As eleições não mudam nada: Do vale tudo ao mundo bizarro!
Nestas e em outras eleições, nos deparamos com os mais diversos candidatos. Muitos partidos alugam sua legenda, pagam pessoas para fazer campanha na tentativa de que ela pareça ter apio popular, beijam crianças, etc. Os marqueteiros de plantão enchem os bolsos na tentativa de criar imagens e esconder o passado e atos ilícitos de muitos candidatos. E a propaganda e o ridículo acabam se misturando e sendo parte de uma coisa só.
O governo, em conjunto com os empresários e a imprensa, dissemina campanhas incentivando as pessoas a votar e a dar valor para o voto, como expressão única do que seria a "democracia". A participação popular é muito mais que isso, e há ações muito mais importantes que o simples e passivo ato de votar, como as mobilizações de rua, as greves e ocupações. Mas é claro que o voto também é importante, e foi obtido através de muita luta e sangue. O problema é que a democracia dos ricos em que vivesmo transformou o direito pelo qual lutamos num circo, onde não há direito real de escolha, e os grandes partidos e candidatos com alguma chance de se eleger são todos iguais!
Seria cômico se não fosse trágico que parte do empresariado e da imprensa pró-ditadura agora façam tanta campanha de "amor ao voto". Mas é claro que fazem isso porque o voto, para eles, é a compra do voto por cesta básica, ou conquistado pela apelação na TV. As eleições, além de serem um jogo de cartas marcadas, onde só ganham aqueles que defendem e são pagos pelo sistema capitalista, é um espaço propício aobizarro!
Este ano, mais uma vez estamos vendo as discussões, as promessas dos candidatos a presidente, governador, senador, deputado estadual e deputado federal. E "celebridades" como Tiririca, Mulher Pera, Maguila, Vampeta, Ronaldo Ésper, Kiko e Leandro do KLB, Dinei e Marcelinho Carioca (ex-jogadores do Corinthians), entre outros acabam roubando a cena.
Existem também as candidaturas "tradicionais" que, ao longo dos anos, assumem um caráter humorístico, num fato que não tem nada de engraçado. Por exemplo, o conservador "Ey, ey, Eymael, um democrata cristão", que faz graça para mascarar seu papel contra os direitos dos homossexuais e trabalhadores.
No mesmo sentido, quem não se lembra do bordão "Rouba mas faz?", de Adhemar de barros, e depois atribuído a Maluf? A própria eleição de Collor em 1989, como o "caçador de marajás" teve um aspecto folclórico também.
Além disso, se buscarmos as cenas mais estranhas nas eleições, vamos encontrar pérolas como Givaldo do Nascimento Melo, que apareceu no horário eleitoral do Rio Grande do Norte em 2008, em busca de uma vaga na Câmara dos Deputados. Na TV, ele quebrou o cenário e segurou um rato morto...
Neste ano, um dos slogans de campanha mais comentados é do autonomeado "palhaço Tiririca", que diz: "pior que tá não fica, vote Tiririca". E que ainda pergunta: "Você sabe o que um deputado faz? Eu também não! Vota em mim, que eu te conto". Uma vergonha, mas que não é menor que o que fazem os Renans Calheiros, Sarneys e Zé Dirceus.
Essas candidaturas são reflexo do processo eleitoral como um todo, onde vale tudo pelo voto, e no qual, pelas regalias que o parlamentar difruta, tudo pode. Em grande parte das vezes sequer existem propostas; apenas bordões e cenas cômicas. O circo vira um circo maior ainda.
Assim, se alguns candidatos aparecem em gravações mal feitas, ou propositadamente bizarras, outros investem rios de dinheiro para fazer de seus horários eleitorais superproduções. As propagandas de Dilma parecem verdadeiros filmes, que tentam emocionar, e passar a ideia de que dela depende o futuro do país.
Ou as de Serra, que, por incrível que pareça, tenta fazer dele uma pessoa mais do povo, andando de metrô, preocupado com o lado social... Uma caricatura forçada, tentando parecer um Lula com diploma universitário.
Por trás dessas produções milionárias, estão candidaturas que, de conteúdo, representam o mesmo projeto, de seguir governando conforme a cartilha do imperialismo, elaborada pelo banco mundial. Ao mesmo tempo, na turma dos "sem-dinheiro", existem os candidatos celebridades, e os ditos "hilários".
Contudo, para ambos os tipos, o que prima é o vale tudo. Se, para estes, vale se fantasiar, segurar ratos, e fazer piadas como proposta; para aqueles, vale perseguir, elaborar dossiês, e muitas vezes mandar matar inimigos políticos.
Mas, sem dúvida, o mais escandaloso nas eleições é o programa defendido por todos os candidatos, que independente da forma, tem o mesmo conteúdo artificial, "enlatado" e demagógico. Todos prometem salvar o mundo e melhorar a vida geral, dizendo que, para isso, dependem do voto em tal ou qual candidato.
Nós, do Movimento Revolucionário, ao contrário, encaramos o processo eleitoral como um espaço e uma obrigação dos revolucionários, de apresentarem um programa consequente com o que são as necessidades dos trabalhadores. E, para se ter educação, saúde e empregos, por exemplo, é necessário que isso se conquiste nas ruas, com luta e mobilização, dos trabalhadores.
Assim, as eleições, que são um jogo de cartas marcadas, deveria ser usada para que se agitassem e divulgassem as greves, como as de petroleiros, bancários e Correios; para organizar os trabalhadores; aumentar sua consciência; e denunciar o governo, os patrões e as próprias eleições. Infelizmente, nenhuma candidatura cumpre este papel.
PARA DERROTAR DILMA E SERRA, VOTE NULO
A existência de candidatos com uma campanha deliberadamente "escrachada", e o espaço e votos que estes acabam conquistando, é expressão de como grande parte dos trabalhadores encara esse processo. A grande ilusão com o PT, de que, com um ex-sindicalista à frente, as coisas mudariam, foi por água abaixo.
O sentimento geral é de que, ganhe quem ganhar, a vida não vai mudar! No fim das contas, acaba-se votando no menos pior. Por isso, para fazer esse debate, de que se for Dilma ou Serra as coisas vão seguir iguais, é que estamos chamando os trabalhadores a votar nulo!
Essa é a resposta que deve ser dada nestas eleições, Hoje, os trabalhadores infelizmente não contam com candidatos que vão para a TV e debates fazer essa discussão e questionar o sistema em si.
Mesmo a esquerda, que crítica Lula, Dilma e Serra, denuncia os nomes e os partidos, mas mantém o mesmo projeto de desenvolver o capitalismo, tentando torná-lo mais humano.
Muitos até falam no socialismo, mas defendem um socialismo combinado com o capitalismo, abstendo-se de chamar a classe trabalhadora a se organizar para lutar contra seus inimigos de classe, os patrões.
Por isso, os trabalhadores, antes demais nada devem se preparar para, com a provável eleição de Dilma, lutar até o final contra este novo governo, sem ilusões de que vai ser diferente do que Serra faria. Nosso chamado é para construirmos juntos estas lutas!
VOLTAR
|