11 de agosto: dia do estudante. Muito a lutar e pouco a comemorar!
Os estudantes sempre fizeram parte de muitas lutas. Em algumas vezes, foram a vanguarda delas, ou seja, foram os que estiveram à frente e puxaram a classe trabalhadora para as ruas. Foi assim no Maio de 68, por exemplo, onde, a partir da contestação à repressão sexual existente na Universidade de Nanterre, que proibia homens e mulheres de dormir nos mesmos alojamentos, se desencadeou uma onda de protestos contra o sistema conservador de educação, e contra a polícia e o conjunto autoritário do Estado capitalista francês. Ao longo deste processo crescente de lutas cada vez mais massivas, se generalizaram ocupações de universidades e, depois, de fábricas, com o ingresso da classe operária no processo revolucionário que se criou.
A luta dos estudantes demonstrou que era possível derrotar o governo De Gaulle e seus ataques, e que a única forma de resistir e conquistar era através das lutas, ocupações e greves. Com isso, os trabalhadores sentiram confiança para tomar as ruas. Essa unidade operária-estudantil colocou o governo em xeque, e só não se tornou uma luta vitoriosa ao ponto de derrubar o governo e tomar o poder por muito pouco. Como na maioria dos processos revolucionários derrotados ou abortados, foram as direções traidoras do movimento as responsáveis pelo regime burguês ter sido reconstituído.
Além deste exemplo histórico, a juventude, como parte da classe operária, também foi decisiva como setor mais dinâmico da própria revolução russa de 1917, em que os jovens soldados e operários assumiram a cabeça dos enfrentamentos pela tomada do poder. Estes dois casos, da juventude diretamente como parte dos operários, ou como setor estudantil que arrasta os trabalhadores produtivos atrás de si, mostram que além de sua radicalidade e entusiasmo na luta, a juventude só pode cumprir seu papel mais destacado quando o faz em conjunto com o proletariado.
A juventude pode acelerar as lutas e a revolução
Recentemente, os estudantes estão sendo linha de frente nas manifestações de massas que aconteceram na França e na Grécia, lutando lado a lado dos trabalhadores. Mais uma vez, os dois fenômenos, da juventude como setor da classe trabalhadora, e da juventude propriamente como movimento estudantil, estão combinados em lutas que desmontaram o plano de reforma universitária e de emprego precarizado de Sarkozy na França, por exemplo. Na Grécia, os jovens podem ser decisivos para o avanço da resistência ao pacotaço imposto pelo governo dito "socialista", que tenta reduzir salários e verbas públicas.
No Brasil, o movimento estudantil voltou com muita força a partir de 2007, através de uma série de ocupações de reitoria nas principais universidades do país. O auge disso se deu com a ocupação da Universidade Nacional de Brasília (UNB), em 2008, levando à derrubada do reitor que mobíliou sua casa com dinheiro que era para melhorias na universidade, levando a um questionamento nacional sobre o controle das universidades.
No ano passado, os estudantes da USP resistiram à brutal repressão do governo Serra, e arrastaram os professores para lutarem juntos a eles. Estes e outros exemplos, como as lutas pelo passe-livre em Fortaleza, Bahia e Santa Catarina mostraram, em seus momentos, que é preciso lutar e é possível vencer.
Lula e o PT, após 8 anos de governo, mostraram de que lado estão! E não é o dos estudantes!
Hoje, as universidades e escolas amargam uma estrutura precária, falta de vagas e um ensino desqualificado. Além de uma evasão muito grande, em função da necessidade de trabalhar, os que conseguem se manter estudando precisam enfrentar desafios diariamente. Embora, no papel, se diga que a educação é gratuita, todo estudante sabe que isso não passa de discurso, pois o custo com passagens, materiais didáticos, alimentação, xerox, é bastante alto. Faltam laboratórios, professores e condições para estudar, como livros didáticos e de literatura, bibliotecas, refeições garantidas por cantinas e restaurantes escolares e universitários.
A juventude, assim como os trabalhadores, está com a vida cada vez mais difícil, e as consequências são vistas nos lugares mais pobres, como as favelas, onde crianças e jovens são cooptados pelo tráfico de drogas ou a prostituição, além de serem vítimas da violência policial, do racismo e da exploração absoluta. A escola é apenas um reflexo desta marginalização a que a maioria da juventude é submetida, sem ter nenhuma expectativa de vida, e sem enxergar nenhuma saída para sua situação.
Nesses 8 anos de mandato, Lula mostrou como pagaria o apoio de milhões de estudantes e trabalhadores do Brasil todo: com traição! A população, cansada dos ataques neoliberais de Fernando Henrique Cardoso, votou num operário que disse que ia governar para os explorados e oprimidos. Mas não foi nada disso que aconteceu. Lula foi recordista de corrupção, vendeu patrimônio público e atacou direitos trabalhistas e dos aposentados.
E não demorou a atacar os estudantes, aplicando a reforma universitária. Muita gente já deve ter ouvido falar no Prouni, apresentado como um grande avanço. Mas a verdade é bem diferente. O Prouni, e outros projetos menos badalados, como a Lei de Inovação Tecnológica, os decretos de fundação e o REUNI são grandes ataques aos estudantes e à educação. Com o Prouni, o governo isenta de impostos as universidades privadas, em troca de algumas vagas que estão sobrando nelas, o que acontece em função dos altos preços das mensalidades.
Assim, o empresário dono da universidade privada “vende” as vagas que estavam sobrando para o governo, que enriquece estes parasitas da educação, sendo que, se colocasse esse dinheiro nas universidades públicas, abriria o triplo de vagas, como já foi provado pela comparação de custos de ambos modelos! o governo mesmo assim faz isso, e paga este preço, para não ter que ter gastos "extras" considerados excessivos, como ter que construir bibliotecas, laboratórios para pesquisa e ter mais funcionários concursados. Como nas privadas, os salários são mais baixos, a pesquisa e extensão social não existem, e a qualidade é muito baixa, o Reuni acaba sendo uma economia de custos, pelo que o governo deixa de investir.
Com o REUNI, este modelo privatista fica ainda mais acentuado. As universidades passam a ter metas de aprovação por ano, impostas pelo governo. Ou seja, independente da qualidade do ensino, a universidade precisa entregar diplomas para um determinado número de alunos, aprovados de qualquer jeito. Além disso, faz com que aumentem o número de estudantes por sala de aula, chegando a turmas com mais de 100 estudantes.
O Enem, que era a promessa de que os mais pobres iriam conseguir entrar na universidade pública, é mais do mesmo. O resultado deste exame, em 2009, mostrou que, das 20 primeiras escolas colocadas, somente 2 eram públicas, ainda assim ligadas a universidades, onde é necessário prova de seleção para entrar. A primeira escola pública de fato (onde não se precisa de prova de seleção para entrar) ficou na 729a posição. Ou seja, o estudante de rede pública hoje não tem condições de competir com quem estuda em escolas privadas, e o Enem não apenas não mudou nada disso, como facilitou a vida apenas dos estudantes de classe média, que podem disputar vagas no Brasil inteiro agora.
A UNE não fala mais em nosso nome! Construir a Anel, como alternativa para os estudantes.
Lula não conseguiria fazer todos esses ataques se não tivesse o apoio das entidades estudantis. Foi por isso que, quando se elegeu, cooptou a UNE e a UBES, financiando essas entidades através de milhões de reais e dando cargos para seus dirigentes, que são de partidos como PT e PCdoB (base do governo Lula).
A partir daí, UNE e UBES, que cumpriram papéis importantes nas lutas contra a ditadura e o “Fora Collor”, perderam toda a sua independência financeira e hoje são apêndices do governo Lula, traindo todas as lutas e sendo mais uma secretaria estudantil do governo que uma entidade estudantil de verdade.
Por conta disso, foi criada uma nova entidade estudantil, como contrapartida à UNE e à UBES governistas, a CONLUTE. Era necessário construir uma ferramenta que unificasse as lutas a nível nacional, e que pudesse unificar e coordenar as lutas contra os ataques à educação praticados pelo governo Lula, tendo como estratégia o socialismo.
Infelizmente, a sua direção majoritária (PSTU), não quis levar essa necessária ferramenta em frente, tudo por pressão do PSOL(esquerda da UNE). Como parte desse recuo, em julho de 2009 foi fundada a ANEL. Ao contrário da CONLUTE, seu programa é apenas de exigências ao governo Lula, com uma política onde a unidade a qualquer custo levou a que se abstivesse de fazer o principal debate a ser feito hoje com o conjunto dos estudantes: romper com a UNE para derrotar Lula!
Hoje, entendemos que se deve construir a esquerda revolucionária na ANEL, para mudar sua direção e colocar o movimento estudantil de novo na linha de frente das manifestações. Para que não se tenhamos que assitir a um ano sem lutas no dia 11 de agosto, por exemplo. Além da UNE pelega, a ANEL também deixou este dia passar em branco este ano.
Queremos defender cada necessidade dos estudantes e da juventude, através das lutas, que devem se somar a uma bandeira muito maior, por uma sociedade onde não haja exploração do homem pelo homem, onde o governo será dos próprios trabalhadores e da juventude, e estudar será uma forma de prazer e satisfação, e não apenas uma pressão para "entrar no mercado de trabalho”.
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