Movimento Revolucionário se coloca na linha de frente das campanhas salariais

Correios: a luta contra o desmonte da empresa implementado por Lula

Nos Correios, a maioria da Fentect (Federação de sindicatos dos Correios, filiada à CUT) acaba de ser responsável por mais uma traição histórica contra os trabalhadores dos Correios, o acordo bianual. Feito em 2009, ele previa um reajuste de apenas 9% válido por dois anos, com o objetivo de preservar o PT num ano de eleições. Assim, a federação, dirigida pelo PCdoB e PT, tenta impedir que haja luta em 2010.

        O movimento sindical ligado ao governo aplicou essa manobra à base de golpes em diversas assembleias dos sindicatos do país, chegando ao ponto de marcar reuniões em prédios da administração da empresa, conhecidos redutos dos defensores das decisões da empresa e do governo. Foram reuniões em horário de expediente, com o transporte de fura-greves, que impediam a maior parte de a categoria participar das assembleias.

        A grande expectativa deste ano, então era o Conrep (Conselho de representantes), ocorrido nos dias 20 a 23 de julho, em que se poderia reverter a maioria ilegítima construída pela Fentect. No Conrep, representantes eleitos pela base participariam de um debate onde o encaminhamento final poderiam ser as lutas que a categoria deve encampar no próximo período, assim como as comissões de negociação.

        Porém, o que deveria servir para encaminhar a luta dos trabalhadores serviu somente para observar uma  traição ainda maior, que os militantes do PT e PCdoB aplicaram novamente. O congresso foi impedido de começar e os delegados que não eram reconhecidamente ligados às correntes governistas foram barrados por policiais à paisana, chamados pelos governistas. Ao final, os pelegos entraram pelas portas dos fundos para simular que fizeram um conselho, e referendar essa traição à luta dos trabalhadores.

        Diante disso, as delegações dos sindicatos que são contrários ao acordo de dois anos, e que foram boicotadas, deveriam ter rompido com este conselho fraudado e ter realizado um encontro independente, que preparasse a luta. Ao invés disso, a maior parte das delegações de oposição, dirigida pelo MRL, (Movimento Resistência e Luta - PT), que faz parte da esquerda da CUT, e a Conlutas/PSTU permitiram que os governistas realizassem sua farsa sem nenhum contraponto.

        Por esse vacilo do bloco de oposição, novamente a categoria fica sem alternativa, sem que se tenha impulsionado uma pauta paralela para disputar o conjunto da categoria, garantindo a campanha salarial 2010 e a luta contra o processo de desmonte da empresa e a privatização com o projeto de Correios S/A.

        Diante de todos os ataques existentes, em especial a privatização com os Correios S/A, o Movimento Revolucionário impulsiona a partir do Sintect/RS, do qual faz parte, uma campanha nacional para garantir a luta da categoria para em 2010, tensionando o bloco composto por 17 sindicatos que são contrários ao acordo de 2 anos, e exigindo uma campanha para derrotar Lula.

        Para isto, os eixos principais são: R$ 300 reais lineares incorporados aos salários; reposição das perdas salariais acumuladas em 35%; contratações imediatas por meio de concurso público; e não à privatização contra os Correios S/A. Esta campanha, para ir adiante, contudo, precisa ser combinada com o enfrentamento aos sindicatos governistas, pois só dessa forma será possível impor uma negociação firme, que aposte na mobilização da categoria e não na venda dos direitos dos trabalhadores.

Bancários lutam por reajustes contra Lula e os banqueiros

Entre os bancários, a luta da categoria também precisa passar por cima dos governistas que estão à frente dos sindicatos. Em cada campanha salarial os trabalhadores veem seus interesses serem rifados pelos cutistas em negociações salariais que não contemplam a verdadeira vontade das bases. E é isso que novamente está prestes a se repetir, depois que a Contraf (confederação bancária ligada à CUT) decidiu por uma proposta de reajuste de apenas 11%.

        E não é apenas a Articulação/PT, como corrente majoritária, que é responsável por esta traição. Correntes como a CTB/PCdoB, que defendeu 15% e a DS/PT, que defendeu 20%, na prática, fazem a mesma coisa. Nenhuma delas pauta o que realmente é importante, que é a reivindicação da reposição das perdas salariais desde o plano Real, que somam 24% entre os bancos privados, e mais de 80% no Banco do Brasil e 90% na Caixa.

        Tendo isso em vista tudo isso, os espaços para construção de oposições anti-governo é muito grande. O MNOB, movimento nacional de oposição bancária, ligado à Conlutas, nasceu para ocupar este espaço, se colocando em contrapartida aos fóruns da Confraf, federação de sindicatos ligados a CUT.

        Porém, por uma postura hegemonista e aparatista do PSTU, a corrente majoritária do MNOB, se vem priorizando alianças com setores governistas para tentar ganhar algum sindicato, ao invés de recorrer à base.  O resultado é que o MNOB hoje encontra-se paralisado.

        De todo modo, o MNOB ainda é a única ferramenta capaz de representar alguma alternativa, apesar de seus erros, porque ainda é formado por ativistas e lutadores, ao contrário da Contraf, que se vendeu ao governo, entregando nossas campanhas salariais ano após ano.

        Por isso, os bancários do Movimento Revolucionário defendem que apostemos com tudo na luta deste ano, que, à medida que banqueiros e governo Lula se recusam a garantir conquistas, deve convergir para a greve! Além do reajuste salarial de 24%; defendemos a licença maternidade de 6 meses automática e sem isenção de impostos; piso salarial baseado no salário mínimo do Dieese, contra a redução de salários e ataques promovidos na Caixa, pelo fim das terceirizações, reestatização das ações privatizadas no Banco do Brasil, isonomia entre novos e antigos funcionários, etc.


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