PLANO DE AJUSTE

É A VEZ DE A ESPANHA TREMER!

Depois da Grécia, chegou a vez da Espanha aplicar um plano de ajuste econômico a mando do FMI e da União Européia. O governo espanhol de José Luis Rodríguez Zapatero decretou a redução de salários, o congelamento das aposentadorias e cortes nos investimentos públicos.

Diante do endividamento e da crise na Espanha, o FMI exigiu três medidas urgente ao país: uma consolidação orçamental, flexibilização do mercado de trabalho e consolidação do setor bancário. O governo estuda reduções salariais entre 2 e 8 por cento para empregados civis, poupando 4 bilhões de euros. A maioria dos 2,8 milhões de funcionários públicos da Espanha ganha entre 1.200 e 3.000 euros por mês, informou o diário El País na segunda-feira, 24 de maio.

Enquanto isso, o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, disse que está confiante em alcançar uma reforma trabalhista, vista como crucial para tirar a economia da pior recessão em 50 anos.

        "A melhor reforma trabalhista será aquela que tenha mais apoio", disse Zapatero a jornalistas, na cúpula entre União Europeia e América Latina, em Madri. O desemprego na Espanha é o maior da zona do euro, chegando a 20% no primeiro trimestre.

No dia 25 de maio, as principais autoridades da União Européia se reuniram em Bruxelas para discutir a crise da Zona do Euro.

Para o presidente da Comissão Européia (CE), Herman Van Rompuy, “a UE se encontra em um ponto crítico em que os próximos passos devem determinar o futuro da união econômica e monetária. A pressão dos sistemas de seguridade social e da despesa com saúde tem que ser abordada, obviamente", avisou Herman, que também apostou em mercados de trabalho "mais eficientes, mais flexíveis e mais inclusivos".

A necessidade de reformas estruturais foi o centro dos discursos no fórum econômico realizado em Bruxelas, uma vez que grande parte dos Estados-membros já optaram por políticas de austeridade para corrigir seus déficits públicos, caso da Grécia, Portugal, Espanha e Reino Unido. "Sem reformas, a Europa se estagnará com um crescimento que chegará, se muito, aos 1,5% e com um desemprego, inclusive depois da recuperação cíclica, de 7% a 8%", advertiu o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Olli Rehn.

Uma crise longe de acabar

Esse cenário é conseqüência da solução artificial criada pela burguesia mundial para fingir que a crise de 2008 foi superada. Na verdade, a recuperação parcial da economia em algumas partes do planeta de deveu a um processo de endividamento geral de alguns países, que saíram desesperadamente socorrendo banqueiros e empresários com montanhas de dinheiro e aumentaram seu endividamento e déficit orçamentário de forma nunca antes vista.

Em função disso, a própria imprensa tradicional e os analistas oficiais admitem que uma nova crise econômica se prepara. Alguns dizem que será maior do que a de 2008. Na verdade, não se trata de uma nova crise, e sim da mesma, que não foi superada.

O capitalismo atravessa uma crise estrutural, de superprodução e anarquia econômica. Com uma freqüência cada vez maior, se produz um cenário onde existe mais produto do que capacidade de consumo, ou mais capital fictício do que real, no campo financeiro. Isso faz com que os preços e as ações despenquem de uma hora para outra, gerando demissões em massas e recessão econômica. Há mais de um século, o capitalismo intercala períodos de recessão e crescimento, sendo que depois de cada recessão nunca se recupera as perdas sofridas. Por isso afirmamos que mesmo que a burguesia supere essa crise conjuntural, haverá outra crise ainda maior, porque este processo é inerente ao funcionamento anárquico da econômica capitalista, que produz para o lucro, de forma irracional.

A Europa em ebulição

Fica claro que a Europa está em ebulição. De um lado, países como Grécia, Espanha e Portugal atolados em dívida em função da crise econômica e sofrendo pressões de seus sócios da EU e do FMI para atacar os trabalhadores. Do outro lado, os trabalhadores europeus, com grande trajetória de luta, se opondo cada vez mais aos planos de ajustes e arrochos.

Depois de a Grécia tremer com processos de greve-geral e mobilizações massivas e radicais, a Espanha se prepara para encarar o mesmo processo. Uma greve geral estava marcada, mas foi adiada para 8 de junho.

"Vamos saber os detalhes do impacto dos cortes do governo em 20 de maio, então por razões de organização nós decidimos adiar a greve até 8 de junho", disse um porta-voz da UGT, segunda maior central sindical do país, nesta segunda-feira.

A tendência é que esse processo contamine o conjunto dos trabalhadores europeus, que desde 2008 estabelecem um processo de retomada das lutas e protestos que a muito tempo não se via. Os conflitos na Europa podem significar o agravamento da situação mundial, que já é marcada cada vez mais por crises e processos insurrecionais. Oriente Médio e América Latina atravessam uma situação de conflitos generalizados há mais de uma década.

 Agora, com a entrada da classe operária européia em cena, a situação revolucionária mundial se aprofunda, o que abrirá novos processos de luta e oportunidades para os revolucionários do mundo todo. Mais uma vez, está colocada a necessidade de uma direção revolucionária na Grécia, Espanha e no mundo todo, como forma de garantir que os novos processos revolucionários resultem na vitória dos trabalhadores e na construção de outra sociedade, socialista, de economia planificada e controlada pelos trabalhadores.

 

 

 


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