POR UMA CENTRAL DE LUTA, ANTI GOVERNISTA, DE BASE E SOCIALISTA!


O surgimento de uma ferramenta nova de luta está submetido às tarefas que estão colocadas para a classe trabalhadora diante da atual realidade.  No mundo inteiro, estamos vendo um processo de polarização social, onde os grandes empresários e banqueiros, através de seus governos e instituições, partem para uma ofensiva sem precedentes contra os trabalhadores e a humanidade como um todo.  Por outro lado, as massas se levantam, protestam e promovem mobilizações radicalizadas para defender o emprego e os direitos.

        O Brasil, ainda que num patamar inferior, é parte desse processo mundial e, por isso, as lutas, que já estão sendo retomadas, tendem a se intensificar cada vez mais. O governo conseguiu uma suposta recuperação da economia, mas baseada numa fragilização e aumento da dependência estrangeira. Ou seja, o rombo no orçamento público, fruto da ajuda bilionária aos banqueiros e montadoras, já começa a aparecer na conta dos trabalhadores, com ataque aos direitos trabalhistas, cortes no orçamento e ataques às estatais.

        Nesse sentido, a Nova Central precisa se preparar para esse cenário de polarização social, onde o governo ataca, mas os trabalhadores respondem com mais força. Esse é o debate mais importante que deve nortear a unificação, e não a exaltação da unidade como um fim em si mesmo. A unidade é positiva se serve aos interesses dos trabalhadores e suas lutas. Por isso, antes de discutir a unificação e a composição da nova central, é preciso discutir seu programa.       

Enfrentar o governo ao invés de disputá-lo!

        Por isso, a principal tarefa da classe trabalhadora é enfrentar de frente os governos, sejam neoliberais e pró-imperialistas ou de frente-popular. Ambos são inimigos da classe trabalhadora e responsáveis pela miséria e exploração crescente.

        Nesse sentido, é preciso lutar pela derrota de Dilma ou Serra. Mas, para isso, é preciso fazer uma reflexão e mudar de postura. A Intersindical desde sempre e a Conlutas nos últimos anos praticam uma política equivocada.  Ao invés do enfrentamento e combate contra o governo de conjunto, se estabeleceu uma linha de exigências e alguns enfrentamentos pontuais à medidas isoladas do governo. Foi assim durante a crise econômica, onde o eixo da intervenção foi a exigência da estabilidade no emprego com um abaixo-assinado, por exemplo. E tem sido com esse método todas as lutas políticas das centrais que agora estão se unificando. O que nunca mais se viu, foi uma campanha de denúncia e enfrentamento ao conjunto do governo.

        O efeito dessa política é o de semear ilusões entre os trabalhadores no sentido de disputar os rumos do governo. É quase a linha da esquerda da CUT, que também critica algumas medidas do governo, mas para dizer que é possível disputar o governo e o fazer defender os trabalhadores.

        Isso precisa mudar. A justificativa dada para essa política é a alta popularidade do governo e uma análise abstrata da realidade, onde só se considera os números das pesquisas burguesas e se nega a experiência de um setor muito expressivo do movimento de massas que não acredita mais no PT e nas eleições como alternativa para mudar de vida. Mesmo que estivessem certos em sua análise, estariam errados na política, pois a Frente Popular deve ser considerada inimiga dos trabalhadores em todos os momentos.

        A atual realidade obriga as organizações da classe trabalhadora a lutar contra o governo e denunciar a falsa democracia dos ricos, o processo eleitoral e as instituições do capitalismo, em especial o congresso nacional. Nesse sentido, é preciso combater a tentativa de reproduzir nas eleições um projeto já fracassado, de defesa de reformas num capitalismo em crise e decadente. Defendemos a participação revolucionária no processo eleitoral, com candidatos trabalhadores, independentes das empresas e governos, e com um perfil anti-regime, isto é, que digam abertamente às massas que as eleições são uma farsa e divulguem as lutas e protestos da classe trabalhadora como única alternativa para avançar e defender as conquistas sociais.    

Derrotar os pelegos

        O resultado da política rebaixada da direção da Conlutas e Intersindical serviu para tranqüilizar os pelegos. Infelizmente, se abandonaram as campanhas de ruptura e desfiliação da CUT e demais centrais pelegas. Pelo contrário, se adotou uma linha de atos permanentes com os governistas, além de frentes e chapas, com programas comuns, em conjunto com a Articulação, CTB e por aí vai. Isso é inadmissível, pois não é possível construir um programa que contemple ao mesmo tempo o governo e os trabalhadores.

        Achamos que é possível fazer unidade de ação e lutar ao lado dos governistas por uma questão pontual. Muitas vezes isso será necessário para disputar as bases e os setores que ainda confiam no governo. Entretanto, temos orgulho das marchas e dias de luta impulsionados pela Conlutas, sem os governistas, bem como de todas as chapas onde a Conlutas não ganhou a eleição, mas apresentou para os trabalhadores um programa coerente de luta. O que não é possível é ficar a reboque das atividades da CUT e não ter mais iniciativas próprias. Muitas vezes, dependendo do eixo da luta, nos interessa fazer atos separados, só com os anti-governistas, para justamente polarizar o país. 

Por uma central de luta e pela base

        Por fim, diante das tarefas colocadas, a Nova Central só poderá ter um programa de luta e enfrentamento se for controlada pela base. É preciso superar os métodos burocráticos e criar mecanismos que levem a central para dentro dos locais de trabalho, centros de concentração popular e bairros. As reuniões de coordenação devem ser abertas, bem convocadas e em horários onde trabalhadores possam participar. A existência de uma direção executiva deve ser submetida às tarefas elaboradas pelas coordenações abertas, com mandatos rotativos e revogáveis.

        Nesse sentido, fazemos um chamado a todos os ativistas de luta e de base para construir uma alternativa dentro da nova central, que dispute contra a direção majoritária, PSTU e PSOL, os rumos dessa ferramenta para que seja de fato um instrumento de luta, independente dos governos e patrões, pela base e democrático. 

 

 

 


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