Enchentes, ciclones, granizo e intempéries:
 Os desastres naturais flagelam milhares de trabalhadores pelo Brasil e mundo, enquanto os governos deixam os trabalhadores desamparados.

            Ultimamente têm sido muitos os desastres naturais ao redor do mundo. ciclones extratropicais na América Latina, tornados na América do norte, terremotos, maremotos e enchentes em diversos países têm vitimado centenas de milhões de trabalhadores, entre mortos, feridos e desabrigados.

            Quando os desastres acontecem, além das vítimas, o que mais choca as pessoas é a incapacidade dos governos em ajudar os atingidos; seja pela lentidão em conseguir abrigos, alimentos e gêneros emergências; como depois, diante da necessidade de ajudar as vítimas a reconstruir suas vidas.

Na maioria dos casos, o auxílio, além, de precário e insuficiente, cessa no momento em que o desastre sai do destaque na grande imprensa. Casos emblemáticos do descaso dos governos não faltam: há as vítimas das chuvas de granizo no interior do Rio Grande do Sul, onde diversas cidades esperam há mais de 2 anos por alguma ajuda financeira para reconstruir as casas destelhadas, as lavouras perdidas e imóveis públicos sem utilização desde então. Há os, ainda hoje, milhares de desabrigados das enchentes em Santa Catarina, numa tragédia que matou quase 130 pessoas; e assim por diante.

Quem é responsável pela destruição do meio ambiente?

            Atualmente os temas ligados ao meio ambiente têm ganhado um peso importante na mídia e na vida dos trabalhadores. Os debates acerca do aquecimento global e da necessidade da preservação do planeta se tornaram corriqueiros. No entanto há muitas explicações que tentam desviar o foco das responsabilidades, querendo culpar as vítimas pela responsabilidade de causar a destruição que afeta elas mesmas.

            Considerando que a atividade humana tem acentuado bastante a destruição do planeta e de seus ecossistemas, a pergunta seguinte a ser feita é “que seres humanos têm feito isso?”. Para muitos “especialistas”, pagos por multinacionais ou defensores do capitalismo, a culpa pela degradação ambiental é atribuída aos indivíduos e seus “hábitos de consumo”. Por conseguinte, as soluções apresentadas estão no terreno do comportamento, como as de uma mudança na atitude das pessoas, a conscientização de que devem consumir produtos éticos e paliativos do tipo.

            O que não é dito nestas discussões, é que a maior parte dos recursos naturais e da emissão de gases nocivos à camada de ozônio é de responsabilidade das grandes indústrias multinacionais. São os curtumes, o agronegócio, as madeireiras e indústrias em geral que, em sua forma anárquica de produção, não planificada e baseada no lucro, os responsáveis pela poluição e destruição ambiental. O enriquecimento da burguesia a qualquer custo, com desperdício, superprodução e especulação é que sustentam o capitalismo, mas degradam o meio-ambiente e a vida das pessoas.

Os trabalhadores que consomem produtos com agrotóxicos ou substâncias nocivas são vítimas da ganância e da impunidade de empresários que sabem que as leis, a justiça e os políticos os protegem. O consumidor destes produtos não tem a opção de comprar produtos “corretos”, pois eles são muitas vezes mais caros, além de que são apenas mais um filão burguês, na mão de empresários tão exploradores como os outros, mas que lucram alto com seus selos verdes e outras hipocrisias.

Jogar a culpa nos “hábitos de consumo” da população é criminoso e uma ideologia de direita, pois livra a cara da burguesia e governos e dilui a culpa em “todos nós”, misturando vítimas e culpados como uma coisa só.

A culpa pela péssima qualidade do que se produz no capitalismo, além da utilização desregulada e predatória dos recursos naturais, o que leva à poluição do planeta e ao aumento de desastres naturais, é da burguesia e de seu sistema de produção, que não tem a menor preocupação com as demandas da sociedade ou mesmo com a preservação da vida.

As mudanças de posturas dos indivíduos ou qualquer solução “cultural” que não seja apenas um complemento da luta maior, anticapitalista, é uma versão ecológica do reformismo pequeno burguês, e da ideologia neoliberal pós-moderna, em que não existiriam classes sociais com interesses opostos, e sim pessoas mais conscientes, ao lado de outras sem consciência.

Sem estatizar a produção; planificar a economia para que se produza o que é necessário socialmente, sem desperdício; e garantir aos trabalhadores o controle político do Estado, a defesa da ecologia é uma bandeira vazia, cheia de ilusões e frases vazias, que não só não solucionam os problemas ambientais, como sequer os reduzem, pois permite e silencia diante do grande culpado por estes problemas existirem, que é o modo de produção capitalista.

O capitalismo e os governos são incapazes de evitar as tragédias

Além de gerar mais eventos catastróficos sobre o clima, por exemplo, a existência do capitalismo e de governos a serviço dos grandes proprietários, faz com que as tragédias que existam não tenham qualquer resolução. Isso acontece porque os governos se negam a investir em áreas que sejam do interesse da maioria da população, como habitação, transporte público e geração de emprego.

Na lógica neoliberal, custa muito caro ao país, aos estados e aos municípios investir em saneamento básico, habitação, saúde e educação. Como resultado, as pessoas são obrigadas a ir morar em áreas irregulares,  favelas, encostas de morro e beira de arroios, sujeitas a deslizamentos.

Assim, diante de uma tragédia, a falta de saneamento faz proliferar diversas doenças e epidemias. O Estado é incapaz de solucionar os problemas sociais decorrentes destes desastres, ainda que fazendo megaoperações, pois os cortes sucessivos do orçamento fazem com que a capacidade de reação, nestes casos, esteja comprometida pelo sucateamento e precariedade gerais dos órgãos e serviços públicos.

Faltam médicos e hospitais para tratar os feridos; falta investimento para a reconstrução das cidades que foram devastadas; falta infraestrutura para tirar o barro das ruas; faltam empregos e benefícios sociais para dar renda aos que perderam tudo.

O mais indignante de isso tudo é que, quando se trata em investir para salvar vidas de vítimas dos desastres naturais ou evitá-los, nenhum centavo é investido pelos governos. Por outro lado, o governo Lula gastou mais de R$ 365 bilhões para salvar banqueiros e empresários da crise econômica. Essa é política de Lula e dos demais governos, salvar banqueiro e deixar a classe trabalhadora perder suas casas, e muitos morrerem em conseqüência dos alagamentos. Querer, com tudo isso, culpar as chuvas ou seres genéricos como “as pessoas” por tudo isso, é uma visão comprometida em conservar as coisas como estão.

Os trabalhadores são as vítimas dos desastres naturais

            Diversos são os exemplos de desastres naturais que vitimaram as populações ao redor mundo nos últimos tempos. Mas mesmo com toda a variedade de desastres, um fator sempre se repete: as vítimas sempre são, em sua imensa maioria, as populações trabalhadoras, pobres e desempregadas.

            São estas as pessoas que perdem tudo com os desastres naturais. Suas casas, móveis, roupas, eletrodomésticos e etc. são destruídos e, muitas vezes, perdem a própria vida em meio às tragédias. Um exemplo desta situação foi a recente enchente em Santa Catarina. Foram milhares de pessoas desabrigadas, muitos mortos e, infelizmente, outra mostra de descaso e incompetência dos governos em auxiliar as vítimas.

            Do outro lado dos desastres estão os grandes empresários e especuladores, que se utilizam dos desastres para lucrar ainda mais. Como ocorre em diversos desastres muitos dos grandes empresários das regiões flageladas se aproveitam do desespero das famílias para elevar os preços de itens alimentícios e de serviços de emergência. Além disso, pressionam o governo para que libere verbas para suas empresas com a desculpa de se reerguer após o desastre. Os governos que não liberam quase nenhuma verba para os trabalhadores atingidos pelo desastre, não perdem tempo para liberar os recursos para as grandes empresas.

É preciso unir as vítimas contra os culpados!
A vida digna e a preservação do meio-ambiente só serão possíveis em uma sociedade socialista

Diante de todos os desastres naturais, os trabalhadores não têm a quem recorrer, a não ser à solidariedade dos outros trabalhadores que mandam alimentos e abrigam muitas pessoas em suas próprias casas. Isso prova a necessidade de a classe trabalhadora, e os explorados em geral, se organizarem. É preciso lutar contra o Estado, os governos, os patrões e o capitalismo todo, que são os verdadeiros culpados pela miséria e pelas tragédias decorrentes dos desastres naturais.

Para que evitemos novas tragédias é preciso que se promova um plano de obras públicas, totalmente pago pelo Estado, que vise desenvolver as redes de esgoto, água potável, estradas, rede elétrica, hospitais e escolas. Mas para que se faça alguma dessas medidas é preciso parar de dar dinheiro a banqueiro e de pagar as dívidas públicas (interna e externa). Só a luta, mobilização e solidariedade da classe trabalhadora são capazes de apresentar alguma alternativa diante das tragédias decorrentes de desastres naturais.

E, através da luta, a solução para a calamidade social crescente relativa à natureza, necessita de uma produção planificada, orientada para satisfazer as necessidades da maioria da população, onde os recursos naturais sejam explorados de forma planejada e eficiente, onde a riqueza e tecnologia oriunda da produção forem utilizadas para garantir vida digna a todos os que produzem é que os desastres poderão ser minimizados ou evitados. Somente em uma sociedade socialista, onde os trabalhadores governem, será possível se dar uma vida melhor para toda a humanidade, e um uso racional para os recursos naturais.

 

 

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