Franceses saem às ruas novamente contra a Reforma da Previdência!
É preciso derrotar o governo Sarkozy
Neste último dia 7 de setembro, 2,7 milhões de franceses saíram para protestar contra mais um ataque promovido pelo governo Nicolas Sarkozy, agora mudando as regras das aposentadorias.
As entidades sindicais, pressionadas pelos trabalhadores, colocaram o governo contra a parede, organizando a maior mobilização dos últimos anos; superando inclusive um grande dia de paralisação ocorrido ainda este ano, no dia 24 de julho.
As manifestações atingiram diversos setores da sociedade francesa: serviços púbicos, como a educação, os transportes, os hospitais, os Correios, etc., e ainda diversos setores privados como bancos, empresas petrolíferas e até mesmo a companhias aéreas. Este foi o cenário visto ao menos em 100 cidades francesas - trabalhadores deixando seus postos de trabalho para protestar contra o governo e mais um ataque.
Os sindicatos e centrais sindicais organizaram este dia de protesto por ser a data onde o governo apresentou na Assembleia Nacional seu projeto que altera o sistema de Previdência Social do país. Os principais pontos de ataque são a alteração da idade mínima para se aposentar, que passaria de 60 para 62 anos. Mas isso é para a aposentadoria proporcional...
No caso do trabalhador querer receber a pensão integral, ainda terá que trabalhar até aos 67 anos, aumentados em relação aos 65 anos anteriores. Apesar da votação do projeto ser em outubro deste ano, a aplicação está prevista somente para 2018.
Estas medidas apresentadas pelo governo Nicolas Sarkozy, ainda que possam parecer um ataque moderado, representam uma sinalização concreta, que já é um duro ataque e, mais ainda, é o começo de uma escalada da maior de arrocho e retirada de direitos.
Sarkozy está ainda mais impopular, fazendo com que 73% da população, ou seja, quase 3 em cada 4 franceses, participem, ou no mínimo, apóiem as manifestações contra as medidas do governo.
Apesar da grande adesão à paralisação nacional, no entanto, o governo continua irredutível em suas medidas, e tanto o ministro do Trabalho, Eric Woertg, quanto Sarkozy já fizeram declarações de que a reforma é uma das prioridades de seu governo, e que sua decisão continuará firme. Dizem que poderão entrar em negociação somente sobre as aposentadorias especiais, em empregos insalubres, por exemplo, ou ainda, sobre aquelas pessoas que começaram a trabalhar antes dos 18 anos.
Uma reforma da burguesia para atacar os trabalhadores
A desculpa de Sarkozy para as reformas são velhas conhecidas dos trabalhadores brasileiros: a Previdência seria deficitária. Na verdade, são medidas que correspondem às mesmas iniciativas tomadas no restante dos países capitalistas, que estão encurralados diante de uma crise mundial que não se acaba nem diminui.
A Previdência francesa não é deficitária, nem dá prejuízo. Como em todo lugar, o que é confiscado dos trabalhadores e dos próprios aposentados, é muito mais que o gasto com aposentados e pensionistas, Mas a burguesia não se pode dar ao luxo de gastar nem mais um centavo. Por isso, Sarkozy coloca esta medida como sendo sua prioridade.
As medidas na França são parte do mesmo processo dos pacotaços na Espanha e Grécia, que reduziram salários e cortaram direitos como o 13o. Os aposentados, em número de 15 milhões, são a “bola da vez” apenas por serem “menos organizados” e por representarem um “alto custo”, conforme a visão de que devolver apenas parte do que se contribuiu a vida inteira é um gasto. Mas, certamente, depois deles virão os demais trabalhadores.
O que Sarkozy declara ser prioridade de governo é um ataque em que todos os trabalhadores vêm sendo alvo, e este processo é mundial. Os trabalhadores brasileiros, sob o governo Lula, também tiveram seu tempo de contribuição aumentado, de 65 para 67 anos - os homens - e de 60 para 65 - as mulheres. Agora, Dilma já anunciou que, caso eleita, deve propor mais uma reforma no ano que vem.
Além do papel criminoso dos governos Lula, Sarkozy e cia, a economia capitalista em declínio necessita de ataques permanentes. A burguesia não pode mais conceder qualquer benefício de modo duradouro, e se vê obrigada a aprovar projetos de superexploração neste sentido. O futuro não muito distante dos trabalhadores é viverem para trabalhar até o dia de sua morte.
Nos países pobres, o imperialismo anda na corda bamba, entre a necessidade de arrancar ainda mais dos trabalhadores, e evitar que a miséria coloque em risco a estabilidade política e econômica. Ao mesmo tempo, nos países mais desenvolvidos, os trabalhadores tem pago o pato, e é isto que temos visto em países como Grécia, França, Portugal, Espanha, etc.
O proletariado francês somando vitórias
Os franceses historicamente demonstram ter um dos mais engajados movimento de massas do mundo. Desde a Revolução Francesa, que delineou o mundo capitalista como conhecemos hoje, em que os trabalhadores ainda eram um elemento disperso; passando pela Comuna de Paris em 1871, que foi a primeira experiência de governo direto dos trabalhadores; passando também pelo Maio de 1968, um dos grandes episódios da História do século XXI; e tantas outras lutas e acontecimentos que tiveram os trabalhadores franceses como linha de frente.
No passado mais recente, este país foi palco de lutas que demonstram a força do proletariado europeu.
Jovens trabalhadores impuseram derrotas ao governo
Em 2005, os jovens da periferia que vivem em cidades do entorno de Paris, e nos bairros pobres da capital, deram resposta à repressão policial de que eram constantemente alvo.
Após a morte de um jovem que foi encurralado por policiais franceses, em cuja fuga acabou morrendo eletrocutado, os demais jovens da periferia, em sua maioria filhos de imigrantes e negros, se revoltaram e começaram a demonstrar que não podiam viver escondidos nos bairros onde a polícia racista da França tanto queria que se escondessem.
A noite de Paris ardeu em chamas, quando por semanas inteiras estes jovens incendiaram milhares de carros. A fúria aumentou ainda mais após as declarações de Nicolas Sarkozy, atual presidente, então ministro do Interior do governo Jacques Chirac, que chamou os jovens da periferia de escória.
As autoridades na época diziam que estes acontecimentos só tinham precedentes parecidos no período durante a Segunda Grande Guerra.
Este tipo de protesto acontece todos os anos, quanto algum jovem é assassinado pela polícia, que tem total aval do agora presidente para amedrontar, coagir, bater e matar a juventude oprimida.
Ainda para a juventude, no ano de 2006, o governo de Jaques Chirac tinha algo mais preparado: a Lei do Primeiro Emprego, que instituía que até os 26 anos os jovens não teriam os mesmos direitos trabalhistas que os demais trabalhadores, mesmo no mesmo emprego.
Os jovens seriam legalizados como mão-de-obra barata, sem todos os encargos e direitos, e a qualquer momento poderia ser demitido, sem nenhuma indenização. Junto disso, a taxa de desemprego entre a juventude é, em média, de 20%, o dobro do dos mais velhos.
Mas a juventude francesa, apoiada pelo conjunto dos trabalhadores, demonstrou novamente sua força e conseguiu fazer com que essa medida fosse derrotada.
Os trabalhadores na ofensiva! Participar ativamente das lutas
para a construção da direção revolucionária
Toda a conjuntura da França demonstra claramente que o “Estado do Bem-Estar Social” acabou! A crise econômica que atingiu em cheio os países desenvolvidos apressou ainda mais esse processo. Porém, a classe trabalhadora já demonstra sua força em resposta a estes ataques.
Os trabalhadores no Oriente Médio têm conseguido impor derrotas militares ao imperialismo, obrigando Obama a recuar; na Palestina a resistência impede o acordo traidor com Israel; e na Europa as greves são um método de luta cada vez mais presente.
Cada uma destas lutas fortalece todas as demais e por isso a hora é de devantarmos bem alto a o grito de TODO APOIO À LUTA DOS TRABALHADORES FRANCESES!
VOLTAR
|