VENHA PARA O MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO

 

        Esta edição do Correio dos Trabalhadores está sendo lançada em um momento bastante importante para a classe trabalhadora e para a juventude do Brasil. Um momento em que ocorrem muitos embates, diversas disputas sindicais, e prestes a se iniciar as movimentações para as campanhas salariais de diversas categorias, como bancários, correios, petroleiros, servidores federais, etc. É lançada também em meio a lutas que estão ocorrendo; Os trabalhadores em correios recentemente tiveram um dia nacional de luta e paralisação. Em alguns estados, como no RS, deram prova de que é possível avançar mais, deflagrando greve mesmo sem fora do dissídio coletivo.

        É um momento também de reflexão, onde se faz um balanço sério e profundo sobre o que foram os 8 anos de governo Lula. O conto de um indivíduo que tenha sido operário e sindicalista, ao chegar o poder pelas vias institucionais, seja capaz de garantir um nível de vida melhor caiu por terra. Lula provou que apostar na disputa por dentro do Estado e das regras do capitalismo só traz desilusão e ataques, pois os mesmos de sempre, os patrões, é que seguem mantendo o controle de tudo.

Aquele questionamento sincero feito por muitos trabalhadores, se ainda é possível lutar pelo fim do capitalismo, por uma revolução socialista, é respondido em várias partes do mundo. As greves gerais na França, a Grécia sendo palco de uma mobilização gigantesca e radical contra o plano de ajustes imposto pelo imperialismo, a resistência no Oriente Médio e a luta contra as frentes populares na América Latina cada vez mais responde essa pergunta. Uma revolução Socialista não só é necessária como está colocada em cada uma destas lutas como única solução conseqüente para que se siga adiante e derrote os governos e os patrões com seus planos de arrocho e ataques. É disso que depende nosso emprego, aposentadoria digna, salário e qualidade de vida.

        Ou lutamos pelo socialismo, ou o capitalismo levará a humanidade ao caos e degeneração completa.

É nesse patamar, e com esse entendimento, que nós do Movimento Revolucionário queremos debater com todos aqueles trabalhadores e jovens que estão presentes nas lutas, nos piquetes de greve, nas ocupações de terras, que sofrem com jornadas de trabalho exaustivas, a necessidade de ganhar amplos setores da classe trabalhadora e das massas para transformar cada uma destas lutas numa única luta, revolucionária e socialista.

 

Quem somos?

 

         Nossa organização é formada por trabalhadores e pela juventude pobre. Está presente nas greves, lutas em gerais, dentro dos sindicatos, oposições e entidades estudantis. Surgimos a partir da ruptura e expulsão com o PSTU a três anos atrás, e hoje estamos presentes em alguns estados do país como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo.

Fundamos o Movimento Revolucionário por entender que hoje não existe no Brasil uma organização revolucionária capaz de apresentar um programa que vá de encontro com as necessidades históricas dos trabalhadores. O PT provou que através das eleições e da via institucional é impossível transformar a realidade. O PSOL tenta reeditar o programa do PT, reformista, que já fracassou pela experiência histórica. O PSTU que durante anos cumpriu um papel revolucionário e resistiu ao processo de acomodação social e oportunista, hoje faz uma autocrítica de seu passado e abandona em boa parte seu programa e princípios, tudo para ganhar sindicatos e aparatos a qualquer custo e tentar eleger algum parlamentar.

Nos organizamos de forma ampla, através de reuniões por setores de trabalhadores (correios, bancários, professores, comerciários, desempregados, etc), por bairros, e também na juventude. Em nosso partido a democracia é a mais ampla possível, onde o militante de base discute e vota as políticas do partido em seus organismos; Nenhum dirigente do partido, do sindicato ou estudantil tem mais poderes que nenhum militante. Sua atuação é pautada de acordo com o que a maioria do partido decide nos congressos e reuniões cotidianas. Discutimos todas as nossas políticas internamente e, na hora da ação, atuamos como se fossemos um só, através do centralismo democrático, pois entendemos que essa é única forma de poder golpear a burguesia e todo o seu aparato.

        Em outros partidos é comum ver um parlamentar, ou o dirigente falando o que bem entende, mesmo que isso seja uma opinião sua e não a opinião do partido. Vemos isso no PSOL, aonde Heloisa Helena vai para a TV defender que o aborto seja crime, ou quando os dirigentes do PT fazem o que querem sem discutir nada com ninguém, na maioria das vezes expressando uma opinião contrária ao que defende a base do partido.

Em três anos de existência, de forma humilde, mas com a certeza da necessidade de se construir uma organização como a nossa, conseguimos estabelecer um partido inserido nas principais categorias de trabalhadores, que ainda tem muito que avançar, mas que está na linha de frente de greves importantes, como em Correios, que a cada dia que passa integra mais camaradas as nossas fileiras, que se enfrenta com as burocracias sindicais, mostrando na prática que existe um espaço para os revolucionários e que, mesmo com todas as dificuldades, estamos dispostos a ocupá-lo.

Isso que explica o crescimento do Movimento Revolucionário: a firmeza de seu programa, a dedicação de seus militantes e, acima de tudo, o respeito aos organismos da classe trabalhadora, disputando-os sem rebaixar o programa revolucionário tão necessário e esquecido pela maioria das organizações de esquerda do país.

 

Um partido Internacionalista

       

        Colocamos nossos esforços como parte de uma tarefa ainda maior, que é a construção de uma organização revolucionária a nível internacional. Somos contrários a lógica de construir partidos nacionais e a partir deles apenas opinar sobre o que acontece no mundo.

A tarefa mais importante colocada atualmente é a de reconstruir a IV internacional, como uma ferramenta capaz de dirigir a luta revolucionária em todo o mundo. É disso que depende, inclusive, a existência do Movimento Revolucionário no Brasil.

        A crise econômica exige que façamos esforços ainda maiores para levar adiante essa tarefa. A Grécia coloca novamente o debate da necessidade de uma revolução como única forma de garantir uma saída conseqüente para o fundo do poço em que a burguesia está levando os trabalhadores.

        Na América Latina, a experiência com os governos de Frente Popular (Chávez, Lula, Evo, Lugo) aponta a necessidade de se combater este tipo de artimanha dos patrões, que usa personalidades com um discurso socialista, mas que na prática são os principais responsáveis por manter o capitalismo, a fome e a exploração.

O Imperialismo dá provas cotidianas de sua tirania, ocupando países, aniquilando povos inteiros e saqueando as riquezas produzidas pelos trabalhadores em todos os cantos do mundo. Cada vez mais se comprova o que dizia Lênin (revolucionário Russo, dirigente do partido Bolchevique), que nesta época cada vez mais os meios de produção estão concentrados nas mãos de uma meia dúzia de monopólios e estamos a cada dia que passa diante de mais crises, guerras e revoluções.

O fim da miséria e exploração, das guerras e chacinas contra povos inteiros, a degradação do meio ambiente, depende de que triunfe o socialismo no mundo todo, e de que cresça e se fortaleça as organizações revolucionárias. Nos colocamos a serviço dessa tarefa.

 

Um partido dos oprimidos

       

        A burguesia produz de forma consciente preconceitos morais como o machismo, o racismo e a homofobia para dividir a classe trabalhadora e aumentar ainda mais a exploração sobre um ou outro setor. Estes setores, além de passarem pelas piores humilhações dentro do capitalismo, são os que vivem com os piores salários e nas piores condições.

        Por isso, é tarefa do Movimento Revolucionário combater toda forma de opressão, entendendo que acima da raça, do gênero e da orientação sexual, está a questão de classe. Somente unificando toda a classe trabalhadora, com seus diferentes setores, é possível levar os trabalhadores a vitória.

 

Um programa de ruptura com o capitalismo

 

Muitos partidos dizem o mesmo que nós, que são de esquerda, que são dos trabalhadores, mas a prova real entre o que é dito e a prática é vista no dia-a-dia.          Em cada chapa construída para os sindicatos, entidade estudantil, em cada greve e em cada luta se descobre quem é revolucionário ou oportunista.

Hoje, o termo “esquerda” se tornou uma coisa muito ampla. Até mesmo o PT de Lula se diz de esquerda, mas em seu programa defende os patrões, banqueiros e latifundiários. Isso está oficializado e já havia sido anunciado quando Lula, ao se candidatar em 2002 escreveu em sua carta ao povo Brasileiro que “Estamos conscientes da gravidade da crise econômica. Para resolvê-la, o PT está disposto a dialogar com todos os segmentos da sociedade e com o próprio governo, de modo a evitar que a crise se agrave e traga mais aflição ao povo brasileiro.” Hoje vemos o que é esse dialogo com todos os setores da sociedade. São as negociatas, o mensalão, os afagos a gente do tipo Sarney. São as reformas da previdência que aumentam o tempo de contribuição para se aposentar. É o reajuste aos aposentados que não supre nem parte das perdas históricas. É a criminalização dos movimentos sociais, que trata grevista e sem terra como criminosos.

O PT escolheu um caminho e um programa, o da conciliação de classes. Tenta fazer com que os trabalhadores se convençam de que é possível unir patrões e trabalhadores, quando todos sabem que o resultado dessa equação é um aumento brutal da exploração.

Existem outros partidos, como o PSOL, que se aproveitam demagogicamente da lama que se enfiou o PT para se postar como alternativa. Com os mesmos termos, o da ética na política e com a mesma estratégia de disputar o estado burguês por dentro, este partido traça sua própria cova. Já passou a aceitar dinheiro de empresários, prioriza a luta parlamentar em vez das greves, ou seja, quer fazer com que nossa classe prove novamente do gosto amargo que o PT já nos brindou.

        Somos intransigentes na defesa dos trabalhadores, construímos nossa organização com este fim, o de garantir uma vida digna e justa a todos. Para isso levantamos a bandeira do socialismo em cada greve, em cada agitação; Lutamos por reajustes salariais decentes, contra a corrupção, para acabar com a miséria, pelo direito a  saúde e educação de qualidade, para derrotar os burocratas sindicais que só pensam em cargos e os governos que nos atacam. Para isso, temos um programa de denuncia das eleições como um mecanismo dos patrões para seguir nos explorando, da ruptura com o Imperialismo, do não pagamento da dívida externa, pela redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais sem redução de salários, da estatização de todos os meios de produção sob controle dos trabalhadores; Defendemos que na luta se construa um novo tipo de Estado, controlado pelos trabalhadores e a população em seus locais de trabalho, moradia e estudo. Queremos um governo que surja das revoltas populares e dos organismos operários.

Em nosso partido mandam os trabalhadores e não os parlamentares. Os patrões só têm um lugar entre nós, a porta da rua! Acreditamos na classe trabalhadora e no seu poder de revolta! Com essa determinação e com essa estratégia é que fazemos um fraterno convite: Venha para o Movimento Revolucionário e ajude a fortalecer a luta pelo Socialismo.

 

 


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