. Mas o que se tem visto, na prática, é que as atitudes do Brasil vão no sentido de garantir a dominação e exploração dos países vizinhos pelas multinacionais, algo que definitivamente vai contra o discurso da solidariedade e integração.

Isso ocorre porque a economia brasileira é totalmente dominada pelo capital estrangeiro. Grande parte do PIB brasileiro, quase 25%, está nas mãos das empresas multinacionais estrangeiras, européias e norte-americanas. Mesmo o que é "brasileiro" está associado e é dependente das multinacionais imperialistas.

Justamente por isso o imperialismo usa o Brasil como uma plataforma de exportação de produtos agrícolas e industriais, fabricados pelas multinacionais aqui instaladas. As proposta brasileiras de "integração regional", como o Mercosul, feitas pelo Brasil visam beneficiar essas empresas estrangeiras principalmente, e a burguesia brasileira, em 2º plano.

Outro fator que faz com que o Brasil seja o principal aliado dos EUA é o seu peso econômico em relação ao continente: são as empresas brasileiras, por seu tamanho, que podem cumprir um papel semelhante às multinacionais nos países latino-americanos. Assim, acabam como "testas de ferro" do imperialismo na região.

É o caso da Petrobras na Bolívia e na Colômbia, onde a estatal é, respectivamente, a primeira e a segunda petroleira mais importante. Não é por menos que a Petrobras é o principal alvo da luta dos bolivianos pela nacionalização do gás.

Há também que se destacar o papel governo brasileiro e suas "missões econômicas", onde o governo e mais um grupo de representantes das maiores empresas instaladas no Brasil visitam os países vizinhos para estabelecer oferecer seus produtos e serviços. O resultado mais visível destas missões foi a Odebrecht no Equador. A empreiteira brasileira foi contratada pelo governo equatoriano para construir uma série de usinas de geração de energia, mas a primeira que concluiu apresentou diversas falhas estruturais; a obra custou o dobro do preço por causa do superfaturamento promovido pela empreiteira; e a empresa brasileira foi acabou sendo expulsa do Equador. Diante disso, Lula, o tempo inteiro, defendeu a Odebrecht ameaçando o vizinho latino americano.

Isso não faz do Brasil um país imperialista, pois o imperialismo consiste na fase superior do capitalismo, e é inatingível para economias subalternas, como a brasileira. Isso tem de ficar claro: o que predomina no Brasil, não é seu lado "explorador", mas seu caráter de explorado, de um semi-colônia dependente econômica, política e militarmente. Porém, nem todos os explorados são igualmente explorados. Aí é que entra o Brasil, com seu papel de sub-metrópole. É via Brasil que o imperialismo explora e controla mais diretamente o resto da América Latina, além de países africanos.

Lula e a "esquerda" brasileira: bombeiros do imperialismo na América Latina

Além atuar para favorecer e facilitar a exploração da América Latina pela burguesia imperialista, o governo Lula age como "bombeiro" da América Latina, intervindo em processos revolucionários para fazer retroceder a luta das massas. Foi o que ocorreu na Bolívia desde 2003, após as insurreições que derrubaram dois presidentes. O mesmo se deu na Venezuela, onde Lula propõe conciliar a oposição golpista e fascista e o governo Chávez. No Equador, foi Lula quem mandou um helicóptero salvar o presidente Lúcio Gutierrez, inimigo dos trabalhadores que estava cercado na Embaixada brasileira. No Peru, Argentina e até mesmo na Colômbia alaida de Bush, Lula faz o mesmo. A denúncia contra as FARC, quando este grupo era trucidado pelo presidente colombiano Álvaro Uribe, é a prova de que Lula é um capacho e papagaio de Washington.

Mas Lula e o PT não estão sozinhos nesta tarefa. Setores como o PSOL, para defender o nacionalismo burguês, também atacam os trabalhadores sul-americanos. Quando a Bolívia ocupou refinarias da Petrobrás, por exemplo, Heloísa Helena defendeu punições por parte do Brasil. Na Venezuela, o PSOL critica a direita fascista, mas é papagaio de Chávez, que reprime os trabalhadores e segue pagando a dívida e mandando petróleo aos EUA.  

É preciso lutar contra Lula, o imperialismo e a burguesia

            Os trabalhadores latino-americanos têm um principal adversário em sua luta por melhores condições de vida: o imperialismo, que explora e submete seus países à miséria. Por isso, qualquer luta coerente que os trabalhadores desenvolvam deve passar pelo enfrentamento direto com a burguesia imperialista, as multinacionais e os governos lacaios dos EUA.

            Juntamente com isso, os trabalhadores enfrentam outro adversário, que são os funcionários de Bush no continente. O governo Lula, que trabalha incansavelmente para garantir os lucros do imperialismo na America Latina, e os outros governos de Frente Popular, são os responsáveis por conter os trabalhadores e garantir a "calma social" necessária para que tudo siga como está.          

Apenas com a derrota de todos os governos latino-americanos será possível derrotar também o imperialismo. Neste sentido, a derrota do governo brasileiro, em todos os países vizinhos, fortalece a luta dos povos explorados, inclusive a do povo brasileiro, que não ganha nada com a invasão de multinacionais brasileiras para empobrecer nossos irmãos latinos.

Precisamos romper com o capitalismo, e construir direções revolucionárias para a classe trabalhadora poder garantir sua verdadeira independência, liberdade e uma sociedade justa, onde as fronteiras sejam derrubadas e a classe trabalhadora governe sem preconceitos, exploração e ódios nacionais.

 

 

 

VOLTAR