POLÍCIA: O BRAÇO ARMADO DOS EXPLORADORES CONTRA A CLASSE TRABALHADORA 

Outubro marcou, no Brasil, a atuação da polícia como tropa de choque de defesa dos banqueiros, enquanto espanca trabalhadores que lutam por seus direitos e entrega meninas de 15 anos para morrer. Mais uma vez, os homens fardados foram responsáveis por cenas repugnantes e que geraram indignação na população em geral.

 Cresce a repressão aos movimentos sociais!

Em um momento de crise econômica, e de reivindicações sociais e salariais crescentes, pudemos acompanhar que diversas manifestações de trabalhadores e movimentos sociais foram duramente reprimidas pela policia.

Isso aconteceu nas greves de Correios, na greve de operários da construção civil ligados à Petrobrás, no inicio deste ano, nas tentativas de combater o Movimento Estudantil, que ocupou reitorias e denunciou a privatização das universidades, além das agressões aos sem-terra e trabalhadores em geral. Ainda podemos citar o espancamento de professores no RS e aos manifestantes da Conlutas durante a Parada do Orgulho Gay.

As agressões mais recentes, beirando a selvageria e lembrando a ditadura militar, foram vistas, simultaneamente, na greve dos trabalhadores da Polícia Civil de SP (que tentavam se aproximar da sede do governo paulista), na greve de bancários no RS (num piquete) e durante a Marcha dos Sem, também em Porto Alegre. Estes 3 ataques truculentos ocorreram, assombrosamente, no mesmo dia 16 de Outubro.

Na manifestação dos bancários em greve, os trabalhadores faziam um ato em frente ao Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul), lutando por reajuste salarial e condições de trabalho. Na ação da Polícia, bancários foram atropelados e espancados, com uma trabalhadora sendo ferida na cabeça e outro colega, militante do Movimento Revolucionário, fraturando a mão.  

Na marcha dos Sem, que é realizada todos os anos, quando o carro de som tentava se aproximar do Palácio Piratini (sede do governo gaúcho), a tropa de choque bateu e chutou dezenas de pessoas, além de atirar com balas de borracha e soltar 3 bombas no meio dos manifestantes, o que chegou ao ponto de fazer uma professora perder um dedo, em função dos estilhaços!

Qual o papel da Polícia no Estado e na sociedade?

Tanto na greve de bancários, como na Marcha, fica evidente o papel da Polícia como cão de guarda da defesa da "ordem", ou seja, das coisas como estão. É a Polícia e o conjunto das Forças Armadas que mantêm o desemprego, a miséria e a exploração, reprimindo qualquer tipo de protesto ou tentativa de mudança.

Estas situações acontecem porque a Polícia é treinada para fazer a segurança de bancos, lojas, latifundiários e não da classe trabalhadora. A Polícia assim como a Justiça, o Congresso e as outras instituições capitalistas cumprem um papel importantíssimo para a burguesia: garantir sua segurança e de suas propriedades a qualquer custo.

O trabalhador da Polícia,  antes de ir para as ruas,  passa por treinamentos de campo e técnicos, com armas e explosivos, além dos treinamentos físicos e ideológicos. A burguesia utiliza estes trabalhadores como escudo protetor para si própria, aterrorizando e agredindo a classe trabalhadora.

Esta função central da Polícia, que é conter os que queiram protestar contra a situação em que vivemos, provoca um 2º grave efeito contra a população. Além de bater em manifestantes, a Polícia também é incapaz e incompetente quando se trata de defender a população em crimes comuns. Por isso, os assaltos, os estupros e os assassinatos não são resolvidos. Por isso, a Polícia age criminosamente entregando uma menina de 15 anos para um seqüestrador dar um tiro em sua cabeça, como ocorreu em SP. É porque a Polícia foi feita para defender a propriedade e os políticos e não a maioria da população.  

Assim, o policial é um trabalhador, com baixos salários, poucos direitos e uma vida explorada, mas, ao mesmo tempo, é o funcionário das multinacionais, governos e fazendeiros contra os operários, estudantes e sem-terra. O policial é, portanto, a face visível do inimigo dos trabalhadores, e, corretamente, é alvo do ódio da população pobre, negra e mais explorada.

O papel dos que entendem que é preciso uma revolução para acabar com as injustiças e a miséria no capitalismo, é defender a destruição das Forças Armadas e de qualquer tipo de Polícia. Devemos saber que é impossível convencer a Polícia a ter outro papel, e nem se pode, também, ganhar maioria de seus membros para nosso lado. No entanto, é importante defendermos medidas emergenciais para a Polícia, como forma de tentar ganhar alguns de seus integrantes e dividir, o máximo possível, sua atuação.

Esta política mostra sua importância em episódios como o do enfrentamento entre as Polícias Civil e Militar em São Paulo. Neste episódio, com bombas, tiros e todo o arsenal disponível, o Estado burguês, representado naquela situação pela PM, tentava reprimir os trabalhadores da Civil. Por isso defendemos a extinção da Polícia Militar, o direito à sindicalização aos policiais e salário digno, com direito a uma jornada reduzida e o fim da hierarquia hoje existente.

O trabalhador tem o direito à auto defesa

 "A violência dos oprimidos e explorados não é violência, é inteligência" Malcom X

Na luta contra o sistema capitalista,  os  trabalhadores vão se enfrentar com os patrões, com os dirigentes sindicais vendidos, e também com a Polícia e com o exército. E a única forma de fazer frente à violência organizada da burguesia contra nós, é com os trabalhadores construindo sua autodefesa e organização própria.

A questão da autodefesa dos trabalhadores se coloca em cada greve onde o patrão chama a polícia para reprimir os trabalhadores, em cada ocupação de terra onde os latifundiários contratam jagunços para matar os sem terra: por isso, a única alternativa para garantir a segurança da classe trabalhadora não é esperando pela polícia, mas sim organizando seus próprios combatentes.

Defendemos que a compra e porte de armas devem ser legais, para que quem saiba atirar e se sinta mais seguro portando uma arma de fogo tenha este direito. Defendemos que a instrução militar seja estendida a toda a população, tanto para homens como para mulheres. E que os trabalhadores se organizem nos bairros, com rondas, patrulhas e grupos que terão a tarefa de garantir a segurança contra a violência do tráfico, dos assaltos e da polícia.

Nas entidades sindicais, estudantis e populares, deve-se ter a preocupação de eleger responsáveis pela segurança de piquetes, manifestações e passeatas. O movimento deve avançar no sentido de saber se defender e enfrentar a Polícia, especialmente nas greves.

Derrotar o capitalismo, para acabar com a violência da burguesia

"As armas da crítica não podem, de fato, substituir a crítica das armas; a força material tem de ser deposta por força material, mas a teoria também se converte em força material uma vez que se apossa dos homens." Marx

Toda essa situação de agravamento da violência nas grandes metrópoles é somente parte das dificuldades que sofrem os trabalhadores no dia a dia. Por isso a luta contra a violência policial e social deve estar ligada diretamente com a luta pela revolução socialista.

É preciso acabar com o capitalismo como única forma de acabar com todas as suas "doenças", entre elas a miséria, os crimes por dinheiro e o desequilíbrio psicológico que leva aos crimes passionais (entre namorados, vizinhos, etc.).

Diante de toda essa violência esse é o debate que a juventude e os trabalhadores devem começar a fazer, além das lutas por melhores condições de vida, contra os ataques dos patrões e pela revolução socialista: a questão de como se defender da violência da burguesia contra a classe trabalhadora.

- Pelo fim da Polícia Militar

- Pela autodefesa e armamento dos trabalhadores

- Que os trabalhadores, com suas leis julguem seus agressores

- Pela paz social, e forma de defesa, organizar a violência dos trabalhadores contra seus agressores

 

 

 

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