Lula e o veto ao reajuste dos aposentados: segue o arrocho de quem já perdeu muito!

        Depois de meses de impasse, com os aposentados de um lado, exigindo um reajuste no mesmo nível do último reajuste do salário mínimo; e, de outro lado, os deputados, senadores, e principalmente o presidente Lula fazendo de tudo para aprovar o índice mais baixo possível, finalmente foi votado na Câmara de deputados um reajuste de 7,7%.

        Desde o inicio do embate, o governo Lula dizia ser inadmissível um reajuste maior que 6,14%, pois isso afetaria muito as finanças do país. A alegação do governo é que os míseros 1,5% a mais de reajuste terão um impacto econômico de R$ 1,7 bilhão, o que seria incompatível com o orçamento federal.

        Considerando-se que para salvar os banqueiros e empresáros brasileiros da última crise Lula gastou quase R$ 200 bilhões e que deve emprestar US$ 10 bilhões somente ao FMI, podemos perceber que os aposentados são a última preocupação do governo. Mais uma vez é Lula o responsável por atacar desta vez os aposentados.

        Somente para se ter uma ideia, mesmo que o reajuste enfim seja implantado, ainda terá sido abaixo do reajuste do salário mínimo, que foi de 9% este ano. Ou seja, os aposentados, de qualquer forma, terão perdido ainda mais este ano. Somente no governo Lula, desde 2003, já há uma perda de 51% !

        Segundo os dados do próprio INSS, hoje 2,36% dos beneficiários recebem menos do que um salário mínimo, 67,39% recebem exatamente um salário mínimo e 13,37% recebem entre 1 e 2 mínimos. Somando-se todas estas faixas de pobreza total, chegamos à conclusão 83,12% dos aposentados, pensionistas e demais beneficiados pelo INSS, ou 18.936.475 pessoas, recebem um salário de fome, que mal paga um aluguel, ou os gastos com alimentação de um único indivíduo. 

Oposição de direita faz passar reajuste de 7,7% pois só pensa nos votos que pode ganhar na eleição de 2010

        O PDT, tentando dar a impressão que está preocupado com os aposentados, liderou a nova proposta de 7,7%, mesmo sendo da base do governo. Com isso, bateu de frente com Lula e ganhou apoio de diversos outros partidos, fazendo com que este índice fosse aprovado pelos deputados. Em valores reais, porém, isso é uma "concessão" de apenas R$ 0,5 bilhão a mais do que a proposta que o governo já havia aceitado.

        Ou seja, depois de duros embates, muitas vezes parecendo de princípios, o que se fez foi se costurar mais um acordo entre oposição e governo para seguir contendo gastos com os trabalhadores e aposentados. Deram uma esmola, que ainda podioa ser vetada por Lula, o que significa que os aposentados seguem sem nada a comemorar.

        A proposta do PDT passa longe de expressar alguma preocupação com os aposentados. É pura demagogia eleitoral, com a tentativa de se postular como aqueles que brigaram pelos aposentados. É o mesmo discurso enganoso que faz o senador Paulo Paim (PT-RS) há muito tempo, e o máximo que se vai conseguir por dentro deste sistema em que todos os partidos de eleição estão comprometidos com o sistema econômico e os grandes emepresários.

Fim do fator previdenciário

        O fator previdenciário é um método utilizado para que os trabalhadores adiem suas aposentadorias, já que reduz o valor do benefício, tanto em função da idade como do tempo de contribuição. Assim, amplia o descaso com que os dependentes do INSS são tratados, com rendas miseráveis e sem condições de cuidar nem mesmo de sua saúde. As regras do cálculo do fator previdenciário são confusas, arbitrárias e formuladas para justificar o arrocho dos benefícios, levando em conta a expectativa de vida da população brasileira, que a cada ano muda de acordo com estatísticas elaboradas pelo próprio governo

        Na prática, a esta altura, o "mal" já está feito, e o fim do fator, à esta altura, não mudaria mais nada na imensa massa de trabalhadores que já teve seu salário esmagado. Para os novos, também não há grande esperança, pois o fator, mesmo que caia, deve ser substituído pela necessidade de aguardar mais para se aposentar: o chamado modelo 85/95, sendo estes números a soma daa idade e de contribuição exigidos para mulheres e homens, respectivamente.

Governo, oposição de direita e centrais sindicais: todos juntos atacando os aposentados.

        Logo que se iniciou a discussão sobre o reajuste das aposentadorias, centrais sindicais como a CUT e a Força Sindical estiveram junto com Lula, esperando para negociar nos gabinetes o reajuste. De lá para cá,  o governo endureceu e se recusou a rever o índice, o que inclui a ameaça de Lula de que poderá vetar os 7,7%. Somente a partir da negativa em negociar um mínimo que fosse, é que as centrais passaram a exigir uma migalhazinha a mais, e, ainda assim, sem maiores críticas ao governo e sem nenhuma mobilização.

        Mais uma vez, para defender o capitalismo e o orçamento pró-burguês do governo, em que os pobres pagam, mas o dinheiro vai sempre parar com os ricos, os partidos de eleição e as centrais sindicais traidoras demonstram ser um grande entrave para que a população pobre e trabalhadora consiga garantir avanços no seu nível de vida.

        CUT e Força ativamente, e mesmo a Intersindical e Conlutas, por omissão, permitem que o debate sobre os aposentados fique restrito às supostas desavenças entre PT e PSDB. Ou seja, o futuro de dezenas de milhões de aposentados e de suas famílias é decidido em mesas do Congresso, pelos mesmos corruptos que nos assaltam o ano todo. Enquanto isso, as centrais apenas assitem a tudo, sem que se proponham atos de rua, campanhas de denúncia de massa, paralisações em solidariedade, etc. Assim, mesmo quem hoje ainda não depende do INSS caminha em direção a um futuro de pobreza e ainda mais exploração.

        Por isso, chamamos os aposentados do Brasil a repudiar esse reajuste e travar a luta por uma aposentadoria digna, que recupere o valor inicial do benefício e com a indexação dos reajustes futuros ao índice aprovado para o salário mínimo. Também defendemos a imediata revoçação das reformas da Previdência de FHC e Lula, que introduziram a contribuição para os inativos, aumentaram a idade mínimo para se aposentar e o famigerado Fator Previdenciário. Nesta luta, todos os trabalhadores devem estar juntos, para derrotar Lula e o Congresso corrupto.

 

 


VOLTAR