Caixa e Correios ameaçados. Lula defende as estatais?
O fim do mandato do governo Lula termina em meio a uma ameaça muito séria aos trabalhadores das estatais brasileiras e à população. Em especial, a Caixa Econômica Federal e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos estão sofrendo um dos maiores ataques da História. Depois de FHC privatizar diversas empresas estratégicas do país, como a Vale do Rio Doce, a telefonia, etc., agora Lula está prestes a fazer o que apenas em pesadelo se imaginaria o PSDB fazendo.
Lula, desde que tomou posse em 2003, seguiu leiloando e vendendo aos estrangeiros nosso petróleo e privatizando, de forma disfarçada, além da Petrobrás, o Banco do Brasil e outras empresas importantes, através da abertura de capital, terceirizações e sucateamento.
Agora, Caixa e Correios, duas das poucas que permanecem realmente estatais, estão na mira dos grandes empresários e de seus representantes no governo e no congresso nacional.
Reestruturação e sobrecarga de trabalho na Caixa
Está em curso na CEF um duro ataque aos funcionários. O governo impôs um projeto chamado de "reestruturação", que visa sucatear a Caixa e aumentar a exploração sobre os bancários e bancárias de todo o país.
A medida do governo visa simplesmente fechar diversos setores da Caixa, nas chamadas áreas-meio, que são responsáveis por manter e administrar alguns ramos fundementais da CEF, como a habitação, FGTS, fundos sociais (responsáveis pelo Bolsa Família, por exemplo). O objetivo é simplesmente cortar gastos e economizar com funcionários, dando a impressão de estar "redistribuindo" os funcionários de áreas administrativas para as agências, que atendem diretamente ao público.
Na verdade, não é nada disso. Todas as áreas sairão perdendo, e os funcionários desalojados de seus setores, extintos ou precarizados, ocuparão as vagas que seriam dos chamados pelos concursos, estrangulando o quadro de funcionários, já bastante reduzido pelo Plano de Aposentadoria Antecipada (PAA), de Lula, que ajudou a desfalcar o banco de mais 2.569 colegas que foram "convidados a sair".
Ou seja, o governo sucateia as áreas-meio, sem contratar novos trabalhadores, e afastando parte dos mais antigos, atacando o caráter social do banco e avançando no projeto de fazer da CEF, assim como do Banco do Brasil, um banco igual a todos os outros, que só pense no lucro.
Além disso, estão sendo atacadas as chamadas retaguardas das agências bancárias, onde se trabalha no suporte e verificação das operações bancárias realizadas nos balcões de atendimento ao público. Esses setores são fundamentais para o controle das operações bancárias. A medida do governo praticamente acaba com as retaguardas, subordinando-as à lógica empresarial dos gerentes, o que também irá aumentar o sucateamento e reduzir o controle das operações realizadas.
Correios: uma modernização baseada na privatização e demissão.
Nos Correios (ECT), o governo Lula e o ministro das Comunicações criaram um grupo de trabalho interministerial, GTI, para discutir e encaminhar medidas que visem "modernizar" os Correios. Essa modernização consiste em aprofundar o processo de desmonte da ECT, as terceirizações e a privatização da empresa.
Hoje, diversas agências postais já são terceirizadas, num convênio criminosamente renovado por Lula com o Bradesco, assim como o serviço de transporte da carga, que já é executado em grande parte por terceirizadas.
Como se isso não bastasse, o governo quer fazer com os Correios o mesmo que fez com a Petrobrás: entregá-lo para a iniciativa privada, o transformando em sociedade anônima, ou Correios S/A.
Dessa forma, 49% do capital da ECT poderá ser comprado por empresas privadas. Essas empresas sem dúvida nenhuma obteriam mais da metade do lucro dos Correios, pois certamente os 51% que ficariam sob o controle do governo teriam rendimentos inferiores ao capital aberto, se concentrando na "parte podre" da empresa, que seria atender os pequenos municípios, garantir a carta social, etc. Os bairros e regiões onde o volume de objetos postais são maiores e mais valiosos, ou onde se entrega mais Sedex, ao contrário, serão oferecidos aos empresários de fora, que deverão demitir, contratar mais terceirizados, piorar as condições de trabalho e enxugar a folha de pagamento.
Por isso, afirmamos que o Correios S/A coloca em risco o emprego de todos os trabalhadores da ECT. É uma forma disfarçada de privatização, mas com os mesmos efeitos e consequências já conhecido pelos trabalhadores.
Hoje, os trabalhadores dos Correios possuem um dos piores salários entre as estatais brasileiras. Com a privatização, isso ficaria ainda pior.
Além disso, a população como um todo será muito prejudicada, pois a entrega de cartas e encomendas deixaria de ser um serviço do Estado para com a população e passaria a ser um negócio, com o objetivo único de dar lucro e reduzir custos.
Os moradores do interior dos estados, e das cidades e regiões periféricas seriam os mais prejudicados, pois uma empresa que só pense no lucro não vai investir para manter a entrega de cartas simples e social nas vilas e morros do país.
Por isso, a luta pela defesa de um Correios público, de qualidade e controlado pelos trabalhadores, é uma luta do conjunto da população.
Nem Dilma, nem Serra. Lutar por um correio público e dos trabalhadores.
Os trabalhadores da ECT e da CEF mais antigos têm repetido constantemente que o ritmo de trabalho atual, a exaustão e a sobrecarga nunca foram tão fortes. Alguns chegam a dizer que nem na ditadura militar se trabalhava de forma tão pesada e cansativa.
Esse fato nos faz refletir sobre o carater do governo Lula, que diz ser de esquerda e governar para os pobres, mas na verdade só privilegia os grandes empresários, banqueiros e ataca a classe trabalhadora. Bancários e ecetistas, assim como petroleiros e funcionários públicos em geral, lutaram demais contra Lula. Em especial nos últimos anos, onde temos assistido no mínimo uma greve por ano em todas essas categorias.
Em outubro, os partidos tradicionais e a mídia tentarão dizer que é possível mudar as coisas através do voto. Mas os trabalhadores sabem que não. Lula e Dilma estão comprometidos com os Correios S/A e com a entrega dos nossos recursos aos banqueiros e estrangeiros. E o que dizer dos tucanos, pioneiros da privatização, do arrocho e sucateamento dos serviços públicos?
A saída para os trabalhadores é a luta. Em cada local de trabalho, nas passeatas e mobilizações se decide o futuro de centenas de milhares de funcionários e, de certa forma, da população como um todo.
A única garantia que os funcionários da Caixa e os trabalhadores dos Correios possuem é a sua própria luta e organização. Somente assim é possível resistir a esses ataques e atropelar os agentes do governo que atuam no movimento sindical para defender todo esse projeto.
A CUT e CTB são defensoras dos Correios S/A, da reestruturação da Caixa e de tudo que o governo defende, pois seus partidos, PT e PCdoB, são o próprio governo. Por isso, temos visto tantas traições nas últimas lutas dos trabalhadores.
Nesse sentido, a garantia da manutenção dessas duas empresas como públicas e a luta para que passem a ser controlada pelos trabalhadores, dependem do surgimento de uma nova direção para o movimento sindical, que seja de luta, independente do governo e organizada pela base.
Junto com os trabalhadores e lutadores de outras categorias, mobilizados e dispostos a fazer greves, trancar ruas e protestar, é possível derrotar mais esse ataque do governo.
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