Desastre no Chile. Terremoto e descaso do governo Bachelet levam à morte mais de mil pessoas.

Em pleno século XXI, com toda tecnologia existente para prever terremotos e tsunamis, o povo Chileno foi surpreendido no dia 27 de fevereiro, a maioria em suas casas, por um forte terremoto seguido por ondas gigantes –tsunamis-, levando a devastação a povoados inteiros.

As áreas mais atingida foram a cidade de Concepción, na zona central do país, e também o litoral, em regiões como Libertador Bernardo O`Higgins, de Maule e Bio-Bio, onde povoados inteiros foram brutalmente  devastados pelas ondas que se seguiram após o terremoto. Depois disso, os tremores secundários vêm assustando a população, que tem ficado em barracas e improvisados alojamentos. Os tremores seguem sentidos de norte a sul, isto é de Coquimbo até Valdivia.

Neste cenário de devastação, parte do povo chileno vive sem luz, água, comunicação e alimentos, com 2 milhões de desabrigados e mais de 1,5 milhões de residências afetadas. O pânico se instala e a desconfiança com o governo de Frente Popular aumenta, diante do caos e da negligência oficial.

O diretor do Serviço Hidrográfico e Oceanográfico (SHOA), Mariano Rojas, foi demitido pela Marinha chilena, porque não alertou a população mais cedo sobre o tsunami após o terremoto. Mas nenhum técnico é culpado sozinho, muito menos é o principal responsável.

A lenta reação do governo da presidente “socialista” Michelle Bachelet, como os próprios aliados admitem, refletida na demora em prestar socorro às vítimas das áreas mais devastadas, provocou manifestações de repúdio ao descaso do governo com a população atingida.

Há contradições entre os números de mortos, no qual o governo chileno divulga um número oficial que é metade do contabilizado pelo Escritório Nacional de Emergência (Onemi). Quando este informava quase 900 mortos, a presidência admitia apenas cerca de 400. Agora que os números, tragicamente, dão razão às cifras maiores, já se indica que mais de mil pessoas perderam suas vidas na tragédia.

Isto é uma demonstração clara de que os governos burgueses mentem para o povo, tentando reduzir o impacto da falta de ações rápidas e eficazes para evitar mortes em caso de catástrofes ambientais, que já haviam sido previstas, porém, não tiveram seus danos prevenidos.

O capitalismo matou mais mil!

Não é de hoje que o Chile tem sofrido com terremotos, mas, como o capitalismo é incapaz de atender às demandas dos trabalhadores, não planeja nem organiza construções adequadas. Mesmo em áreas que apresentam falhas sísmicas, proliferam as construções inapropriadas, e a infraestrutura de socorro está sempre precarizada.

O capitalismo só atende as necessidades dos banqueiros e empresários; enfim, dos capitalistas, em detrimento dos serviços prestados à população. Na ganância de manterem seus lucros, sucateiam os serviços prestados aos mais pobres, e isso acontece tanto em governos da direita como da esquerda eleitoral.

        Assim como no Haiti, a culpa das mortes é do capitalismo. As falhas tectônicas e o movimento de suas placas, com os consequentes terremotos, não são culpa de nada nem de ninguém. Mas o despreparo e pouco caso com a vida dos trabalhadores, que são pegos desprevenidos e não recebem ajuda médica, comida e abrigo, são responsabilidade dos governos e instituições capitalistas, sem dúvida nenhuma.

Tanques da ditadura voltam a matar pela mão da Frente Popular

A população em pânico e sem perspectiva de que em curto prazo o governo resolva sua situação vai à luta pela sobrevivência, buscando alimentos em supermercados, e saqueando os depósitos que os grandes empresários mantêm, para especular e ganhar com a tragédia. Nós não apenas entendemos estas ações, como apoiamos e defendemos que se generalizem, numa onda de saques e expropriações dos bens da burguesia, que devem servir para reconstruir o país.

Os saques devem ser combinados, evidentemente, com formas ainda mais estáveis e estruturais de garantir acesso à comida, por exemplo. Estas ações devem ser as ocupações de fábricas e meios de produção, o que deve ser feito por manifestações amplas das massas.

Ao contrário de tudo isso, Bachelet colocou os tanques na rua e decretou toque de recolher. Agora, os trabalhadores famintos são tratados como criminosos, e a direita fascista aplaude a volta dos tanques, que já mataram um manifestante, inclusive.

O novo governo de direita de Sebastián Piñera mal assumiu e não precisou tomar nenhuma nova medida: apenas manteve a repressão “socialista”. Piñera agora está propondo que nas áreas devastadas a militarização e repressão a liberdades individuais, com o toque de recolher, sejam mantidos sem prazo para acabar, lembrando os tempos do ditador militar Augusto Pinochet (1973-1990).

A imprensa burguesa distorce os fatos e, como sempre, manipula a opinião pública quando divulga que os “saqueadores” de supermercados estariam se aproveitando da situação. Quem numa situação de caos instalado, carência de alimentos e água pode ser acusado de “se aproveitar” por tomar produtos para sua família?

Enquanto isso, os verdadeiros saqueadores, banqueiros e políticos corruptos, contam com a omissão das entidades sindicais, que nada fazem pelos trabalhadores, “chocadas” com os saques e com a quebra da legalidade.

É óbvio que em situação de caos sempre existem os oportunistas que desviam as verbas arrecadadas em campanhas de solidariedade, para benefício próprio, e isto sim nós repudiamos, mas a imprensa não coloca os saqueadores permanentes dos governos como vândalos oportunistas. Os que são responsáveis pelas mortes nas filas dos hospitais públicos; pela fome em função de não ter trabalho para garantir sua subsistência; pela violência urbana, resultado da falta de investimento em educação, em geração de emprego, em habitação... Enfim, isto a imprensa burguesa não questiona, pois esta é ordem natural do capitalismo: a vida boa e lucrativa dos empresários e governos burgueses em detrimento da vida ruim do povo trabalhador.

Só a luta socialista pode apresentar uma solução efetiva contra o desespero recorrente das tragédias naturais

Em momentos de catástrofes naturais, se evidência claramente a impotência do capitalismo em resolver os problemas e estar preparado para enfrentá-los, pois sua economia se caracteriza por uma produção desorganizada. Se produz para concorrer no mercado e não para atender as necessidades do povo, e também os investimentos em saúde, educação e moradia não são direcionados para atender as reais demandas da população.

Não bastam os avanços tecnológicos que venham no sentido de prever as catástrofes naturais, se isto estiver a serviço dos grandes empresários burgueses. Porque qualquer avanço estará a serviço da burguesia e para atender suas demandas e não a dos trabalhadores. Irão servir para medir futuros índices de precipitação em suas lavouras, e não para identificar possibilidade de cheias, por exemplo.

Neste sentido, se faz necessário que os trabalhadores se organizem e seus sindicatos e construam mobilizações, greves, atos públicos para resistir à exploração capitalista. Esta luta política deve estar combinada com a solidariedade de classes, que responda à urgência de ajuda de que necessitam nossos irmãos chilenos.

Mais do que nunca o povo chileno dá demonstração de solidariedade. Mesmo que de forma distorcida e manipulada pelo governo e ONGs, a campanha “ Chile ajuda Chile” já arrecadou cerca de 60 milhões de dólares para ajudar na reconstrução das áreas destruídas. Mas é necessário que estas arrecadações sejam controladas pelos trabalhadores, e não pelas organizações burguesas, que são organizações que acabam não atendendo quem realmente necessita.

É preciso que as organizações de trabalhadores do mundo todo organizem campanhas de arrecadação de alimentos, dinheiro e também enviem brigadas que se unam nesta tarefa de ajudar o povo chileno na reconstrução das áreas destruídas. Mais do que nunca é necessária a solidariedade da classe trabalhadora.

 

- Por um plano de reconstrução das áreas destruídas sobre controle dos trabalhadores,

- Fim da militarização, restrições das liberdades individuais, toque de recolher das áreas destruídas,

- Pelo não pagamento das dívidas habitacionais do povo chileno

- Apoio às ocupações de fábricas, expropriação dos patrões e saques pela sobrevivência contra a burguesia.

 

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