Fora FMI da Grécia! Todo apoio à luta dos trabalhadores contra o plano de ataques!
A farsa de que a crise econômica havia passado por seu pior momento, e que já estávamos em plena recuperação foi desmontada nas últimas semanas. A Grécia vem provando na prática que a crise ainda está muito longe do fim.
O endividamento público, provocado para manter e salvar os negócios da burguesia, agora cobrou seu preço: chegaram os vencimentos das suas dividas e a realidade é que não havia dinheiro algum para pagá-las. Assim, sem mais nenhuma manobra contábil ou saída paliativa para tentar jogar a sujeira para debaixo do tapete, só restou uma alternativa à burguesia: fazer os trabalhadores pagarem a conta.
O plano negociado recentemente, que envolve um emprétimo de pelo menos 110 bilhões de euros, é o maior plano de socorro da História, e, longe de "salvar" a Grécia, vai afundá-la ainda mais, levando a Europa e o restante do mundo juntos.
O endividamento ainda maior do país, através de empréstimos via União Europeia e FMI, levarão a um arrocho inédito nos salários, aposentadorias e gastos sociais do país, que empobrecerá 10 anos de uma hora para outra. Outro efeito devastador será sobre a classe trabalhadora dos outros países, cujos governos estão destinandon recursos da população para os empresários e governo gregos.
Da Itália, sairão, ao longo de três anos, 14,8 bilhões de euros, conforme decreto aprovado; Nn Espanha, o Conselho de Ministros aprovou a contribuição de quase 9,8 bilhões de euros ao pacote; na Alemanha serão mais € 22 bilhões, que representam 20% do valor total do pacote. Ao todo, os países da UE vão dar € 80 bilhões e o FMI, mais € 30 bilhões, podendo ser aumentado. Até o Brasil, afundado num aumento brutal de sua dívida, hoje em mais de 1,5 trilhão de reais, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai liberar US$ 286 milhões das reservas internacionais para a Grécia.
Considerando que Grécia deve virar um grande ralo por onde escoarão recursos já escassos no resto do mundo, e que ainda não está descartado o efeito dominó que pode existir com a queda de mais outras economias, como a da Espanha, as bolsas de valores em diversos países tiveram quedas bruscas.
A Bolsa de Valores de São Paulo acumulou uma queda 6,9% em pouco dias, e índice Dow Jones, nos EUA, chegou a operar com queda de 9%. A bola de neve da crise econômica, que começou com as chamadas bolhas financeiras, e a bolha de crédito habitacional e hipotecas nos EUA, voltou a ter uma nova “epidemia” de quedas nas bolsas. E, desta vez, a União Europeia se encontra cada vez mais em um beco sem saída.
O que acontece na Grécia, ainda que em diferentes graus, tende a se expressar também em outros países do continente europeu, que junto com os EUA é o sustentáculo do capitalismo. A conclusão desse processo é que o modo de produção capitalista não tem mais jeito. Não há mais como crescer, e as tentativas para isso são baseadas em fraudes e golpes, com resultados positivos durante um curto espaço de tempo, ao final do qual vem a quebradeira.
Entre os ataques propostos contra os trabalhadores, desta vez, estão o congelamento de salários dos servidores públicos até 2013, o aumento generalizado de impostos, o corte nos planos de aposentadoria, o fim de vários benefícios e a flexibilização das leis trabalhistas.
Uma situação revolucionária!
Diante da crise, a Grécia já passou por quatro greves gerais, nas quais pararam setores como serviços públicos e todos os transportes, inclusive com os aeroportos fechados. Ninguém entrava ou saia do país, e protestos com mais de 300 mil pessoas na rua pararam a Grécia. Com apoio de diversos sindicatos e até mesmo de setores da imprensa que pararam suas transmissões diante de tamanha instabilidade e incerteza do rumo que anda o país, a última e mais radical greve geral do país provocou 3 mortes e confrontos violentos com a polícia, chegando a haver uma tentativa de ocupar o Parlamento.
Uma das bandeiras mais levantadas por diversos grupos de manifestantes, colocada para ação, é o Fora FMI, que finge ajudar o país para, na prática, torná-lo ainda mais dependente e cheio de dívidas, cobrando ao longo dos anos muito mais do que hoje está sendo emprestado. Os enfrentamentos com a polícia e a rejeição ao pacote se combinam com a rejeição ao governo "socialista" grego, recentemente eleito, já como expressão da insatisfação popular, e que agora faz pior ainda em termos de exploração aos trabalhadores.
Dessa forma, a polarização de classes está acelerada, com a burguesia não conseguindo mais manter-se como está e a maioria da população recusando-se a viver como o pacote econômico a fará viver. O resultado é uma país em plena situação revolucionária, no meio de uma crise que pode colocar em questão a propriedade privada e o debate sobre o poder no país.
É isso que está por traz, ainda incipientemente, da luta nas ruas, dos trancamentos de rua e greve geral, dos coqueteis molotov usados para combater a polícia, etc., assim como, do outro lado, da reação do governo e do aparato repressor do Estado burguês, fazendo de tudo para conter as manifestações.
Chega-se a um ponto que cada vez mais só existem duas saídas: ou a classe trabalhadora sai derrotada, através de aumento da violência, mortes e prisões de todos aqueles que se levantam contra o capitalismo, ou os trabalhadores derrotam o governo e avançam para tomar o poder, como única forma de sair deste impasse. Quando os de baixo, os trabalhadores e o povo em geral, não aguentam e não têm mais condições de viver como estão e os de cima não conseguem dar o mínimo de concessão, a luta de classes assume contornos dramáticos e, como disse o revolucionário russo, Vladimir Lênin, a guerra civil oculta sob a democracia burguesa, pode se transformar em guerra civil aberta.
Uma revolução socialista é possível e necessária!
Hoje, o sentimento geral entre a população é de que é preciso derrotar o pacote, e que isso só vai ser feito lutando, pois o Parlamento e as demais instituições capitalistas estão juntas para lhes atacar. Mas a questão que os revolucionários e os setores mais conscientes e combativos dos lutadores devem levantar é a seguinte: "e depois?".
As centrais sindicais, sindicatos e partidos políticos que hoje são obrigados a conclamar manifestações e até mesmo greves gerais como forma de dar uma resposta aos trabalhadores e não serem atropelados pela onda de protestos e enfrentamentos que está se dando no país, propõe derrotar o pacote, mas não ao governo. E as que propõe derrotar o governo, já é de olho em ganhar as próximas eleições dentro do mesmo sistema. Ou seja, além de derrotar o pacote, e para conseguir derrotar o pacote, os trabalhadores gregos precisarão derrotar a burguesia como um todo: expropriar, sem indenizações, as fábricas e bancos do país; nacionalizar totos os recursos imperialistas, dos EUA e União Europeia, aplicados na Grécia; e sobretaxar e punir os ricos, que são os culpados pela crise.
A classe trabalhadora, mais uma vez, prova do que é capaz quando se mobiliza, mesmo contra a vontade da maioria das direções que fazem de tudo para sempre achar uma saída com menos danos e sem tanto enfrentamento. As lutas estão fortíssimas. Mas a radicalização dos protestos não vai levar a lugar nenhum se não estiver associada a um programa de ruptura com o capitalismo, e que aponte decididamente para uma revolução socialista.
À medida que aumentam os protestos, exige-se cada vez mais respostas das direções reformistas que hoje encabeçam as lutas, e elas ficam em um beco sem saída, pois estão comprometidas com o sistema atual, criticando apenas seus efeitos. Nós, do Movimento Revolucionário, entendemos que, se permanece esta falta de uma direção revolucionária, é inevitável que a burguesia se reorganize às custas de arrocho e ataques, e que, mais cedo ou mais tarde, derrote o ascenso revolucionário.
Mas isso custará caro, pois o que acontece hoje na Grécia se transformará em experiência para sua classe trabalhadora. Como a crise não vai acabar, e novos ataques virão, o acúmulo político que está havendo no país pode levar a uma vitória nas próximas lutas. Além disso, o enfrentamento grego é um exemplo para a luta dos trabalhadores no mundo todo, e abre uma perspectiva para que trabalhadores de outros países se identifiquem com essa situação e saiam também à luta nas ruas.
Não confiamos na direções que estão à frente destes processos, mas confiamos em que a classe trabalhadora, que age de acordo com as suas necessidades mais imediatas, e é exatamente isso que vem acontecendo. Para isso ir adiante, contudo, além de expulsar o FMI e o seu plano de arrocho do país, é necessário construir um governo que surja dos protestos e organizado pelos trabalhadores, o que só virá com o surgimento e massificação de uma organização revolucionária! É disso que depende o destino da Europa e dos trabalhadores no mundo todo!
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