Capitalismo em crise!

PREJUÍZOS HISTÓRICOS

A economia capitalista atravessa uma das piores crises de sua História. A bolha imobiliária que estourou nos EUA contaminou o conjunto do sistema financeiro do imperialismo, e do mundo inteiro, por conseqüência. Além da crise nas bolsas de valores, a economia real, ou seja, os preços dos produtos, o salário dos trabalhadores, o emprego, está desmoronando e a recessão econômica (quando o PIB deixa de crescer) já é realidade nos EUA, na Europa e na Ásia.

Os prejuízos com a crise já são gigantescos. Nos Estados Unidos, faliram as 2 maiores companhias imobiliárias, acabaram os 5 maiores bancos de investimento (entre falência, venda ou alteração para banco comercial) e a maior seguradora teve que ser salva pelo governo. Entidades financeiras tradicionais foram estatizadas, montadoras como GM e FORD anunciam dezenas de milhares de demissões, e o país todo caminha para o buraco. Nestas iniciativas, Bush, ajudado tanto por Republicanos como por Democratas, já gastou centenas de bilhões de dólares e pretende gastar outros US$ 850 bi.  

Na Europa, o caminho é o mesmo. Governos da Inglaterra, Holanda, Alemanha, Islândia e outros, estatizam grande parte de seus bancos, por um lado, e por outro simplesmente despejam dinheiro para salvar seus grandes empresários e banqueiros. O socorro à burguesia, pago por dinheiro público, deve ultrapassar incríveis US$ 2,5 trilhões.

Somente em poucos dias de Outubro, as ações das grandes empresas caíram mais de 20%. Todo o crescimento artificial dos últimos 2 anos evaporou desde o início da crise, com as bolsas acumulando perdas praticamente todos as semanas. Mesmo com a intervenção estatal e os trilhões de dólares anunciados, a crise não pára, pois é estrutural, ou seja do próprio funcionamento do capitalismo. A verdade é uma só: a crise veio para durar e já provoca efeitos avassaladores no mundo todo!

O FIM DO NEOLIBERALISMO E DO MITO DO CAPITALISMO ETERNO

O mais importante nessa crise, do ponto de vista político e ideológico, é a derrota de todo o discurso propagado desde o fim do Leste Europeu a respeito de um capitalismo vitorioso, eterno e inquebrável. Além disso, mais uma vez na história, cai o mito do livre mercado e da não intervenção do Estado na economia, um dos pilares do neoliberalismo.

A solução apontada pelo capitalismo em 2008 é a mesma da utilizada em 1929: o Estado burguês tendo que salvar os próprios burgueses. Essa é mais uma prova da superioridade da economia planificada, estatizada sob controle dos trabalhadores. Somente com uma economia nestes termos, socialista, é possível acabar com o desperdício, produzir de acordo com a necessidade, e não o lucro e racionalizar a produção, acabando com a anarquia atual e podendo multiplicar dezenas de vezes a riqueza existente.

A solução adotada pelos governos imperialistas e semi-coloniais, hoje, é apenas um remendo, e não resolve coisa nenhuma, a longo prazo. Isso porque, ao contrário do que dizem os "especialistas" pagos pelos banqueiros (os mesmo que diziam que tudo estava bem até pouco tempo atrás), a crise atual não é só de liquidez (disponibilidade de dinheiro) ou de falta de regulamentação.

O que está acontecendo hoje, é mais uma crise de superprodução capitalista. A diferença é que não são apenas sacas de café, açúcar ou automóveis que estão sendo produzidos em excesso. Por isso, não basta enterrar comida, queimar café, ou parar de produzir por algumas semanas. Desta vez, a crise de superprodução é também, e principalmente, financeira. É o capital, reproduzindo mais capital, através da especulação com mercadorias e ações de empresas, que está abundante e está sendo "queimado".

No capitalismo, as forças produtivas, isto é, o conjunto da riqueza gerada, não pode mais crescer. Não que não existam novas descobertas e técnicas mais modernas de produção. Isto existe, assim como existe mais capital disponível. Mas o problema é exatamente esse: no capitalismo as mercadorias só têm "saída", se alguém tem dinheiro para comprá-las. Como o desemprego cresce, os pobres são bilhões no mundo inteiro, e a produção feita coletivamente vai para na mão de alguns poucos milionários, não há mercado consumidor para tanta produção.

Do ponto de vista da estrutura do modo de produção, as forças produtivas já se esgotaram. O avanço da técnica já não significa mais melhoria na qualidade de vida da humanidade, e o próprio avanço da ciência e tecnologia é freado em função dos grandes monopólios e da falta de poder aquisitivo da população. Além disso, em função da anarquia da economia capitalista, sempre chega um momento onde existe mais produção do que consumo, fazendo com que os preços despenquem e os burgueses diminuam a produção, com cortes de salário, direitos e demissões.

Por outro lado, sabendo disso, muitos burgueses não investem em fábricas, mas em ações. O capital é "desviado" da produção para a especulação (as bolsas). E, sob o ponto de vista financeiro, este capital também gera "superprodução", ou seja, as bolhas que todos falam. As empresas adquirem valores de mercado que são irreais, absurdos e superestimados. Um burguês compra uma ação de R$ 5 por R$ 20, mesmo sabendo que o valor é artificial, esperando vender para outro por R$ 30. É óbvio que isso não poderia durar para sempre! Só que o capitalismo só se sustenta, exatamente por conta das bolsas, da especulação e da conversão de riqueza para fora do sistema produtivo, tentando "driblar" sua crise crônica de não poder mais crescer. Esta crise, portanto, não é apenas do neoliberalismo mais de direita, das privatizações, mas de toda a teoria capitalista.

Cada vez menos condições de controlar a situação

Embora já seja público que o capitalismo, periodicamente, alterna períodos de crescimento com outros de crise, chamadas de cíclicas, esta situação é, na verdade, ainda mais grave. Ao contrário da idéia que o ciclo dá, de que, ao final da crise, vai-se voltar a crescer, a imagem mais adequada seria a do espiral.

Por um lado, fica provado eu resultados bons, no capitalismo, duram pouco e, logo em seguida, é necessário destruir tudo de novo. Por outro, mesmo depois de destruir o que se acumulou num par de anos, o crescimento se dá sob outras bases. Em cada período de crise, vão à falência muitas empresas, outras são compradas, e uma enorme quantidade de dinheiro público (dos impostos, ou da subida dos preços) vai parar na mão dos empresários, numa transferência de renda gigantesca, que enriquece mais os ricos e empobrece os pobres.

Por isso, as crises no capitalismo ou são cada vez mais freqüentes, ou cada vez mais profundas. E, depois da crise, as coisas não estão no seu lugar de antes. O mundo está com mais monopólios, mais violento, desigual e à beira de conflitos. Esta é a espiral cíclica, e ao mesmo tempo, quase constante, no capitalismo.

É importante deixar claro também que as estatizações em curso, ainda que representem uma derrota do neoliberalismo, são de caráter absolutamente capitalista. Os governos gastam dinheiro público comprando ações dos bancos para salvá-los. Mas, assim que estiverem recuperados da crise, tudo será vendido e os banqueiros retomarão o controle do conjunto do sistema financeiro. Na prática, as estatizações atuais dos governos servem para salvar o capitalismo e, por isso, de conteúdo histórico, são extremamente reacionárias, além de que não são suficientes para impedir os efeitos da crise. 

Comparado com 1929, por exemplo, quando o presidente dos EUA, Franklin Delano Rooseveldt, baseado na teoria de J.M.Keynes, aplicou o plano conhecido como New Deal, a situação de hoje é bem pior. O plano, traduzido por "Novo Acordo", além de salvar os capitalistas falidos, também previa um plano de obras públicas, dinheiro para seguro-desemprego, reativação da economia, etc. Com isso, Rooseveldt e o imperialismo tentavam "acalmar" a população, enquanto a roubavam. Hoje em dia, os planos de Bush e dos europeus não acalmam ninguém. É só ataque contra os trabalhadores! E isso é assim porque há menos margem a concessões por parte do capitalismo hoje em dia.  

CRESCE A LUTA DOS TRABALHADORES! POR UMA SAÍDA DOS TRABALHADORES. QUE OS RICOS PAGUEM PELA CRISE!

Como em toda a crise, os governos e a burguesia mundial fazem de tudo para salvar seus lucros e jogar todo o prejuízo nas costas dos trabalhadores e das populações mais pobres. Assim, não faltam iniciativas e verbas para pagar indenizações bilionárias à proprietários de bancos falidos, porém os governos e os patrões não hesitarão em cortar salários, demitir e retirar direitos históricos. Nesse sentido, a realidade tende a ficar ainda pior para a maioria da população mundial no próximo período. A recessão econômica irá agravar todos os problemas sociais, do emprego, salário e condições de vida, como a violência, saúde e educação. Já começam a ocorrer protestos em países europeus contra os gastos bilionários dos governos com os banqueiros falidos. O desemprego aumenta nos EUA e na Europa.

Muito provavelmente, no próximo período, a situação revolucionária a nível mundial deve se aprofundar em todos os cantos do planeta.  Inclusive, em países onde os conflitos de classes não estão tão violentos e generalizados, como no Brasil, a situação deve se radicalizar no próximo período. A crise já chegou ao país e os primeiros sintomas estão no aumento do custo de vida, com o crédito mais caro e a inflação em alta. Além disso, Lula já voltou a discutir a necessidade da reforma trabalhista, que retira direitos como 13º, férias, etc., e anunciou que deverá cortar investimentos sociais e reduzir gastos. Isso significa menos verba para saúde, educação, salário e emprego.    

Por mais que diga que a economia do Brasil irá resistir à crise, Lula sabe que o país vai perder. Com a alta do dólar, o setor exportador, o único que teoricamente ganharia com a situação, também perde, pois vai diminuir as vendas, já que vai cair o consumo mundial.

Além disso, Lula, seguindo os movimentos de Bush (EUA), Brown (Inglaterra) e companhia: também está gastando bilhões para salvar os banqueiros. Enquanto isso, os bancários e demais categorias de trabalhadores fazem greve por reajuste salarial, diante do arrocho do governo Lula.

 Nesse sentido, a única arma que os trabalhadores possuem para enfrentar a crise é fortalecer as lutas em curso a nível nacional, como as campanhas salariais, greves e lutas sociais. Junto com isso, é necessário lutar contra o aumento da repressão policial que marca esse momento da conjuntura do país, onde cada vez mais trabalhadores são duramente agredidos pela tropa de choque da polícia. Só a luta pode apontar um caminho para os trabalhadores!

PELO SOCIALISMO E A REVOLUÇÃO

Cada uma dessas lutas deve estar ligada a uma muito maior, pelo socialismo e a construção de uma economia planificada. Diante da crise, a saída deve ser a estatização, sem indenização, de todo o sistema financeiro e as grandes empresas, sob controle dos trabalhadores. Os bens dos burgueses responsáveis pela crise devem ser confiscados pelo Estado socialista, apoiado nas organizações democráticas dos trabalhadores e da população.

O fato de as crises do capitalismo serem inevitáveis não significa que a sua destruição também é. A superação desse sistema e a construção do socialismo dependem da ação social humana. Nesse sentido, toda crise histórica da humanidade, como dizia Trotsky (revolucionário russo), depende da existência de uma direção revolucionária, capaz de dirigir as luas das massas para a revolução socialista.

Ou seja, outras crises virão com certeza e, junto delas, mais lutas e revoluções. Porém, estas mobilizações das massas trabalhadoras só serão vitoriosas se, de fato, expropriarem o conjunto da burguesia e transferirem o poder para a classe trabalhadora. Para isso é preciso um partido revolucionário, que não fique pautando sua atuação por eleição ou disputa de cargos sindicais. Que saiba disputar todo espaço que existir, mas que se jogue de cabeça na ação direta e na construção da revolução socialista. Junto com os cadáveres do neoliberalismo e da teoria capitalista como um todo, já apodrece a teoria reformista, de disputa do Estado burguês. A social-democracia também morreu historicamente, ainda que esteja cada vez mais viva nos partidos de esquerda traidores. É preciso fazer viver e crescer o Movimento Revolucionário!

·QUE OS RICOS PAGUEM PELA CRISE!

·ESTATIZAÇÃO SEM INDENIZAÇÃO DE TODO O SISTEMA FINANCEIRO E GRANDES EMPRESAS!

·POR UM GOVERNO SOCIALISTA APOIADO NOS ORGANISMOS DA CLASSE TRABALHADORA!

·SÓ A LUTA MUDA A VIDA!

·PELO MOVIMENTO REVOLUCIONARIO, NO BRASIL E NO MUNDO!

 

 

 

 

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