Reconstrução do Haiti sobre controle dos trabalhadores, paga pela reparação à exploração de séculos. Fora as tropas de ocupação e repressão!

        A situação do Haiti segue terrível. O número de mortos no terremoto já ultrapassa a casa dos 200 mil, e mais gente morre diariamente em consequência da falta de hospitais, assistência e comida. Doenças se alastram por todos os lados e o capitalismo é o culpado.

Junto com os antecedentes criminosos e a negligência atual, as instituições capitalistas vêm se demonstrando incapazes de resolver até mesmo o problema da distribuição de alimentos, água e medicamentos. Os governos de diversos países, como Argentina, Brasil e EUA, ao invés de, em caso de não ajudar, não piorar ainda mais a situação, estão mandando mais soldados ao país devastado, intensificando a ocupação.

        A solidariedade internacional mundial já é uma as maiores de todos os tempos, demonstrada pelo choque e disposição de ajudar de milhões de trabalhadores. Esse sentimento louvável de querer contribuir, no entanto, está sendo usado pelos governos como um álibi para prejudicar ainda mais os haitianos.

Por um lado, o G-7 (grupo dos 7 países mais ricos) resolveu “perdoar” a dívida externa do Haiti, que já soma US$ 800 milhões. Essa medida na verdade não é um perdão, pois os ricos é que estão devendo ao Haiti. Menos de um bilhão de dólares sequer amenizam significantemente o roubo que fizeram e ainda fazem com o povo haitiano há anos.

A anulação da dívida não é nada perto do roubo de metais preciosos, da escravidão, dos massacres, da imposição de uma indenização pelo reconhecimento da independência revolucionária no início do século 19, e dos golpes e saqueios posteriores.

O Haiti é miserável porque Espanha, França e Estados Unidos, principalmente, o destruíram, dividiram e roubaram. Dessa forma, é necessário que se devolvam bilhões ao país, para que os próprios haitianos reconstruam seu país. Toda a “boa intenção” do imperialismo, e dos países com governos capachos que o seguem, nada mais é que um mecanismo para que ele mesmo controle tudo que venha a acontecer no país.

Sob o disfarce das doações, a burguesia vê no Haiti um investimento de longo prazo, de olho na possibilidade de montar indústrias e fábricas no Haiti, sem impostos e pagando um salário de fome aos que estão desesperados.

Desastre ambiental e capitalismo falido

        Não há como discutir este desastre no Haiti sem o relacionar diretamente à total incapacidade do capitalismo em prevenir fatos como estes, muito menos solucionar os estragos. A verdade é que, se isto tivesse acontecido em um país imperialista, o mesmo impacto ambiental e social teria proporções centenas de vezes menor, e a resolução dos problemas seria muito mais eficaz.

Por a tragédia acontecer em um país habitado majoritariamente por negros e pobres, onde o capitalismo não tem nenhum interesse em ter qualquer medida favorável aos trabalhadores, 200 mil morreram. Temos de dizer o que aconteceu de fato: morreram pelo racismo e pela exploração. Foi o capitalismo, muito mais que o terremoto, quem matou tanta gente.  

        Hoje, o capitalismo já desenvolveu diversos mecanismos para prever este tipo de desastre, e os EUA poderiam ter alertado que um terremoto nestas proporções aconteceria, já que possui todo tipo de tecnologia apara isso. Mas isso não é uma prioridade; pelo contrário, a prioridade em relação ao Haiti sempre foi a dominação, fazendo isso através da ONU e das tropas brasileiras.

Fora todas a tropas do Haiti

         A “missão de paz” só cumpriu o papel de precarizar ainda mais a vida do povo haitiano. O país, antes do terremoto, já tinha precárias instalações de saneamento básico; os salários eram baixíssimos; e o desemprego, uma praga alastrada. A mendicância e tudo aquilo mais característico da barbárie que o capital impõe a povos estava presente no Haiti. Não foi o terremoto o culpado de nada disso.

Por isso, além da anulação da dívida e da devolução dos bilhões que foram roubados ao longo dos anos, é necessário que se expulsem todas as tropas militares do Haiti. As tropas da Minustah já foram responsáveis por estupros e assassinatos no país, além de servirem como polícia do governo, reprimindo greves e manifestações.

Assim como os EUA se acham no direito de bombardear vilas no Paquistão e Iraque, matando quem é contra a ocupação e é chamado de “terrorista”; o Brasil, a ONU e os mesmos EUA acham normal prender e matar no Haiti, porque seriam “membros de gangues”.

 O que o Haiti precisa não é de tropas, que defendem um setor da disputa interburguesa que há pelo poder. O país necessita é da solidariedade dos trabalhadores do mundo todo, da reparação pelo saque de suas riquezas, e que os próprios haitianos tenham o direito de ser livres, sem tutela ou opressão.

Que reconstruam cada casa, cada hospital, escola e fábrica, e que possam investir em indústria, transporte e agricultura, para sair da pobreza, sem ter que pedir aos ocupantes que lhes deem alguma coisa, ou assistir ao emprego de todos os recursos em “postos de segurança”.

Para isso, é necessário que se organizem assembleias com a participação da população para que se decida o que e como será feito no país. Nesse momento, o que menos se precisam são fuzis e soldados controlando a vida de um povo em situação de desespero.

        A expulsão das tropas representaria uma derrota do imperialismo, pois além do controle econômico através da reconstrução, querem seguir tendo controle militar para conter todas as possíveis revoltas que venham a ocorrer, no Haiti e na região, instável pela presença de países como Cuba e Nicarágua que, mesmo capitalistas, ainda mantêm uma e outra divergência.

Por um Haiti Livre!

Solidariedade política financeira com os haitianos

        A liberdade do Haiti está diretamente ligada a sua reconstrução. Se for do imperialismo essa missão, a situação de pânico e desalento se transformará em mais superexploração e oficialização da miséria, o que já existia desde antes do terremoto.

Por isso, estamos fazendo uma ampla campanha com debates, colagem de cartazes e panfletos nas categorias de trabalhadores e em grandes concentrações populares, como forma de expandir a solidariedade política com o Haiti. Além disso, estamos nos somando à campanha da CONLUTAS, com arrecadações financeiras para ajudar as organizações de classe no país.

        O Haiti precisa ser reconstruído com uma economia socialista, operária e popular, e isto só poderá ser obra dos próprios trabalhadores. A dominação do imperialismo no Haiti vai respingar nos trabalhadores de todo o mundo, pois fortalece quem nos explora e oprime. Ter um Haiti livre, expulsando o imperialismo é uma vitória dos trabalhadores no mundo todo, e cada vez mais, somos todos haitianos.

 

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