Guerra entre palestinos, libaneses contra refugiados, Israel...

            O Oriente Médio é uma região da Ásia, próximo à Europa e à África, ao mesmo tempo. Além da importância geopolítica, esta região tem enorme importância econômica. É que ela está sobre as maiores reservas mundiais de petróleo. Por tudo isso, o controle destes países é uma prioridade para os Estados Unidos, países europeus e para as grandes empresas e bancos multinacionais.

            Assim, o Oriente Médio é, nestes tempos, um campo de guerra, em que só os ricos ganham com a destruição e a ocupação. Novos países são ameaçados e os trabalhadores destes lugares vivem num inferno. São vítimas de violência, não têm onde conseguir emprego, seu país está tomado por soldados invasores e não se tem liberdade nenhuma. Em Bagdá, capital do Iraque, para cada 3 horas de luz, há 3 horas de apagão. É num país sem luz, sem água, sem emprego, sem direitos nem liberdade, que vivem milhões de iraquianos sem mais nada a perder. São estes homens, mulheres e crianças que hoje lutam, pois preferem morrer lutando a morrer calados!!!

Se os árabes são maioria, por que não se unem?

            Não há esta união, porque os laços religiosos não são o principal na sociedade. O principal são as relações econômicas. Na hora de explorar os empregados, os patrões muçulmanos, cristãos e judeus podem brigar entre si, mas todos estão unidos na exploração.

            Sempre que os “cristãos” dos Estados Unidos invadem um país, como o Iraque, eles contam com a ajuda de muitos empresários muçulmanos que também querem lucrar. No Iraque, os EUA mandam seus pobres morrer nas ruas, muitos deles muçulmanos. Quer dizer, esta não é uma luta religiosa! Isso é o que quer passar Bush , para que os países como o Brasil apóiem este massacre.

            A luta que existe no Iraque, como todas que acontecem, é uma luta de classes. Os muçulmanos iraquianos só podem expulsar a ocupação imperialista se houver união entre os trabalhadores sunitas e xiitas (facções muçulmanas) junto com trabalhadores judeus, cristãos e ateus. Todos juntos devem resistir à ocupação dos Estados Unidos, além de derrubar seus próprios governos traidores e paus mandados dos norte-americanos.

O Líbano: árabes traidores X resistência

            No Líbano acontecem cenas chocantes e muito tristes. Pela boa relação com os palestinos, mais de 400 mil refugiados palestinos vivem em campos neste país. Aí, sem condições mínimas de sobrevivência, pelo menos estariam “seguros” dos assassinos israelenses. Em 1982, no entanto, Israel, apoiada por libaneses cristãos (a falange), invadiu 2 destes campos (Sabra e Chatila) e torturou e matou centenas de palestinos.

            Depois disso, e de ocupar o Sul do Líbano até poucos anos, os libaneses finalmente conseguiram expulsar os carniceiros de Israel. Isso aconteceu graças à luta dos trabalhadores libaneses, principalmente dirigidos pelo Hezbollah, organização muçulmana. Esta resistência heróica obrigou os israelenses a fugir de volta para a área da Palestina ocupada (chamada de Israel). Em 2006, Israel voltou a tentar ocupar o Líbano, mas foi derrotada e sofreu a maior humilhação de sua História.

Mas, agora que Israel está enfraquecida, é o próprio exército muçulmano libanês (que não fez nada quando Israel invadiu) que ataca os muçulmanos palestinos dos campos de refugiados. Pior ainda: o Hezbollah, que ficou “na mão” na luta contra Israel, agora apóia o exército covarde contra os palestinos.

            Para os revolucionários, é preciso unir todos os trabalhadores libaneses para lutar junto com os palestinos contra o exército libanês, assim como junto com o Hezbollah contra o governo traidor. Mas, para isso, é necessário construir uma direção revolucionária e socialista, contra todos os capitalistas, que lute pelo poder para acabar com o Estado de Israel e todos os governos muçulmanos vendidos. Líderes como os do Hezbollah são incapazes disso, pois não querem acabar com o capitalismo, mas somente com alguns efeitos dele, como a perseguição religiosa que sofrem e as ocupações militares.

Por que os palestinos atiram em si mesmos?

            Na Palestina não ocupada totalmente por Israel (Faixa de Gaza e Cisjordânia), está acontecendo uma guerra civil entre o Hamas (muçulmano xiita) e o Fatah (formado por muçulmanos, mas laico, quer dizer, sem um programa religioso).

            No início de sua existência, o Fatah era a principal corrente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). A OLP defendia uma Palestina laica (não religiosa), democrática e não racista, o que era extremamente progressivo. Era uma Frente Única composta por outros grupos, inclusive que se diziam socialistas (FPLP e FDLP). A força da OLP cresceu porque defendia a destruição de Israel e a construção de uma Palestina única entre muçulmanos, cristãos e judeus. Para isso, usava a luta armada como única forma de resistência.

            O Hamas, ao contrário, surgiu como uma organização que contava inclusive com dinheiro israelense e dos EUA, para ser rival da OLP/Fatah. Sua política era construir escolas, dar comida e remédios para os palestinos, numa rede assistencialista e religiosa. Com o passar dos anos, porém tudo mudou.

            O Fatah, de Yasser Arafat, abandonou a luta e aceitou entregar a maior parte da Palestina aos israelenses, virando o grupo preferido dos assassinos de Israel e do ex-presidente dos EUA, Bill Clinton. O Hamas, ao contrário, pressionado pela miséria crescente dos palestinos, foi obrigado a ir-se radicalizando e passou a ser a única fonte de resistência e luta contra Israel, defendendo sua destruição.

            Foi por isso que o Hamas ganhou as últimas eleições na Palestina e o direito de formar o governo atual. Só que os israelenses, os EUA, a União Européia e o próprio Fatah tentam dar um golpe no Hamas desde o início.

            Primeiro boicotaram as verbas que o governo deveria receber. Depois, confiscaram o dinheiro do governo, assassinaram líderes do Hamas e deram armas e dinheiro ao Fatah, instigando enfrentamentos. O objetivo era que o Hamas (que sequer é revolucionário) se vendesse totalmente, como já tinha feito o Fatah, e desistisse de se opor a Israel. O Hamas não aceitou isso, mas entregou parte do governo aos traidores do Fatah.

            Agora, mais uma vez, o imperialismo tenta impor novas eleições e forçar o Hamas a dar tudo que Israel pede. A pressão da base tem impedido este grupo de fazer esta traição. Com isso, o Fatah, com o apoio de Israel e EUA, começou uma guerra civil.

            O Hamas conta com toda nossa solidariedade ao enfrentar este grupo oportunista e tomar o controle de todos os postos de segurança na Faixa de Gaza. Nós denunciamos o golpe do Fatah, de, em troca, “destituir” o Hamas na Cisjordânia. Isso é um golpe e mais uma tentativa de dividir a Palestina e entregar aos israelenses! Mas o Hamas também não é solução para nada, pois o governo que propõe é dentro do capitalismo e baseado em leis islâmicas, também discriminando quem não é muçulmano.

            Os trabalhadores devem se unir contra o golpe do Fatah/EUA/Israel contra o governo do Hamas. Junto com este grupo, deve-se organizar comitês de defesa e milícias populares próprias para lutar pela recuperação de toda a Palestina, e pela destruição do Estado de Israel.  

Por uma revolução árabe e socialista

            Só há uma solução para os trabalhadores explorados do Líbano, Síria, Palestina, Iraque, Irã, Arábia Saudita, Jordânia, etc. É construir um governo deles mesmos, a partir da derrubada dos governos fantoches de cada um destes países. As massas trabalhadoras precisam derrotar o imperialismo dos Estados Unidos e todos seus puxa sacos nacionais, derrubando os governos vendidos destes países e destruindo o próprio Estado Burguês que existe em todos eles. Somente em Estados Operários, produtos de revoluções socialistas em cada um destes países, vai-se poder avançar para que haja um único Estado árabe para um único povo árabe, em associação com os judeus, persas e demais povos da região em uma Federação Socialista do Oriente Médio. Somente dessa forma, pode haver paz e liberdade para todos os trabalhadores da região.

Israel, nazismo e sionismo

            Muita gente confunde a defesa ou crítica dos judeus (como o anti-semitismo) com a postura diante de Israel. Isso é a mesma coisa que dizer que ao combater a Alemanha de Hitler se é anti-cristão ou anti-germânico. Ou que, para defender os muçulmanos deveríamos apoiar regimes como o do Talibã no Afeganistão. Nada disso: diante do imperialismo, nos unimos militarmente com qualquer um que se proponha a resistir. Portanto, nós não defendemos uma religião ou outra, mas todos os trabalhadores contra todos seus exploradores, independente da religião de um ou outro.

            Os judeus já foram muito perseguidos e explorados ao longo da História. 6 milhões foram mortos pelos nazistas na 2ª Guerra Mundial. Em muitos lugares, ser judeu às vezes significava uma sentença de morte, o que atingia judeus trabalhadores, principalmente. Eram estes que não tinham como pagar suborno para emigrar.

            Marx e Tróstski (revolucionários socialistas) eram judeus de origem, ateus por consciência. Da mesma maneira, muitos socialistas eram judeus e isso não se confunde com Israel. Este país surge como idéia forte após o final da 2ª Guerra, depois do holocausto judeu.

            A posição dos revolucionários é que, diante das exigências nacionais de minorias oprimidas, sempre somos a favor da possibilidade de Estado próprio. No entanto, isso ocorre no lugar onde está esta população oprimida. Um Estado formado por judeus explorados poderia acontecer nos EUA, por exemplo, com a maior concentração de judeus do mundo. Ou em outros países, como poderia ter existido na própria Alemanha.

            Porém, foi o oposto disso que aconteceu com a criação de Israel em 1948. Usando os judeus que realmente eram vítimas dos nazistas, surgiu um movimento de banqueiros judeus, defendendo a criação de um Estado Judeu na Palestina, que já estava habitada por milhões de árabes, e que não tinha nada que ver com o genocídio dos judeus. Para aprovar sua proposta, estes capitalistas judeus criaram um movimento racista (anti árabe) e ultra nacionalista, que afirmava serem os judeus o “povo escolhido”.

            Tendo Theodor Herzl como inspirador, David Ben Gurion e outros, estimularam a criação de células terroristas (Haganá e Irgun) que expulsavam a tiros e atentados os palestinos de suas terras. Até hoje, este “Estado” ilegítimo, artificial e terrorista de Israel sustenta-se num fanatismo religioso que impede os árabes de trabalhar, votar e poder ir de um lugar a outro de seu território. Hoje, irônica e tragicamente, os palestinos vivem como os judeus do gueto de Varsóvia (heróis anti nazistas); e os judeus ricos usam os métodos semi nazistas que seu povo foi vítima.

            É preciso destruir este Estado semi nazista e construir uma única Palestina, laica e não racista, onde convivam judeus e muçulmanos.

 

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