8 de Março: dia de luta contra a opressão e o capitalismo

O 8 de Março é considerado o dia internacional de luta das mulheres, porque nesta data ocorreu um fato marcante e que mudaria o rumo da luta das mulheres no mundo todo. Em 1857, tecelãs de uma fábrica de Nova Iorque, que reivindicavam melhores salários, organizaram uma greve e, como forma de reprimir e destruir este movimento, o patrão trancou a fábrica e ateou fogo, matando cerca de 130 trabalhadoras. Por isso, e por até hoje dentro do capitalismo as mulheres serem o setor dentre os trabalhadores que mais sofre com a exploração e opressão, o 8 de março é uma data de luta sempre.

Sempre que se aproxima esta data, os governos, a imprensa e os patrões não se cansam de fazer grandes campanhas tentando tratar este dia como um dia comemorativo, para celebrar supostas conquistas por parte das mulheres. Entre os exemplos desta suposta “vitória” da luta feminina ganham destaque aquelas mulheres que hoje ocupam altos cargos em grandes empresas, que sustentam suas casas, que exercem funções exercidas por uma maioria de homens, como construção civil, piloto de avião, etc. Além disso, são citadas as mulheres políticas, ou que “teriam poder”.

É certo que, com o passar dos tempos, o espaço da mulher dentro da sociedade foi se ampliando, e hoje está inserida em atividades em que anos atrás isto era impensável. A burguesia tenta propagandear que isso é uma conquista ao natural e que a tendência é que homens e mulheres vão se igualando em direitos e oportunidades.

Mas isso é uma propaganda enganosa, que só serve para esconder a realidade da maioria das mulheres da classe trabalhadora. Em primeiro lugar, todas as conquistas alcançadas foram produto de muita luta, de agressões e inclusive de mortes. As mulheres só conquistaram o direito ao voto há poucas décadas e a legislação até pouco tempo ainda permitia que as mulheres fossem mortas por maridos possessivos enciumados, com o argumento de “defesa da honra”.

Além de obterem avanços apenas às custas de muito sacrifício, as mulheres ainda estão muito longe de terem direitos, salários ou oportunidades iguais. Hoje, mesmo que estejam mais inseridas no mercado de trabalho e que cumpram as mesmas tarefas dos trabalhadores homens, as mulheres recebem salários 27,7% inferiores aos dos homens, ainda que tenham indicadores de escolaridade superiores aos apresentados pelo sexo masculino.

No ano passado, 61,2% delas tinham, ao menos, o ensino médio completo, contra 53,2% dos homens. A parcela de mulheres no mercado de trabalho com nível superior era de 19,6%, superior à dos homens (14,2%).

Assim,  se não compararmos todas as mulheres com todos os homens (pois elas têm mais instrução e seria de se esperar que ganhassem mais), e sim compararmos mulheres e homens nas mesmas áreas de trabalho, veremos que a desigualdade é pior que os 27,7% gerais.

No comércio, por exemplo, as mulheres que concluíram cursos em universidades ganham, em média, R$ 2.066 por mês - o equivalente a 55,6% dos R$ 3.720 recebidos pelos homens com a mesma escolaridade. O cenário é semelhante em outros segmentos, como a construção (onde as mulheres recebem 59,8% da média salarial dos homens), indústria (60,9%) e administração pública (62,6%).

Considerando que estas mesmas mulheres, que ganham praticamente apenas a metade que um homem, ainda têm de cuidar da casa e dos filhos muito mais que os homens, vemos, na prática, o que significa a dupla jornada: trabalhar o dobro ou triplo e ganhar a metade.

Em defesa da libertação feminina

Além de ganharem os salários mais baixos, as mulheres são as primeiras a perder seus empregos; são mais assediadas moralmente e sexualmente; e sofrem a violência doméstica e na sociedade como um todo. A mulher já é agredida nos trens, ônibus e metrôs, onde muitas vezes sofre agressões sexuais; chega no trabalho e é colocada em funções degradantes ou tratada sempre com inferioridade; e, no final do dia ainda tem de garantir o funcionamento da casa e colocar sua força de trabalho a serviço do marido, limpando a casa, cozinhando para a família inteira, cuidando dos filhos, etc. O custo disso, mesmo tendo estudado mais: receber 27,7% a menos!

        Por isso, este 8 de Março não foi um dia para comemorar, e sim para relembrar a luta das mulheres por direitos e contra o capitalismo, que agride, explora e oprime todas as trabalhadoras.

Em defesa do feminismo classista

         Nesta data, outra discussão que vem à tona é sobre o feminismo burguês, que considera que todas as mulheres são aliadas e que todas, independentemente da classe, devem estar juntas combatendo o machismo e a opressão, reduzindo o problema a uma questão de gênero.

Isso, na verdade, só serve para dividir ainda mais a luta da classe trabalhadora, pois tenta colocar os homens enquanto gênero como os principais culpados pela opressão, e não o modo de produção capitalista, a serviço da burguesia como classe dominante. A luta contra opressão, antes de mais nada, é parte da luta de classes, e é uma luta que deve ser encabeçada pelas mulheres trabalhadoras junto com os homens trabalhadores contra os patrões.

As mulheres burguesas são inimigas das mulheres operárias, pois são donas de grandes empresas, políticas corruptas e fazendeiras que, tanto como os homens burgueses, exploram todos os trabalhadores. As patroas, ao incentivarem a discussão de que todas as mulheres são iguais só ajudam a seguir disseminando a opressão, e a esconder que sua unidade é com os patrões.

        É evidente que todas as mulheres, inclusive as burguesas, sofrem os efeitos do machismo e são oprimidas. E é nosso dever defender as mulheres como um todo contra a opressão. Mas esta opressão só existe e é incentivada a seguir existindo por conta da necessidade de justificar a superexploração econômica das mulheres trabalhadoras.

Dessa forma, o combate ao machismo deve ser diário, e deve ser pautado em cada luta por salário, por emprego, redução da jornada, etc. Também deve-se travar uma luta específica pela construção de creches para que as mães tenham onde deixar seus filhos e possam trabalhar, pela licença-maternidade ampliada e obrigatória.

Assim como também é fundamental que lutemos pelo direito de decidir sobre o seu próprio corpo, não só quando é estuprada ou quando corre risco de vida, permitindo que seja ela e não a Justiça a serviço dos ricos, ou os governos, que decidam se pode realizar aborto.

Derrotar Lula, para garantir direito ao aborto e licença de 6 meses

        O governo Lula, que agora tenta parecer preocupado em combater a opressão, pois vai lançar uma candidata mulher à presidência da República, não deu um passo sequer no caminho de ampliar os direitos das mulheres trabalhadoras. Este governo é responsável por deixar na gaveta toda possibilidade de legalizar o aborto, sendo cúmplice da morte ou sérias complicações em 100 mil mulheres ao ano, obrigadas a apelas a clínicas clandestinas.

Essa discussão não deve ser encarada como um debate moral, mas do ponto de vista de saúde pública. Concorde-se ou discorde-se do aborto, só quem realmente pode decidir se deve ou não fazer é a mulher, que mais vai sofrer as consequências de uma gravidez indesejada. Defendemos, ao mesmo tempo em que se legalize o aborto, que o Estado garanta todos os recursos e métodos contraceptivos, sem constrangimentos e sem burocracia a todas as mulheres.

        Numa medida demagógica e eleitoreira, Lula discute uma suposta ampliação da licença maternidade para 6 meses em todas as empresas. Esta medida é apenas uma promessa e prova que a ampliação anunciada no ano passado era uma farsa. Em 2009, o governo já tinha anunciado esta mesma medida, mas ela era opcional, e as empresas só aderiam se quisessem. Caso quisessem, ainda ganhavam isenção de impostos.

Agora, Lula anuncia pela 2ª vez a mesma medida, numa demonstração patética de querer ganhar voto com tudo, mesmo que de um anúncio repetido. Dessa vez, a medida seria obrigatória, mas sequer existe uma pauta no Congresso para que seja votada, nem qualquer garantia de que uma Medida Provisória seja editada. Independente de qualquer coisa, a licença-maternidade ampliada para 6 meses é um direito básico, que segue sendo negado à maioria das mulheres, e que Lula em 8 anos negligenciou. Caso seja obtida, será produto das lutas das mulheres e não desse governo machista ou das entidades feministas pelegas, que nunca fizeram nada a respeito.

        Esse fato serve como lição a todos nós: a luta da classe trabalhadora, precisa, como vida ou morte, que as mulheres estejam presentes, à frente de sindicatos, de grêmios estudantis, nos protestos e manifestações, e que estas mulheres e homens lutadores organizem entidades que ponham na ordem do dia a luta contra o machismo combinada com a luta pelo socialismo. Sem isso, estaremos, para sempre, condenados a assistir aos aplausos a um governo que só discursa, e no qual as mulheres podem sair pior ainda do que entraram.

 

- Pela legalização imediata do aborto, público, gratuito, e sem burocracia.

- Pela redução da jornada de trabalho para 36h semanais

- Pela implantação da licença-maternidade de 6 meses para todas, sem isenções às empresas.

- Punição e cadeia aos agressores e assediadores de mulheres.

- Por investimentos massivos em políticas para a mulher e para a saúde feminina

- Creches públicas e gratuitas nos locais de trabalho e centros de fácil acesso.

 

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