PELO FIM DO ESTADO DE ISRAEL

UMA OFENSIVA NAZISTA

            O Início do ano de 2009 está marcado pelo genocídio do Estado de Israel contra o povo palestino da Faixa de Gaza.

Com a justificativa de combater o poderio militar do Hamas (organização política que luta contra Israel), o Estado sionista matou mais de 1300 palestinos, feriu quase 6 mil e destruiu, total ou parcialmente, cerca de 20 mil casa; tudo em apenas 3 semanas, até o cessar-fogo anunciado por Israel. Os mortos são quase todos civis e centenas são crianças. A situação é extremamente grave para a população de Gaza, que vive amontoada, sem água e luz, sem abastecimento de energia e com centenas de prédios bombardeados, inclusive escolas e hospitais. Gaza, hoje, é um imenso campo de concentração, com sua população sendo vítima de todas as atrocidades possíveis pelo Estado terrorista e fanático religioso de Israel.

A morte indiscriminada de militantes do Hamas, idosos ou crianças comprova que o objetivo dos sionistas é promover uma “limpeza étnica” na Palestina. Israel já fez isso desde o início, com bombas e atentados para expulsar os palestinos de suas terras. Continuou o processo anexando mais áreas sob seu controle, instalando colônias militares tomadas por fanáticos armados, disfarçadas de colônias de assentamento, e impedindo a volta dos refugiados palestinos.  Agora, muitos sionistas tentam avançar para uma “solução final”, nos moldes nazistas, de tentar massacrar o povo palestino, com seus tanques blindados, soldados armados até os dentes e seus bombardeios aéreos, inclusive usando armamento proibido internacionalmente, como o fósforo branco.  

Até mesmo a Organização das Nações Unidas (ONU) foi completamente ignorada por Ehud Olmert, primeiro ministro israelense. E isso que a ONU é a responsável por ter criado o Estado ilegítimo, teocrático e assassino de Israel, em 1948, além de sustentar sua política terrorista em mais de 60 anos. Dessa vez, Israel foi tão longe em suas práticas de genocídio, que a própria diplomacia internacional exigia um cessar-fogo imediato, ao que Israel seguia bombardeando a população de Gaza e prédios da própria ONU.

O exército mais bem armado do Oriente Médio, diretamente financiado pelos EUA, mostrou mais uma vez que é nazista e racista, em uma das maiores chacinas da História.

UMA POLÍTICA REPUDIADA PELO MUNDO

Ainda que militarmente Israel tenha demonstrado seu poderio, contra uma população com fome, sitiada e desarmada, do ponto de vista político, a ofensiva sionista está sendo derrotada em todos os cantos do mundo.

No próprio país, os israelenses não aprovaram a política de Ehud Olmert. Mais da metade da população considerou um fracasso o massacre militar contra Gaza. Isso é uma grande derrota do governo israelense, pois desde que o exército sionista foi expulso humilhado do Líbano, em 2006, existe uma preocupação em dar uma resposta positiva à população. Agora, em 2009, ano de eleição em Israel, a ofensiva teve também o objetivo de recuperar a imagem do governo, mas tudo deu errado para o governo: mais rejeição no mundo inteiro e entre os próprios israelenses.

            Entretanto, as maiores demonstrações de repúdio a Israel se deram fora do território palestino ocupado diretamente pelos terroristas sionistas, ao que chamam de Israel. Na Faixa de Gaza, através da resistência palestina, dirigida pelo Hamas, nos países árabes da região, e em todos os cantos do mundo, cresceram os protestos contra o genocídio israelense.

            Ainda que a mídia internacional transmita as imagens das manifestações de apoio à Gaza dizendo que são passeatas pela “paz”, abstratamente, o fato é que a comunidade árabe e milhões de simpatizantes da luta palestina tomam as ruas do mundo inteiro de maneira radicalizada, queimam as bandeiras de Israel e dos EUA e exigem o fim imediato do massacre e do cerco contra o povo palestino.

            Politicamente, Israel e Estados Unidos estão sendo derrotados mais uma vez. As massas viram que é possível derrotar o imperialismo norte-americano a partir do Vietnã, e agora veem novamente esta realidade no Iraque e Afeganistão. Os trabalhadores também vêem que é possível derrotar o exército sionista, como na Intifada palestina (que expulsou os israelenses de Gaza) e no Líbano.

            AS LIDERANÇAS E A LUTA PALESTINA

            Os últimos enfrentamentos no Oriente Médio contra o imperialismo americano e Israel têm demonstrado a incapacidade das direções das lutas do movimento islâmico, no que se trata de ir até o final na derrota de Israel. Desde a Organização para Libertação da Palestina (OLP) de Yasser Arafat e Abbas, cuja maioria é o movimento Fatah; passando pelo Hezbollah no Líbano; e, agora, o Hamas também na Palestina, principalmente em Gaza, é possível perceber os limites dessas direções.

            Primeiramente, essas direções canalizam uma luta extremamente progressiva e necessária da população do Oriente Médio contra o imperialismo. É uma luta de libertação e, do ponto de vista das necessidades, é também uma luta pelo socialismo, pois só vai existir liberdade para os palestinos quando o capitalismo for derrotado no Oriente Médio e no mundo.  

            Porém, justamente o elemento que falta para essa luta é o da consciência de lutar pelo socialismo e pela transformação social e política da região. Na ausência de uma direção revolucionária socialista, que unifique o conjunto da classe trabalhadora contra a exploração, crescem movimentos de resistência que expressam os interesses de setores específicos da população, incluindo-se burgueses nacionais e sob uma plataforma de desenvolvimento nacional, por dentro do capitalismo, ainda que sob outro regime político. Misturam-se bandeiras anticoloniais e populares progressivas com uma ideologia religiosa (no caso do Hamas e Hezbollah, ao menos) muito reacionária e nacionalista, que se choca contra a consciência e a própria existência de trabalhadores não religiosos ou não islâmicos da população.

Nenhuma dessas organizações que hoje dirigem a resistência é capaz de levar os povos da região até a vitória e à destruição de Israel, pois nenhuma delas defende um programa de mudança social, de enfrentamento com o poder da burguesia e pelo controle da sociedade e do Estado pelos trabalhadores. Pelo contrário, o Hezzbollah e o Hamas participam e constituem governos burgueses, e jamais apontarão para a luta consequente contra o capitalismo. De outro lado, o Fatah sequer pode ser chamado de organização de resistência, pois se vendeu de tal forma que hoje é um grupo capacho e pago pelos sionistas israelenses e norteamericanos, sendo o principal inimigo interno na Palestina.

            Nesse sentido, existe uma tarefa fundamental e urgente para o povo do Oriente Médio, que é a construção de novas direções, socialistas e revolucionárias, para transformar a heróica resistência das massas em uma luta contra o capitalismo e o poder econômico e político de Israel e do imperialismo. Hoje, a população passa por todos os sacrifícios, enfrenta todos os ataques e demonstra uma bravura, coragem e determinação exemplares. No entanto,por mais fantásticos que sejam os que lutam, sem um horizonte de como impedir futuras guerras, assistiremos a uma escalada ainda maior nas provocações e agressões israelenses.

            No entanto, paralelo à necessidade de combater e disputar politicamente contra o Hamas, pela direção da classe trabalhadora palestina, os revolucionários precisam defender o Hamas contra essa tentativa de destruição vinda dos nazistas de Israel. Apoiamos militarmente essa organização, mesmo não concordando com seu programa. Fazemos isso, primeiramente, porque o Hamas dirige uma luta progressiva, ainda que seja incapaz de conduzi-la à vitória. Segundo, porque se trata de uma ofensiva do imperialismo contra uma organização que expressa, de forma distorcida, um interesse histórico dos palestinos.

Mais do que isso, achamos que o conjunto das organizações políticas e, principalmente, os governos árabes precisam ajudar militarmente o Hamas e o povo de Gaza. Não bastam frases de efeito, boicote de produtos e ameaças. É preciso ajudar concretamente a resistência palestina, principalmente com armas e dinheiro. Governos como o do Irã, Síria e Venezuela, por exemplo, e organizações como o Hezbollah, precisam passar das palavras às ações, caso contrário, estarão colaborando com o genocídio de Israel.     

Neste sentido, além da já repetida covardia e cumplicidade dos governos burgueses da região a favor de Israel, e da recente e total rendição do Fatah, chamaram atenção o medo da Síria, Hezbollah e Irã neste conflito. Todos fizeram questão de negar que tivessem algo a ver com foguetes disparados de seus territórios ou de que estivesse fornecendo armas.

PELO FIM DO ESTADO DE ISRAEL

A principal conclusão que se chega com a nova ofensiva israelense é sobre a necessidade de destruição desse Estado.

Israel foi construído em 1948, depois da Segunda Guerra Mundial, a mando da ONU recém criada, e sob orientação direta dos EUA e Inglaterra. Desde o início, o objetivo da criação do Estado de Israel foi o aumento do controle político, militar e econômico do Oriente Médio pelo imperialismo norteamericano. Por isso, esse país é considerado uma fortaleza dos EUA na região.

A mídia e os livros de história mostram muito os conflitos das últimas décadas como se fossem, simplesmente, disputas religiosas entre judeus e muçulmanos. Isso é uma mentira. A luta na Palestina começou quando colonos judeus, inspirados pelo sionismo (ideologia que atribui aos judeus o fato de serem o povo escolhido), foram financiados para cometer atentados que expulsassem os palestinos de suas terras, e se pudesse criar um Estado teocrático na região. Por isso que em todas as guerras entre Israel e os palestinos, os EUA apoiaram diretamente Israel. Ou seja, trata-se de uma luta de libertação de um povo contra a presença de um Estado nazista e racista.

Nesse sentido, é necessário que na luta contra a ocupação israelense e o cerco atual, se fortaleça a luta pela total destruição do Estado de Israel. Por mais brilhante que seja a luta para expulsar Israel de Gaza, assim como foi do sul do Líbano, isso não impede que, logo adiante, o exército israelense volte a bombardear escolas, creches e hospitais. Ó mais necessário, portanto, é a luta pelo fim do Estado sionista e a construção de uma palestina livre, laica, não racista e socialista, onde possam conviver judeus, muçulmanos e quem mais quiser, o que, aliás, era o que ocorria antes de Israel.

Os judeus já foram vítimas de um dos maiores genocídios da história, o holocausto praticado por Hitler. Agora, seus dirigentes estão sendo autores de outro. Não passa pela religião, fundamentalmente, a solução do conflito, assim como não passava por saídas raciais a resposta a Hitler. Os argumentos e ideologias usados pelos agressores são fachadas para esconder o conflito de classe, que predomina em todos massacres. De um lado, existe o interesse do imperialismo, através de um Estado nazista, e, de outro, os interesses de um povo que luta contra a guerra, a miséria e a pela retomada daquilo que lhes foi roubado, e é neste campo, incondicionalmente, que devem estar os trabalhadores.

 

 

Obama e os cúmplices de Israel.

Diante de um massacre como o praticado por Israel, é impossível ficar neutro. No mundo inteiro, ou se defende ou se condena a ofensiva militar israelense. Quem não apoia a luta palestina está ajudando os EUA e Israel a massacrar o povo da Faixa de Gaza.

Os EUA, com Bush, apoiam todas as ações de Israel, dizendo que eles estão lutando pela sua segurança, contra o perigo do Hamas. Vale lembrar que o Hamas controla a Faixa de Gaza porque tem apoio popular e ganhou as eleições em 2007. Portanto, quem é o Bush, que ganhou as eleições à base de fraude, para questionar a legitimidade do Hamas e dizer que é preciso destrui-lo? 

Mas além da Casa Branca e de Ehud Olmert, existem outros responsáveis pelos crimes contra o povo palestino. Barak Obama, por exemplo, que disse que representaria a mudança no EUA, está claramente ao lado de Israel. Depois de muitos dias de silêncio, Obama disse que está preocupado com a situação em Gaza, mas apoia o direito de Israel praticar uma ofensiva militar como essa.

Lula também é cúmplice dos massacres, pois diz que o problema está no exagero da força de Israel, o que significa que apoia a política de Bush e Olmert, porém de forma mais ligth. Esse é um argumento vergonhoso pois condena quem joga foguetes para se defender. Para o Movimento Revolucionário, todos os foguetes, bombas e balas disparados contra Israel ainda são pouco. Defendemos, inclusive, que é uma obrigação do Irã, Síria, Hezbollah e outros que dizem defender os palestinos, entrar em guerra aberta contra Israel. Só assim, usando de todos os recursos militares que se puder, é que se destruirá a máquina assassina de Israel.

É preciso repudiar a omissão de Obama, Lula e de todos os governos, inclusive os que dizem apoiar os palestinos, pois não ajudam militarmente sua luta e acabam facilitando o massacre israelense. É preciso também repudiar os acordos de paz e as exigências vazias por cessar-fogo, pois dão a entender que a culpa do conflito é de ambos os lados.

Todos os partidos, governos e entidades políticas que não levantam a bandeira da Palestina, para valer, em um momento como esse, são inimigos da população de Gaza e cúmplices de Israel.  

 

 

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