O Papa em missão imperialista
Em meio a uma grande expectativa da mídia nacional – especialmente da rede Globo – chegou à cidade de São Paulo na última semana o Papa Bento XVI. Oficialmente o Papa vem ao Brasil para abrir 5ª Conferência do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), na cidade de Aparecida do Norte. Contudo, em sua vasta agenda estão incluídos compromissos com o governador de São Paulo José Serra e com Lula.
Preocupado com a debandada dos fiéis dos ritos da Igreja Católica, Bento XVI lançou mão de uma grande ofensiva ideológica e de “marketing” para tentar “moralizar” esta instituição que mantém as mesmas práticas desde o Feudalismo até hoje. O mesmo Bento XVI – que na verdade se chama Joseph Ratzinger – que outrora aparecia com a cara carrancuda e fechada dos tempos da juventude nazista (hitlerista) a qual fazia parte, apareceu sorridente e amistoso querendo passar outra imagem. Mesmo assim, não hesitou em reafirmar as posições conservadores e retrógradas da Igreja Católica, tais como a condenação do aborto, a moral católica e a castidade por entre os jovens. O debate sobre a célula tronco e outros avanços científicos foi condenado pela comitiva papal que se pronunciou contra em diversos momentos aos repórteres que acompanharam sua visita. Assim como na Idade Média, a Igreja tenta travar o avanço científico da humanidade com os seus dogmas feudais.
Durante a 5ª Conferência do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) disse que a Igreja não defende ideologias, e sim a “fé em Deus”, e que a Igreja não se intrometia nos assuntos políticos dos países. É a mesma desculpa esfarrapada dada pela Igreja desde os tempos de Santa Inquisição e perseguição religiosa aos infiéis nos tempos medievais. O senhor Ratzinger e os demais representantes do Vaticano deveriam nos explicar o porque de diversos encontros “escondidos” com governantes brasileiros e a denúncia de “governos autoritários na América Latina”. O mais alarmante foi a condenação que o Papa fez ao marxismo e, curiosamente, ao capitalismo. Como todos nós sabemos, o Vaticano defendeu dezenas de ditadores capitalistas ao longo de sua história completamente manchada e diversas vezes condenou a luta pelo fim da desigualdade social. Assim, o Papa, burlando o que tentou fantasiar – que não se intrometia nos assuntos políticos – tenta fazer como a imprensa imperialista mundial faz: iguala o marxismo aos regimes burocratizados da União Soviética e outros.
Nós afirmamos em alto e bom som que a luta pelo fim da desigualdade social é concreta e real. Sob hipótese alguma devemos esperar um milagre vindo dos céus. Reafirmamos a necessidade de se legalizar o aborto e de lutar contra o capitalismo: fruto de todos os males da humanidade. Esperamos, sinceramente, que o senhor Bento XVI não volte ao Brasil nunca mais.
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