Obama prepara ameaça nuclear ao Irã e países contrários ao imperialismo

 

Com a realização da cúpula de segurança nuclear em Washington, o presidente dos EUA, Barack Obama, pretende avançar em seu projeto de intimidação do Irã e outros países que venham a se contrapor a sua política de dominação mundial.

O encontro, cujo principal tema é o suposto perigo do “terrorismo nuclear”, é o mais recente capítulo da ofensiva do governo de Obama na área nuclear. Na semana passada, ele anunciou a revisão da estratégia atômica do país, prometendo não atacar com armas nucleares países que respeitam o Tratado de Não-Proliferação. Na quinta, assinou uma nova versão do Start com a Rússia (plano de redução dos arsenais atômicos). Agora, será o anfitrião da maior cúpula sobre segurança nuclear desde a reunião de São Francisco, em 1945. Obama, por meio de ações aparentemente pacifistas, de “controle” sobre a tecnologia nuclear, na realidade prepara um dos maiores golpes e ataques contra a independência das nações subdesenvolvidas.

 

O “Nobel da Paz” ameaça com ainda mais guerra

 

Obama, eleito no ano passado como Prêmio Nobel da Paz, apesar de manter a guerra no Iraque  e de ampliar a guerra no Afeganistão, agora mira na Coréia do Norte e no Irã. Cumprindo seu papel de Frente Popular, ou seja, de um governo burguês e de direita, mas que tem de simular ser de esquerda e popular, Obama não admite explicitamente que está propondo preparar a guerra ao Irã, como faria George W. Bush, seu antecessor. A diferença de Obama é apenas essa: manter a mesma política, mas com sutileza ao invés de truculência.

São 3 as medidas que confirmam este plano imperialista de provocação armamentista: a ilusão de reduzir arsenais; a intenção de reforçar “regras” sobre o armamento nuclear, onde uns são convidados e outros não; e a ameaça explícita contra Irã e Coréia do Norte.

Para começar, a enganosa redução dos arsenais atômicos acertada entre os 2 maiores detentores deste tipo de arma – EUA e Rússia – não tem efeito prático algum, mas é um passo político na intimidação dos demais. Ao limitar suas ogivas atômicas a 1500 artefatos, os dois países ainda poderão destruir o mundo centenas e centenas de vezes, o que quer dizer que não houve melhora nenhuma na segurança do planeta e da população mundial. O próprio presidente Lula, tradicionalmente omisso ou cúmplice das decisões imperialistas, comparou a redução ínfima destes armamentos a alguém que joga fora parte de seus remédios vencidos. Não deixa de ter razão... O armamento obsoleto da Guerra Fria, de 50 anos atrás, está sendo parcialmente descartado, mas o que tem maior poder de destruição segue intacto. Por trás da medida, porém, está a mensagem de que EUA e Rússia estão fazendo sua parte e que, portanto, mais ninguém tem o direito de ir na “contramão” dessa medida e fabricar novas armas nucleares, impedindo que novos países possam se defender atomicamente, especialmente dos próprios EUA.

Em segundo lugar, a Cúpula nuclear quer definir e reiterar regras para as armas atômicas. O absurdo é que foram convidados países como Índia e Paquistão, que fizeram suas bombas atômicas nos últimos anos, sem autorização internacional e, portanto, “ilegalmente”, mas com a ajuda clara de EUA e Rússia. Também foram convidados países que nem têm estes artefatos, mas que vão se reunir apenas para dar palpite e fortalecer a farsa norte-americana. Aí, entra o Brasil, por exemplo. Por último, ainda há o convidado de honra: o Estado semi-nazista e genocida de Israel. Este país, escandalosamente, é tratado normalmente como detentor da bomba atômica, o que todos sabem, mas que nunca foi admitido. Pior que Índia e Paquistão, Israel além de desenvolver seu programa nuclear à revelia da comunidade internacional, ainda mantém segredo até hoje de quantas ogivas tem, sua capacidade e onde estão localizadas. Por outro lado, o Irã, que todos sabem das plantas com centrífugas de enriquecimento de urânio, amplamente divulgadas e já inspecionadas, não foi convidado.

Da mesma forma a Coréia do Norte, que nunca escondeu ter fabricado a bomba. A ironia trágica de tudo isso, é que Israel, que fez todo seu processo de forma ilegal, e que é ele mesmo um Estado ilegítimo, anuncia que não vai à Cúpula. Ou seja, além de usar armas proibidas contra civis, como o fósforo branco, que queima as pessoas vivas, e que foi jogado sobre palestinos na Faixa de Gaza; além de fazer incursões em países estrangeiros para assassinar quem bem entende, como recentemente fez em Dubai; e de roubar diariamente as terras palestinas, sempre pouco se lixando para a ONU e organismos multilaterais, agora Israel diz que não vai à cúpula que seus próprios aliados tentam montar. Mesmo com todas estas infrações, contudo, Israel nunca foi ameaçado de ataque. O Irã, sim!  

Por fim, e para coroar esta política de isolamento do Irã e preparação para um possível ataque, Obama explicitou sua doutrina nuclear: não atacar com bombas atômicas primeiro, devendo usá-las apenas para reagir. Mas isso tudo muda se o país em questão não assinar seus acordos. Traduzindo: no caso do Irã, Obama se dá ao direito de não apenas atacar gratuitamente o país (o que Bush chamava cinicamente de “ataque preventivo”), como prevê a possibilidade de isso se dar com bombas atômicas.

 

É preciso boicotar e enfrentar a cúpula para a guerra! Pelo direito à defesa nuclear.

 

O encontro, que durará dois dias, discutirá a situação do Irã e contará com a presença de 47 países. O presidente Barack Obama deve se reunir em uma série de encontros bilaterais com os presidentes da China, da Jordânia, da Ucrânia, da Armênia e da Malásia. Depois, ele irá presidir o jantar que abre a cúpula.

Todas estas iniciativas são uma resposta no sentido inverso ao que fazia Bush, que declarou guerra ao Iraque sem apoio dos demais países, e viu sua rejeição virar recorde. Obama leva adiante a mesma política belicista, mas antes quer se assegurar do apoio internacional e de “leis” para isso. A cúpula em Washington, porém, é apenas uma fachada para preparar a guerra, e deve ser boicotada.

O Irã, paralelamente, revelou a sua terceira geração de centrífugas nucleares, capazes de enriquecer urânio até seis vezes mais rápido do que a tecnologia atual, de acordo com as autoridades do país. A apresentação das centrífugas foi feita durante uma cerimônia oficial no Irã para marcar o Dia Nacional de Tecnologia Nuclear, com a presença do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Com todas as críticas que se deve ter ao governo teocrático, fundamentalista e burguês do Irã, a única maneira de impedir uma iminente agressão ao país é justamente essa: acelerar o desenvolvimento nuclear. Com armas atômicas até os dentes, os EUA só poderão deter suas intenções com muita luta das massas, mas a presença de uma arma nuclear do outro lado também interfere, pois a reação a um ataque poderia ser mortal.

            Nós defendemos o direito ao armamento dos países oprimidos, ainda mais no caso do Irã, ameaçado o tempo inteiro pela presença de bases americanas na região, e pelo Estado de Israel na vizinhança. A única possibilidade de se querer o não armamento de um país, inclusive atomicamente, seria com o desarmamento total de todos os outros, o que nunca vai ocorrer no capitalismo. Assim, é evidente que o Irã deve ter o direito e precisa urgentemente desenvolver e multiplicar sua defesa.

            Neste momento, mais do que nunca, os trabalhadores de todo o mundo devem denunciar a política de Obama e sair às ruas contra a agressão ao Irã e ao povo do Oriente Médio.

 

 


VOLTAR