Cresce a luta na Europa.
10 milhões de trabalhadores cruzam os braços na Espanha.
A tentativa dos governos europeus de acabar com direitos trabalhistas, punir aposentados e reduzir salários vem sendo respondida com manifestações de multidões por todo o continente.
O proletariado europeu dá mais uma demonstração de sua força, agora na Espanha, com uma greve geral que teve adesão maciça da população no dia 29 de setembro. Mais de 10 milhões de pessoas cruzaram os braços a partir das zero hora do dia marcado, afetando todos os setores da economia espanhola.
Além do alto número de pessoas aderindo, a radicalização da luta foi uma de suas marcas. Em vários setores, em diversas empresas, os trabalhadores organizaram piquetes onde houve enfrentamento com os trabalhadores contrários à paralisação, e principalmente com a polícia, resultando em dezenas de feridos e mais de 50 pessoas detidas.
O governo de Zapatero menosprezou totalmente as manifestações tentando divulgar uma baixa adesão dos trabalhadores, e alegando que nenhum serviço essencial foi atingido. Porém, a realidade foi outra. A sétima greve geral do período democrático burguês da Espanha, a primeira desde governo “socialista” de Zapatero, teve a adesão esperada.
Diversos setores da economia, principalmente setores primordiais da indústria, tiveram adesão dos trabalhadores. Indústria automobilística, construção civil, limpeza urbana, professores; todos tiveram seus serviços afetados drasticamente. Até mesmo emissoras de televisão tiverem de suspender o sinal, ou no mínimo readequar a grade de programação. Os jornais impressos do dia 29 também não chegaram às bancas.
A greve chamada pelas CCOO, UGT, CGT e diversas outras entidades sindicais lutava contra os chamados planos de austeridade do governo “socialista” de Zapatero, que muda as leis trabalhistas tornando mais fácil e barato demitir os trabalhadores; aumenta a idade mínima de aposentadoria; e arrocha os salários, principalmente os dos servidores públicos.
Medidas similares às que estão sendo promovidas pelos governos de plantão dos outros países europeus, seguindo a cartilha do FMI e Banco Mundial, com medidas para sair da crise sem tocar nos lucros da burguesia. E que são uma clara demonstração que o capitalismo e seus governos estão num beco sem saída, onde a taxa de lucro das grandes empresas só pode ser mantida com um ataque brutal aos trabalhadores.
Desemprego e arrocho. A saída da burguesia: mais ataques
As reformas previdenciárias e trabalhistas estão sendo aplicadas para garantir que a lucratividade da burguesia continue nos mesmos patamares, mas para isso devem atacar a classe trabalhadora de seus países.
A Espanha é um dos países que foi mais severamente atacado pela crise econômica. O desemprego ronda os 20%, o que significa que a cada 5 trabalhadores espanhóis 1 está desempregado. Entre os jovens, este percentual é praticamente o dobro.
Diante disso, o governo do Partido Socialista, que na verdade governa para a direita e os grandes banqueiros e empresários, arrocha ainda mais os salários e diminui os gastos públicos com saúde, educação e segurança; tudo para salvar quem é sua prioridade: os bancos como o Santander e as multinacionais do país (Telefónica, etc.).
Este é um aspecto importante a discutir. Grande parte dos países onde os trabalhadores saem às ruas para lutar contra os chamados planos de austeridade promovidos pela burguesia, tem como primeiro-ministros governos de partidos “socialistas”. Ou seja, os partidos que chegaram ao poder nas últimas eleições não foram os partidos tradicionalmente aliados da burguesia, mas sim partidos que faziam um discurso de oposição aos antigos governos e que, em principio, iriam conceder mais direitos aos trabalhadores.
E hoje estes sãos os governos responsáveis por promover os piores ataques das últimas décadas aos trabalhadores.
Zapatero, ex-secretário geral do PSOE, Partido Socialista Operário Espanhol, ganhou as últimas eleições, em 2004, disputando contra Mariano Rajoy do PP, Partido Popular, alinhado diretamente com a burguesia tradicional e “herdeiro” do franquismo.
Mas, como se percebe, de “socialista” só resta o nome, porque assim como todos outros governos, governa para a burguesia.
Os grandes empresários e banqueiros, porém, terão uma grande dificuldade em manter contida toda a insatisfação somente por dentro das eleições, já que a perspectiva de algum político ser identificado com a mudança é cada vez mais remota.
Os benefícios aos trabalhadores são cada vez mais difíceis de acontecer, em função da falta de recursos disponíveis à burguesia, e aqueles que antes defendiam os trabalhadores hoje são agentes dos patrões, nacionais e internacionais. Porém, os trabalhadores europeus cada vez mais têm claro que a mudança não se dará pelas eleições, e sim por meio das greves, manifestações e principalmente pelas organizações dos trabalhadores.
Trabalhadores espanhóis e europeus devem seguir derrotando o governo e seus aliados.
Os trabalhadores espanhóis, assim como os do restante da Europa, devem lutar para tomar conta de seus sindicatos e organizações, e torná-los independentes dos governos e dos Estados, pois só assim será possível organizar a resistência contra os planos dos governos, tirando a burocracia traidora e oportunista.
Além disso, a luta deve avançar e deixar de ser somente por questões econômicas, e passar a ser por pautas políticas, que questionem o poder como um todo.
Os governos europeus, assim como o do Brasil e de qualquer outro país, são inimigos dos trabalhadores, e nenhum projeto que venha a ser aplicado por eles serve para aumentar os benefícios da maioria da população. Pelo contrário, ou suas ações são ataques abertos, ou, na melhor das hipóteses, aparentes concessões para que a burguesia siga governando, simulando algo concedido, para preparar outro ataque. A burguesia dá com uma mão e tira com a outra...
O fim do “Estado do bem-estar social” impediu qualquer possibilidade de um capitalismo mais humanitário, como costuma propor a falsa esquerda social-democrata.
Mais do que nunca, a única alternativa para os trabalhadores é acabar com o modo de produção capitalista e lutar pelo socialismo. E isto só pode vir com a mobilização revolucionária da classe operária e dos demais explorados.
Neste sentido, os trabalhadores da Europa e de todo o mundo têm demonstrado sua força, não aceitando estas medidas, mesmo quando elas vêm de governos “socialistas” e que se dizem defensores dos trabalhadores, e contam com a colaboração dos sindicatos vendidos.
Está na ordem do dia organizar uma luta internacional dos trabalhadores para derrotar os governos capitalistas de cada país, e os sindicalistas vendidos, que mesmo estando à frente dos sindicatos dos trabalhadores, trabalham para os governos e o imperialismo.
O FMI e Banco Mundial, junto dos governos que aplicam suas leis, devem ser alvos de cada grito dos trabalhadores. A Espanha já está dando o seu, e seus ecos ressoam no mundo inteiro.
Apoio internacional
A data da greve geral da Espanha coincide com a Jornada de Luta Européia, data firmada para lutar contra os planos de austeridade aplicada pelos governos de cada país. Além das manifestações contra o plano de cortes e em solidariedade aos trabalhadores espanhóis, a Confederação Européia de Sindicatos organizou um ato em Bruxelas, cidade capital da União Européia, onde 100 mil trabalhadores se concentraram e denunciaram os planos adotados.
Nós do Movimento Revolucionário, em conjunto com outras organizações, nos somamos a essa jornada de luta e promovemos um ato em Porto Alegre que saiu em caminhada pelo centro da cidade até a frente do banco espanhol Santander, aproveitando a data que coincidia com o primeiro dia da greve de bancários.
A manifestação pôde alertar para o que ocorria na Espanha, e sobre a reação de seus trabalhadores, assim como serviu para relacionar estes ataques contra os direitos na Europa, aos ataques aplicados por Lula no Brasil, onde também se preparam privatizações de estatais e uma nova reforma da Previdência, prejudicando ainda mais os aposentados e os que vierem a se aposentar.
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