Oficialmente, a inflação brasileira está sob controle. Os índices usados pelo governo falam em 4% em 2006 e cerca de 0,5% a cada mês em 2007 (0,55% em Junho e maior alta em Janeiro com 0,66%). A meta de inflação estipulada pelo Banco Central é de 4,5% ao ano, e alguns empresários e banqueiros até criticaram o governo por não baixar mais esta meta, dando a impressão que estão engajados em garantir a estabilidade dos preços.
Porém, esta realidade não é a que cada trabalhador percebe quando vai comprar um quilo de carne no açougue, um litro de leite no supermercado ou quando paga a passagem de ônibus. Esta “impressão” de que a inflação é maior do que se divulga, na verdade não é impressão nenhuma: é a verdade. Na Argentina, por exemplo, o governo Kirshner demitiu os responsáveis pelo Instituto que mede os indicadores econômicos e nomeou outros. Muitos setores, com isso,acusam o governo de estar manipulando os dados da inflação, dizendo ser mais baixos do que de fato são.
No Brasil também existe esta manipulação de dados. Na época da hiper-inflação, ficou famoso o “caso do chuchu”. Foi um mês em que a inflação disparou (e isso que todo mês ela já era enorme). A explicação foi de que, na cesta dos produtos pesquisados, o chuchu tinha um peso considerável na alimentação das famílias e, pelo fato de seu preço ter subido muito, isso tinha puxado toda a média para cima. Essa história absurda e tantas outras demonstram que os índices de inflação e crescimento econômico que o governo divulga são uma farsa. Ou são mentirosos, ou são distorcidos, dizendo “a verdade” de uma maneira que lhes interesse.
Recentemente, por exemplo, o governo Lula (PT) simplesmente mudou o cálculo do PIB do país (conjunto das riquezas em um ano). Com esse único gesto, o crescimento econômico que era ridículo já ficou bom e atingiu o esperado. Isso significa dizer que os empregos seguiram os mesmos, a quantidade de máquinas, produtos e comida seguiu a mesma, mas o índice de crescimento, em alguns anos, mais que dobrou!
Isso é uma piada: o trabalhador é roubado pelo governo e empresários, e são os institutos do governo e dos empresários que mentem sobre como estaria sua situação.
A inflação é maior para os mais pobres
Até mesmo os dados fajutos de Lula admitem: quem puxa a inflação para cima são os gastos com transporte, saúde e alimentação! Enquanto produtos eletrônicos como celulares, TVs e computadores vêm baixando de preço, gêneros básicos como feijão, carne, leite e banana crescem o tempo inteiro. Por exemplo: o kg do pão francês subiu 2,61% em Junho, ou seja, em um mês a metade da inflação anual oficial! O litro do leite subiu 60 vezes mais que a inflação: 12,4 % em Junho. Isto é escandaloso! De abril/2007 a Julho, o leite aumentou 38%!!!
Também subiu muito acima da média o kg da carne, do tomate e vários outros itens básicos. A cesta básica, nas 16 capitais estudadas pelo banco central, teve aumento médio de 5,8% somente em 2007 (em POA foi de 13,4% !!!). Isso tudo desmonta a farsa da inflação sob controle
Analisando-se a saúde em POA, por exemplo, o PACS (posto da vila Cruzeiro do Sul) ficou fechado por questões de saúde pública já que estava infestado de ratos e baratas, devido à falta de verbas de Lula e do prefeito Fogaça (PPS). Agora que reabriu, segue superlotado e com riscos permanentes de infecção. Não são estes postos caindo aos pedaços e sem dinheiro do governo que vão garantir os remédios de quem precisa.
Além de ter que enfrentar o inferno das filas em hospitais e o caos dos postos do SUS, sem remédios e superlotados nas periferias, os trabalhadores ainda sofrem com o custo dos tratamentos. Os gastos com saúde, principalmente entre os idosos, subiram tanto que já são o 2º maior gasto de seu orçamento. No entanto, devemos lembrar que toda população que é vítima desta barbaridade. Ainda mais nestes meses de inverno, em que aumentam as doenças respiratórias, e crianças precisam ser atendidas com mais freqüência. Só em 2007, as vitaminas subiram 6,03% e, em 3 anos, analgésicos e antitérmicos aumentaram 47,83% (FIPE).
Em relação ao transporte público, foram reajustados os preços das passagens de ônibus em todo o Rio Grande do Sul. Na região metropolitana, a passagem de 8% (bem mais que a suposta inflação). Para trabalhar em Porto Alegre, um morador de Alvorada paga agora R$ 4,00 por dia e quase R$ 100,00 por mês. As empresas de ônibus diminuem os horários disponíveis, deixam todo mundo amontoado e sobem os preços com a aprovação dos partidos de sempre.
A vida do trabalhador é assim: paga cada vez mais impostos, não ganha nada em troca e precisa pagar outra vez (e caro!) para poder comer, se locomover e comprar remédios.
Ou leite para os filhos ou ônibus para buscar emprego
A maioria desses aumentos de preço ocorre em produtos de consumo popular, em que a população não pode optar em deixar de pagar. Muitas vezes são serviços públicos, com preços controlados pelo governo, os que mais sobem. É assim com a conta da luz que, nos últimos 10 anos, aumentou cerca de 400% (quase 5 vezes mais), enquanto a “inflação” do IPC não chegou a 100% (52,3% desde 2001-Fonte FGV). O telefone também subiu às alturas nos últimos anos, assim como o ônibus e os trens/metrôs. Ao contrário das TVs 42’ de plasma que estão mais baratas, a vida do trabalhador está bem mais cara. E a escolha passa a ser: ir ao trabalho ou procurar emprego X comprar leite e carne para a casa.
O resultado é que o número de passageiros que andam de ônibus está diminuindo em todo o Brasil. Em SP (conforme reportagem da própria imprensa) já há gente que dorme pelo centro nos dias de semana e volta para casa apenas na 6ª-feira, para economizar. Em POA, diminuiu número de usuários do transporte coletivo. O que explica isso? A população segue aumentando; as distâncias do emprego até onde moram os trabalhadores só crescem, pois a classe trabalhadora é empurrada para as periferias, e se anda menos de ônibus porque não se pode pagar mais. Para poder comer, muitos trajetos se fazem agora a pé, gastando ainda mais tempo da vida do trabalhador em função do patrão. Isso sem falar do frio, da chuva e da insegurança, especialmente, para as mulheres trabalhadoras.
Por outro lado, a alimentação do brasileiro está cada vez pior. O consumo do arroz, do feijão e das carnes diminuiu assustadoramente. Os analistas da burguesia dizem que é porque, hoje em dia, se come muito fora de casa, na rua. Isso é verdade, mas não explica tudo. Um trabalhador que deixasse de comer arroz, feijão e carne em casa e comesse arroz, feijão e carne na rua, não estaria consumindo menos comida. Isso não acontece porque, por um lado, as empresas mal dão intervalo e massacram os empregados, mas também porque é mais barato comer um salgado a R$1,50, ou levar um sanduíche de casa, do que gastar R$ 5,00 ou R$ 7,00 para comer de verdade.
Para as crianças e adolescentes, isso é ainda pior: o consumo de leite recomendado pelas entidades de saúde, é de 600ml para crianças, 800ml até 12 anos e 1 litro por dia a partir desta idade. O leite é um dos alimentos mais completos; é necessário para fortalecer o sistema imunológico e evitar doenças; fortalecer os ossos e prevenir osteoporose; etc. No entanto, em função de uma caixa de leite custar hoje o mesmo que uma refeição mais pobre feita em casa, o leite está virando artigo proibido para muita gente.
Como vai a economia do Brasil
Enquanto os pobres sofrem com o aumento do custo de vida e salários cada vez mais baixos, os empresários, banqueiros e fazendeiros dão risada. Nunca se ganhou tanto dinheiro em tão pouco tempo como hoje os burgueses ganham no Brasil. O lucro dos bancos, ano após ano, bate recordes. O Santander, o Itaú, o Bradesco: todos divulgaram, em seus balanços, lucros de bilhões de reais no 1º semestre. Esses lucros são obtidos das tarifas abusivas e dos juros escandalosos de qualquer empréstimo. O governo Lula baixou a taxa de juros oficial para 11,5% ao ano, mas isso é uma piada. A média de juros do cheque especial (limite da conta) está em 199% ao ano. Quer dizer, um trabalhador que pegar R$ 500,00 hoje, vai precisar pagar R$ 1000,00 em um ano e ainda vai seguir devendo os R$500,00.
Por isso é que se vêem tantas comemorações dos empresários na televisão, diante dos resultados econômicos. Mesmo setores exportadores que reclamam do dólar baixo seguem vendendo como nunca. Isso porque o salário no Brasil é cada vez mais baixo e a exploração maior. Então os preços brasileiros seguem “competitivos”. Para facilitar a vida destes donos de indústrias e empresas, Lula e o Congresso ladrão dão isenção de impostos para alguns deles e retiram direitos trabalhistas. O PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) de Lula vem para roubar ainda mais dinheiro da saúde e da educação, e pagar estradas (que são o “filé” da corrupção de empreiteiras, senadores e irmãos de Lula) que, quando o trabalhador vai usar, precisa pagar pedágio.
Mesmo com todo sacrifício dos trabalhadores, a exploração do imperialismo é tão grande no Brasil e a roubalheira é tão gigantesca, que mesmo pagando a dívida pública sem sobrar nada para a população, a dívida brasileira chegou à incrível marca de R$ 1,198 trilhão no fim do semestre, 9,6% (ou R$ 105 bilhões) a mais em seis meses. Para se ter uma idéia: a saúde e a educação juntas recebem não muito mais que R$ 30 bilhões por ano (7 VEZES MENOS QUE O SIMPLES AUMENTO DA DÍVIDA)!!
Os trabalhadores não têm nada a comemorar com a economia. Os lucros dos patrões saem do suor de quem trabalha. Há dois mundos no país: o dos corruptos e exploradores, que vai bem; e o do povo trabalhador, que vai de mal a pior.
Trabalhadores e aposentados sufocados em dívidas
O índice de cheques sem fundo estava aumentando 10%, 20% todo mês que se comparava com o equivalente do ano passado. Agora em Junho e Julho isto mudou. Não porque os cheques estejam com fundos, mas simplesmente porque a base de comparação do ano passado já está maior (em 2006 estes meses já tiveram grande inadimplência) e porque os trabalhadores no Banco Central nem têm mais cheque à disposição. A quantidade de aposentados com “a margem do INSS” de seus míseros R$ 380,00 ocupada por empréstimos com desconto em folha em bancos é recorde. Por onde se olhe, se enxergam dívidas, inadimplência, registros no SPC e Serasa, pessoas com telefone cortado, e assim por diante.
Não há nenhuma saída por dentro das instituições podres que existem. Lula é mais um presidente que rouba e deixa roubarem, como foi com Collor e FHC. O PT é igual ao PSDB e todos os outros partidos eleitoreiros. O Congresso é um antro de corruptos que atacam os trabalhadores. O escândalo envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), outro amigo de Lula, mostrou que eles são todos iguais. O “grande protesto” veio de Fernando Gabeira/PV, que votou pela reeleição de FHC, e da ex-senadora Heloísa Helena/Psol, pela renúncia de Calheiros. Parece até que o povo é bobo! Esses partidos também votaram contra os direitos dos trabalhadores ao aprovar o Super Simples, que ataca o 13º e as férias. Agora querem enganar a população dizendo que o problema é um ou outro corrupto. O problema é o Congresso inteiro, que deve ir abaixo! Os trabalhadores devem protestar, se mobilizar por reajustes salariais, montar comitês por bairro, local de estudo e trabalho para impedir novos aumentos do custo de vida e lutar para DERROTAR LULA e pôr ABAIXO O CONGRESSO CORRUPTO!
Revolução ou miséria
Quem já tem 30 anos ou mais deve lembrar de como era a vida há 15 ou 20 anos. Quem é mais novo também tem esse conhecimento. Havia pobreza, mendigos, desemprego... mas o que se vê hoje em dia é algo bem pior. Mesmo supostamente sem inflação, o que se ganha não dá para mais nada. O salário não consegue pagar o aluguel, as contas da casa, a alimentação e o
transporte. O lazer ou alguma viagem, então, estão fora de cogitação. E isso para quem tem emprego.
O empobrecimento da população salta aos olhos. Por todo lugar, aumenta o número de pessoas que vivem de esmolas, os vendedores de produtos nos ônibus, os camelôs, os desempregados, etc. As favelas crescem em todo lugar. Até a classe média que antes tinha seus filhos em escola particular e levava uma vida melhor, hoje, tem o dinheiro contado.
Nesse meio tempo, já passaram pela presidência todos os grandes partidos.
Fica claro que as eleições não mudam nada! A única maneira de mudar de vida é lutando, fazendo greve, protestando e se organizando em cada local de trabalho, moradia ou estudo.
Dentro do capitalismo, só vamos receber mais violência, insegurança, humilhações e exploração. PT, PSDB e todos os outros partidos de eleição passam o ano inteiro nos roubando. A TV, os jornais, a Justiça e a Polícia estão do lado dos ricos e dos patrões. O povo trabalhador só pode contar consigo mesmo.
E é da luta da classe trabalhadora que devem surgir as novas formas de governo. Os trabalhadores precisam juntar-se em uma organização sem rabo preso com empresários, sem objetivo de fazer carreira na política, sem ilusão de mudar pelo voto. Chamamos os trabalhadores a entrar para a Construção do Movimento Revolucionário, que existe somente para um propósito: preparar a derrubada do capitalismo, por meio da construção de uma Revolução dos trabalhadores no Brasil e no mundo. Organize a Construção do Movimento Revolucionário em seu bairro ou escola e vamos juntos lutar pela Revolução!
Esta revolução deve derrubar não só os atuais ladrões, mas confiscar os bens de toda grande burguesia, expropriando os bancos, as indústrias e empresas onde hoje trabalhamos e não recebemos mais que migalhas em troca. Os próprios trabalhadores devem gerir estas empresas, que devem estar sob seu controle. O patrão é um parasita que vive de nosso trabalho. Sejamos nós os donos do que produzimos. Vamos lutar!
-Contra os ataques, derrotar Lula!
-Abaixo o Congresso Corrupto!
-Não ao PAC e ao congelamento de salários.
-Não pagar mais nenhuma dívida com os banqueiros.
-Mais verba para a saúde, educação e geração de emprego.
-Congelamento de preços de comida e remédios
-Redução dos preços de serviços públicos
-Passe livre para desempregados, jovens até 21 anos e estudantes em qualquer idade
-Gratuidade de água e luz para desempregados
-Por aumento geral de salários e redução da jornada de trabalho para 36h semanais